{"id":13372,"date":"2016-02-12T13:56:07","date_gmt":"2016-02-12T15:56:07","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/02\/12\/seita-ressurge-em-mais-de-170-aldeias-da-amazonia\/"},"modified":"2017-05-26T16:16:52","modified_gmt":"2017-05-26T19:16:52","slug":"seita-ressurge-em-mais-de-170-aldeias-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/seita-ressurge-em-mais-de-170-aldeias-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Seita ressurge em mais de 170 aldeias da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/9fev2016---nova-igreja-em-obras-na-comunidade-de-mato-grosso-frequentada-por-indigenas-1455041246191_615x300.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Ordem cat\u00f3lico-messi\u00e2nica prolifera entre comunidades ind\u00edgenas do Alto Solim\u00f5es<\/p>\n<p>A marca \u00e9 invariavelmente uma cruz vermelha, com 14 metros de altura, plantada no ponto mais alto da comunidade. As iniciais RDSM (Recorda\u00e7\u00e3o da Santa Miss\u00e3o) tamb\u00e9m s\u00e3o obrigat\u00f3rias, bem como a data de funda\u00e7\u00e3o de cada irmandade, gravada<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nova igreja em obras na comunidade de Mato Grosso, frequentada por \u00ednd\u00edgenas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">em n\u00fameros brancos.<\/p>\n<p>O d\u00edzimo \u00e9 lei: 10% de toda a renda vai para a igreja. Quem n\u00e3o tiver, contribui com bens dom\u00e9sticos &#8211;um r\u00e1dio, um animal de estima\u00e7\u00e3o, o que for&#8211; sempre na propor\u00e7\u00e3o de 10% de tudo o que houver na casa. Quem ainda assim n\u00e3o tiver o que dar, d\u00e1 seu pr\u00f3prio trabalho.<\/p>\n<p>Perdida nos cafund\u00f3s da Amaz\u00f4nia, a Miss\u00e3o da Ordem Cruzada, Cat\u00f3lica, Apost\u00f3lica e Evang\u00e9lica &#8211;ou simplesmente Irmandade da Santa Cruz&#8211; cresce a passos largos entre as comunidades ind\u00edgenas do Alto Solim\u00f5es, especialmente nas etnias ticuna e cocama.<\/p>\n<p>A congrega\u00e7\u00e3o segue o rastro do rio Solim\u00f5es e se espalha em mais de cem pequenas aldeias entre os 500 quil\u00f4metros que separam Tabatinga de Tef\u00e9.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o de Tabatinga, na fronteira entre Brasil, Peru e Col\u00f4mbia, j\u00e1 existem 49 comunidades ostentando a cruz vermelha no ponto mais alto da vila. No Amazonas, \u00fanico Estado do Brasil onde a seita tem seguidores, a Santa Cruz est\u00e1 presente em 109 aldeamentos.<\/p>\n<p>Do outro lado da fronteira, nas comunidades ind\u00edgenas do Peru, a seita j\u00e1 colheu adeptos em 52 comunidades, incluindo a reserva do Javari &#8211;uma das mais isoladas da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Na capital, Lima, a primeira igreja foi aberta h\u00e1 dois anos. Nos anos de 1980, at\u00e9 ent\u00e3o auge da congrega\u00e7\u00e3o, a seita estava presente em pouco mais de 40 aldeias.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o acaba de chegar \u00e0 Argentina: em janeiro, foi estabelecida a primeira miss\u00e3o em Buenos Aires.<\/p>\n<p>Fundada pelo pregador Jos\u00e9 Francisco da Cruz em 1972, a igreja quase se extinguiu ap\u00f3s a morte de seu l\u00edder espiritual. O retorno \u00e9 consistente: na regi\u00e3o amaz\u00f4nica h\u00e1 mais de 170 comunidades que voltaram a seguir seus dogmas, que incluem restri\u00e7\u00f5es severas a festas e a bebidas alco\u00f3licas e aos direitos femininos.<\/p>\n<p>&#8220;A gente pode se pintar, mas bem pouquinho. Quando est\u00e1 nos dias [menstruada], n\u00e3o nos deixam entrar na igreja &#8220;, descreve a ind\u00edgena cocama Tir\u00e7a Penedo Felipe, 32, moradora da comunidade de Mato Grosso, \u00e0s margens do Solim\u00f5es.<\/p>\n<p>A ticuna Elisabeth Perez de Souza, 52, viu a igreja florescer na sua aldeia, a vila do Bom Caminho, quando ainda era uma adolescente. Hoje n\u00e3o frequenta mais os cultos, embora diga n\u00e3o ter &#8220;nada contra&#8221; a Santa Cruz. E, mesmo sem ser congregada, faz doa\u00e7\u00f5es regulares, de dinheiro e de bens.<\/p>\n<p>&#8220;Na \u00e9poca em que chegaram aqui, mulher n\u00e3o podia falar com homem. Se falasse, tinha que ficar de joelhos toda a madrugada. Isso n\u00e3o existe mais, mas as congregadas ainda n\u00e3o podem usar cal\u00e7as compridas e nem deixar os cabelos soltos&#8221;, relata.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/9fev2016---a-15x300.jpg\" border=\"0\" align=\"right\" \/>Elizabeth n\u00e3o frequenta mais os cultos, mas ainda faz doa\u00e7\u00f5es regulares<\/p>\n<p>Trabalho volunt\u00e1rio<\/p>\n<p>A igreja da comunidade do Mato Grosso, na margem direita do Solim\u00f5es, ainda est\u00e1 em obras, apesar de a miss\u00e3o ter plantado a cruz por ali em setembro de 1997. As divis\u00f5es pelo controle da seita, que se radicalizaram a partir de 1999, quase acabaram com os fi\u00e9is.