{"id":13170,"date":"2016-01-26T14:11:01","date_gmt":"2016-01-26T16:11:01","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/01\/26\/os-nazarenos-contra-jesus\/"},"modified":"2017-05-08T16:29:37","modified_gmt":"2017-05-08T19:29:37","slug":"os-nazarenos-contra-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/os-nazarenos-contra-jesus\/","title":{"rendered":"Os Nazarenos contra Jesus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Jesus quando falava a seus conterr\u00e2neos na Sinagoga de Nazar\u00e9 \u201ctodos o elogiavam e admiravam-se das palavras cheias de gra\u00e7a que sa\u00edam de sua boca\u201d (Luc 4,21). Depois, por\u00e9m, eis que aqueles mesmos que se encantavam com o Mestre divino, o qual lhes ensinava, tiveram uma rea\u00e7\u00e3o inteiramente diferente, pois \u201cse encheram de ira, e, erguendo-se lan\u00e7aram-no fora da cidade e levaram-no at\u00e9 \u00e0 beira do monte sobre o qual estava constru\u00edda a sua cidade, a fim de o precipitarem\u201d (v.28). Ao entusiasmo seguiu-se um insano furor. \u00c9 que enquanto Jesus se revelava como o Messias do qual falara Isa\u00edas seus concidad\u00e3os se orgulhavam por ser Ele nazareno. De Nazar\u00e9, portanto \u00e9 que sa\u00edra o Redentor prometido por Deus, estabelecendo uma nova ordem social de paz, de justi\u00e7a e liberdade.\u00a0 Jesus, contudo, n\u00e3o era um demagogo e a sinceridade sempre pautaria sua prega\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Lucas registrou como aqueles seus ouvintes diziam entre si: \u201cN\u00e3o \u00e9 este o Filho de Jos\u00e9?\u201d (v.22). Isto revelava certa incredulidade na messianidade de Cristo e, por certo, quereriam que Ele fizesse ali algum milagre como operara em outros lugares, como em Cafarnaum. No \u00edntimo colocavam deste modo\u00a0 em d\u00favida sua miss\u00e3o, al\u00e9m de revelarem uma inveja das outras cidades\u00a0 nas quais Jesus fizera prod\u00edgios. Sua resposta foi taxativa: \u201cNenhum profeta \u00e9 bem recebido em sua terra\u201d (v.24). Ao citar como procederam com os pag\u00e3os\u00a0 Elias perante a vi\u00fava que era de Sarepta de Sid\u00f4nia e Eliseu diante de Naam\u00e2 que era s\u00edrio, o humor dos nazarenos mudou inteiramente e foram tomados de ira contra Jesus. Portanto, nada do que falava o profeta Isa\u00edas, cujo texto Cristo havia lido, n\u00e3o ocorreria em Nazar\u00e9. Os Nazarenos, como bem observou o Pe.Rodolfo da Abadia de Hautterive na Su\u00ed\u00e7a, simbolizavam os judeus que perseguiriam a Igreja primitiva a qual devia sofrer como Jesus a recusa de seus compatriotas. Al\u00e9m disto, atrav\u00e9s dos tempos muitos que se dizem crist\u00e3os quereriam que Jesus estivesse unicamente a servi\u00e7o de seus interesses e se comportariam com arrog\u00e2ncia, exigindo dele favores que em nada ajudam \u00e0 pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o e ao bem comum. A doutrina de Cristo deve, isto sim, ser uma palavra que mobilize inteiramente seu seguidor rumo \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. Note-se que perante a atitude dos nazarenos, como relatou s\u00e3o Lucas, \u201cJesus passou no meio deles e seguiu o seu caminho\u201d (v.30). Cristo sempre escapar\u00e1 aos projetos humanos que n\u00e3o visam a gl\u00f3ria de Deus e o bem das almas. A salva\u00e7\u00e3o da humanidade que Ele viera operar n\u00e3o teria fronteiras e era mais vasta que os pequenos horizontes individuais, interesses restritos daqueles que n\u00e3o se interessassem em levar aos outros sua mensagem de paz e consolo. Por certo Jesus deve ter ficado triste diante do desprezo de seus conterr\u00e2neos. Ali\u00e1s, fica sempre triste perante os que n\u00e3o O veem como o redentor de todos. Os Nazarenos O queriam s\u00f3 para eles e n\u00e3o tinham ideia de que Ele viera tamb\u00e9m para os pag\u00e3os como fizeram Elias e Elizeu. Os Nazarenos n\u00e3o penetraram fundo no mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o que Ele trouxera ao mundo. O crist\u00e3o n\u00e3o pode ficar nunca encantoado no seu pequeno mundo, no seu c\u00edrculo limitado de amigos. O fato ocorrido em Nazar\u00e9 \u00e9 um convite a que se sai da rotina, da indiferen\u00e7a, do comodismo para levar com entusiasmo o Evangelho onde cada um vive, trabalha e atua. Interesse pelos pobres, pelos necessitados. Irradia\u00e7\u00e3o da caridade que deve produzir bondade, do\u00e7ura, amabilidade, servi\u00e7os, alegria, paz, compaix\u00e3o e paci\u00eancia. O ego\u00edsmo dos Nazarenos os levou a querer precipitar Jesus monte abaixo, jogando-o no precip\u00edcio, fora da cidade. Mais tarde Jesus seria crucificado em Jerusal\u00e9m tamb\u00e9m fora da cidade e l\u00e1 no alto da cruz estaria escrito \u201cJesus Nazareno, Rei dos Judeus\u201d. Ele n\u00e3o seria apenas o soberano de Nazar\u00e9, mas o Redentor dos judeus e de todos os povos. O erro dos nazarenos foi se maravilharem com as palavras que na sua Sinagoga Jesus proferia, mas n\u00e3o indo al\u00e9m fazendo um ato de f\u00e9 completo na sua messianidade. Atrav\u00e9s dos tempos Cristo seria expulso de tantas cidades, de tantos cora\u00e7\u00f5es, mas continuaria sempre a ser o Messias salvador de milhares de almas. Os milagres de sua bondade se multiplicariam por toda parte. N\u00e3o basta, portanto, apenas admirar Jesus, mas \u00e9 preciso crer firmemente na sua miss\u00e3o salv\u00edfica. * Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus quando falava a seus conterr\u00e2neos na Sinagoga de Nazar\u00e9 \u201ctodos o elogiavam e admiravam-se das palavras cheias de gra\u00e7a que sa\u00edam de sua boca\u201d (Luc 4,21). 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