{"id":13144,"date":"2016-01-26T11:58:11","date_gmt":"2016-01-26T13:58:11","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/01\/26\/saciar-a-fome-e-a-sede\/"},"modified":"2017-05-08T16:35:14","modified_gmt":"2017-05-08T19:35:14","slug":"saciar-a-fome-e-a-sede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/saciar-a-fome-e-a-sede\/","title":{"rendered":"Saciar a fome e a sede"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Na minha Carta Pastoral \u201cCom Miseric\u00f3rdia olhou para ele e o Escolheu\u201d, de 13 de dezembro de 2015, no elenco das celebra\u00e7\u00f5es que se sucederam no ano Jubilar da Miseric\u00f3rdia, propus como obra de miseric\u00f3rdia para o m\u00eas de dezembro passado \u201cSaciar a fome e a sede\u201d.\u00a0 Embora essa orienta\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a a cada m\u00eas, as obras de miseric\u00f3rdia devem ser exercidas sempre. Para este caso, o Evangelho de S\u00e3o Mateus, no cap\u00edtulo 25, 31-46, nos apresenta a seguinte cena: o ator principal \u00e9 o \u201cFilho do Homem\u201d, aquele ser humano que recebe de Deus plenos poderes sobre o mundo, conforme a vis\u00e3o de Dn 7,13-14. \u00c9 o pr\u00f3prio Jesus. Ele vem com a gl\u00f3ria de Deus e re\u00fane diante de si todos os povos. Como um rei \u2013 tendo a \u00faltima palavra em seu reino \u2013 ele vai julgar \u201ctodos os povos\u201d. Ora, qual vai ser o crit\u00e9rio para julgar esses povos? Certamente n\u00e3o a Lei de Mois\u00e9s, pois a maioria desses povos n\u00e3o conhece a Lei de Mois\u00e9s (do Juda\u00edsmo).<br \/> Assim como um pastor que ao anoitecer separa os cordeiros dos bodes, para que passem a noite em ambientes diferentes, o rei-juiz separa os bons dos maus. Os bons, Ele o faz entrar na sua alegria, porque lhe deram comida, bebida, hospedagem, roupa, assist\u00eancia na pris\u00e3o. E eles perguntaram: \u201cSenhor, n\u00e3o sabemos nada disso\u201d, ent\u00e3o Ele responde: \u201cO que fizestes ao menor desses meus irm\u00e3os (os famintos, sedentos etc.), foi a mim que o fizestes\u201d. E os maus, Ele os condena porque n\u00e3o fizeram essas boas a\u00e7\u00f5es. Tampouco estes t\u00eam consci\u00eancia de quando foi que n\u00e3o trataram bem o rei. E Ele responde: \u201cO que deixastes de fazer a um desses menores irm\u00e3os meus, a mim o recusastes\u201d.<br \/> Discute-se se Jesus quer dizer, com os \u201cmenores irm\u00e3os meus\u201d, os seus disc\u00edpulos, que n\u00e3o s\u00e3o insignificantes no mundo, ou as pessoas de pouca import\u00e2ncia em geral. Parece que \u00e9 das pessoas sem import\u00e2ncia em geral que se trata, pois os que praticaram as boas a\u00e7\u00f5es fizeram-no sem saber que estavam fazendo algo importante. \u201cFaze o bem e n\u00e3o olha para quem\u201d.<br \/> \u00c9 a caridade gratuita, sem considera\u00e7\u00e3o da pessoa, que se encontra crit\u00e9rio pelo qual Jesus julga \u201ctodos os povos\u201d. Na perspectiva dos israelitas, o julgamento se pauta pela observ\u00e2ncia da Lei de Mois\u00e9s. Mas Jesus veio anunciar o Reino para al\u00e9m dos limites do Juda\u00edsmo. Para al\u00e9m da Lei de Mois\u00e9s. Ent\u00e3o, a Lei n\u00e3o \u00e9 mais o crit\u00e9rio do julgamento. Para os povos em geral, as pessoas da humanidade universal, o crit\u00e9rio para saber se eles cabem ou n\u00e3o ao lado de Deus \u00e9 este: a caridade exercida gratuitamente, sem olhar para quem. N\u00e3o somos julgados por aquilo que tivermos feito expressamente para agradar a Deus. O que mais agrada a Deus \u00e9 o amor efetivo que demonstramos para com seus filhos, especialmente os mais insignificantes, os mais pequenos.<br \/> Assim, as \u00faltimas palavras do \u00faltimo discurso de Jesus em Mateus est\u00e3o em harmonia com as primeiras palavras do primeiro discurso, as Bem-Aventuran\u00e7as. Nestas, Jesus felicita os que s\u00e3o pobres at\u00e9 no seu esp\u00edrito e nos seus desejos; os que n\u00e3o se valem da viol\u00eancia; os que n\u00e3o fogem da dor; os que t\u00eam fome e sede, n\u00e3o s\u00f3 de alimento e bebida, mas tamb\u00e9m, e, sobretudo, da justi\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a Deus; os que praticam a miseric\u00f3rdia, os que t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o puro, os que promovem a paz, os que sofrem persegui\u00e7\u00e3o por causa de Jesus e sua palavra. Como se v\u00ea, aqueles que \u201cpassam\u201d na prova do \u00faltimo ju\u00edzo cabem muito bem ao lado daqueles que s\u00e3o acolhidos na comunidade da salva\u00e7\u00e3o pelas Bem-Aventuran\u00e7as.<br \/> A caridade \u00e9 tamb\u00e9m um feixe de detalhes muito pequenos da vida cotidiana, se a queremos viver de um modo delicado e her\u00f3ico. O dever da fraternidade para com todas as almas \u00e9 exercitar o apostolado das coisas pequenas, sem que o notem: com \u00e2nsias de servi\u00e7o, de modo que o caminho se lhes mostre am\u00e1vel. Ser\u00e1, por vezes, mostrarmo-nos verdadeiramente interessados naquilo que nos constam; ou deixarmos de lado as preocupa\u00e7\u00f5es pessoais para p\u00f4r toda a aten\u00e7\u00e3o nos que est\u00e3o naquele momento conosco; ou n\u00e3o nos irritarmos por coisas sem import\u00e2ncia; ou ajudar a aliviar o peso que oprime os outros, e faz\u00ea-lo sem que o percebam; ou evitar o menor n\u00famero de cr\u00edticas; ou sermos sempre agradecidos, coisas que est\u00e3o ao alcance de todos. E o mesmo acontece com as demais virtudes, uma por uma.<br \/> Portanto, se estivermos atentos ao que \u00e9 pequeno, viveremos em plenitude cada um dos nossos dias, saberemos dar a cada um dos instantes da nossa exist\u00eancia o sentido de uma prepara\u00e7\u00e3o para a eternidade. Pe\u00e7amos a Virgem Maria para que saibamos sempre e a cada dia sermos homens e mulheres que vivam a caridade, o amor e que saibamos dar um pouco de n\u00f3s para aqueles que precisam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na minha Carta Pastoral \u201cCom Miseric\u00f3rdia olhou para ele e o Escolheu\u201d, de 13 de dezembro de 2015, no elenco das celebra\u00e7\u00f5es que se sucederam no ano Jubilar da Miseric\u00f3rdia, propus como obra de miseric\u00f3rdia para o m\u00eas de dezembro passado \u201cSaciar a fome e a sede\u201d.\u00a0 Embora essa orienta\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a a cada m\u00eas, as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-13144","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13144"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13144\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21743,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13144\/revisions\/21743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}