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, os 142 moradores da vila se dividem entre a Santa Cruz e a igreja cat\u00f3lica, cujo templo mais pr\u00f3ximo fica a quase duas horas de barco, na cidade de Benjamin Constant. A predomin\u00e2ncia \u00e9 de fi\u00e9is da congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tir\u00e7a e a fam\u00edlia d\u00e3o todos os meses entre R$ 10 e R$ 20 para a igreja &#8211;uma enormidade para a pobreza da regi\u00e3o. Quando n\u00e3o t\u00eam dinheiro, ela e o marido trabalham \u00e0s sextas-feiras, das 7h \u00e0s 14h, na constru\u00e7\u00e3o ou na limpeza do templo &#8211;uma estrutura muito simples, apenas com um altar para os cultos e espa\u00e7o para a assist\u00eancia em bancos de madeira.<\/p>\n<p>Os cultos come\u00e7am \u00e0s 4h30 nos dias de semana e podem se estender at\u00e9 por volta das 7h. Aos domingos o in\u00edcio \u00e9 \u00e0s 7h30, mas a leitura do Velho Testamento &#8211;outra regra que n\u00e3o pode ser quebrada&#8211; pode perdurar at\u00e9 as 11h. \u00c0 tarde a rotina \u00e9 semelhante.<\/p>\n<p>&#8220;Ajuda muito. Todo mundo se adestra e sai da ora\u00e7\u00e3o preparado para o trabalho ou para o estudo. A mente fica pronta para receber a palavra de Deus&#8221;, diz o ind\u00edgena Richardson Garcia Sevalhos, 30, em defesa dos rigores da seita.<\/p>\n<p>Sevalhos, morador de Mato Grosso, tamb\u00e9m defende a restri\u00e7\u00e3o ao \u00e1lcool determinada pela igreja, embora a comunidade ainda misture cacha\u00e7a \u00e0 casca de copa\u00edba para fazer xaropes e anti-inflamat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Segundo ele, depois que a Santa Cruz voltou a ter adeptos &#8220;n\u00e3o tem mais bebedeira e nem drogas&#8221; entre os \u00edndios.<\/p>\n<p>O ribeirinho Floriano Pinto de Souza, 78, que fundou a igreja junto com a comunidade de Bom Caminho h\u00e1 38 anos, encontrou na seita uma resposta para a morte de quase toda a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Devido \u00e0s m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias das aldeias no Alto Solim\u00f5es, restaram apenas Floriano e o pai.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/9fedevotos-1455040981331_.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>A Santa Cruz serviu como est\u00edmulo para voltar a trabalhar. Entre as 94 fam\u00edlias do local, a seita contabiliza 90 fi\u00e9is \u2013 dos quais 36 s\u00e3o crian\u00e7as. H\u00e1 dois anos eram apenas 20.<\/p>\n<p>Nas casas simples das comunidades ribeirinhas, vestes brancas e imagens do fundador<\/p>\n<p>Uma vez por m\u00eas, a cada dia 30, \u00e9 feita uma prociss\u00e3o para adorar a pequena cruz vermelha, miniatura do s\u00edmbolo principal. Todos os fi\u00e9is t\u00eam que ir aos cultos de branco.<\/p>\n<p>&#8220;Quando fomos jogados na beira do rio, eu disse ao papai que ia plantar uma cruz para adorarmos. Ent\u00e3o viemos para c\u00e1. Tem que fazer penit\u00eancia para poder ter salva\u00e7\u00e3o e crescer alguma coisa para a comunidade. Sem Deus n\u00e3o podemos fazer nada. S\u00f3 Deus \u00e9 que d\u00e1 alguma coisa. Por isso a gente sai de madrugada para fazer prega\u00e7\u00e3o&#8221; conta.<\/p>\n<p>Floriano, que \u00e9 capit\u00e3o na hierarquia da Ordem, diz que &#8220;tem o direito&#8221; de pagar R$ 20 todo m\u00eas para a igreja. O dinheiro do d\u00edzimo \u00e9 encaminhado para a sede comercial da congrega\u00e7\u00e3o em Santo Ant\u00f4nio do I\u00e7\u00e1 e, dali, para um escrit\u00f3rio de contabilidade em Tabatinga &#8211;a cerca de quatro dias de barco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/arte-1454952541910_600x1063.jpg\" border=\"0\" align=\"right\" \/>O atual presidente da Ordem, Dalm\u00e1cio Pinheiro de Castro, vive isolado na comunidade do Ju\u00ed, a sete dias de barco de Tabatinga, e n\u00e3o foi localizado pela reportagem.<\/p>\n<p>&#8220;Ele [pastor Dalm\u00e1cio] vem aqui uma ou duas vezes por ano fazer a contabilidade da igreja. \u00c9 o \u00fanico que tem autoriza\u00e7\u00e3o para mexer com o dinheiro da congrega\u00e7\u00e3o&#8221;, narra o auxiliar Einer Batista, funcion\u00e1rio da empresa.<\/p>\n<p>As ofertas espont\u00e2neas que os fi\u00e9is fazem aos domingos &#8211;peixes, animais silvestres, utens\u00edlios dom\u00e9sticos e dinheiro&#8211; s\u00e3o direcionadas \u00e0 tesouraria da igreja na pr\u00f3pria comunidade.<\/p>\n<p>Ali, abastecem as obras e servem para custear as miss\u00f5es de evangeliza\u00e7\u00e3o por outras aldeias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: UOU<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ordem cat\u00f3lico-messi\u00e2nica prolifera entre comunidades ind\u00edgenas do Alto Solim\u00f5es A marca \u00e9 invariavelmente uma cruz vermelha, com 14 metros de altura, plantada no ponto mais alto da comunidade. 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