{"id":13034,"date":"2016-01-18T11:48:11","date_gmt":"2016-01-18T13:48:11","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/01\/18\/papa-na-sinagoga-todos-pertencemos-a-uma-unica-familia-a-familia-de-deus\/"},"modified":"2017-05-30T11:22:58","modified_gmt":"2017-05-30T14:22:58","slug":"papa-na-sinagoga-todos-pertencemos-a-uma-unica-familia-a-familia-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/papa-na-sinagoga-todos-pertencemos-a-uma-unica-familia-a-familia-de-deus\/","title":{"rendered":"Papa na Sinagoga: todos pertencemos a uma \u00fanica fam\u00edlia, a fam\u00edlia de Deus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/reuters1211031_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Francisco tornou-se, na tarde deste domingo (17\/01), o terceiro Pont\u00edfice a visitar a Sinagoga de Roma. Durante a visita ao Templo Maior, o Papa recordou a express\u00e3o cunhada por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II que, em 1986, disse que os judeus s\u00e3o os &#8220;irm\u00e3os mais velhos&#8221; dos crist\u00e3os. Francisco incentivou todos os empenhados na constru\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo judaico-crist\u00e3o a seguirem perseverantes e recordou os judeus romanos perseguidos deportados durante a invas\u00e3o nazista. <\/p>\n<p>Assista \u00e0 \u00edntegra do discurso do Papa<\/p>\n<p>Abaixo, publicamos a \u00edntegra do discurso de Francisco<\/p>\n<p>&#8220;Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s,<\/p>\n<p>Sinto-me feliz por estar aqui, entre voc\u00eas, nesta Sinagoga. Agrade\u00e7o pelas palavras cordiais do Dr. Di Segni, a senhora Durighello e o Dr. Gattegna. Agrade\u00e7o a todos voc\u00eas pela calorosa recep\u00e7\u00e3o. Tada rabb\u00e1! Obrigado!<\/p>\n<p>Na minha primeira visita a esta Sinagoga, como Bispo de Roma, desejo expressa-lhes, como tamb\u00e9m a todas as Comunidades judaicas, a sauda\u00e7\u00e3o fraterna de paz desta e de toda a Igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>As nossas rela\u00e7\u00f5es me interessam muito. Em Buenos Aires, eu j\u00e1 estava acostumado a ir \u00e0s sinagogas para encontrar as comunidades l\u00e1 reunidas; seguir de perto as festividades e comemora\u00e7\u00f5es judaicas; dar gra\u00e7as ao Senhor, que nos d\u00e1 a vida e nos acompanha no caminho da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, criou-se uma uni\u00e3o espiritual que favoreceu o nascimento de aut\u00eanticas rela\u00e7\u00f5es de amizade, que inspirou um empenho comum. No di\u00e1logo inter-religioso \u00e9 fundamental encontrar-nos, como irm\u00e3os e irm\u00e3s, diante do nosso Criador e a Ele prestar louvor; respeitar-nos e apreciar-nos mutuamente e colaborar.<\/p>\n<p>No di\u00e1logo judeu-crist\u00e3o h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o \u00fanica e peculiar em virtude das ra\u00edzes judaicas do cristianismo: judeus e crist\u00e3os devem, portanto, sentir-se irm\u00e3os, unidos pelo pr\u00f3prio Deus e por um rico patrim\u00f4nio espiritual comum (cf. Declara\u00e7\u00e3o Nostra aetate, 4) no qual basear-nos e continuar a construir o futuro.<\/p>\n<p>Ao visitar esta Sinagoga, prossigo nas pegadas dos meus Predecessores. O Papa Jo\u00e3o Paulo II esteve aqui h\u00e1 trinta anos, em 13 de abril de 198; Papa Bento XVI esteve entre voc\u00eas h\u00e1 seis anos, agora estou aqui.<\/p>\n<p>Naquela ocasi\u00e3o, Jo\u00e3o Paulo II cunhou a bela express\u00e3o \u201cirm\u00e3os mais velhos\u201d! De fato, voc\u00eas s\u00e3o os nossos irm\u00e3os e as nossas irm\u00e3s mais velhos na f\u00e9. Todos n\u00f3s pertencemos a uma \u00fanica fam\u00edlia, a fam\u00edlia de Deus; juntos, Ele nos acompanha e nos protege como seu Povo; juntos, como judeus e como cat\u00f3licos, somos chamados a assumir as nossas responsabilidades por esta cidade, dando a nossa contribui\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m espiritual, e favorecendo a resolu\u00e7\u00e3o dos diversos problemas atuais.<\/p>\n<p>Espero que aumentem, sempre mais, a proximidade espiritual e o conhecimento e estima rec\u00edprocos entre as nossas duas comunidades de f\u00e9. Por isso, \u00e9 significativa a minha vinda entre voc\u00eas, precisamente hoje, 17 de janeiro, quando a Confer\u00eancia Episcopal italiana celebra o \u201cDia do di\u00e1logo entre Cat\u00f3licos e Judeus\u201d.<\/p>\n<p>Comemoramos, h\u00e1 pouco, o 50\u00b0 anivers\u00e1rio da Declara\u00e7\u00e3o Nostra aetate do Conc\u00edlio Vaticano II, que tornou poss\u00edvel o di\u00e1logo sistem\u00e1tico entre a Igreja cat\u00f3lica e o Juda\u00edsmo.<\/p>\n<p>No passado dia 28 de outubro, na Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro, pude saudar tamb\u00e9m um grande n\u00famero de representantes judaicos, aos quais me expressei assim: \u201cA verdadeira e pr\u00f3pria transforma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre Crist\u00e3os e Judeus, durante estes 50 anos, merece uma gratid\u00e3o especial a Deus. A indiferen\u00e7a e a oposi\u00e7\u00e3o se converteram em colabora\u00e7\u00e3o e em benevol\u00eancia. De inimigos e estranhos, tornamo-nos amigos e irm\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio, com a Declara\u00e7\u00e3o Nostra aetate, tra\u00e7ou o caminho: \u201csim\u201d \u00e0 descoberta das ra\u00edzes judaicas do cristianismo; \u201cn\u00e3o\u201d a toda forma de antissemitismo e condena\u00e7\u00e3o de toda inj\u00faria, discrimina\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o, que disso derivam\u201d.<\/p>\n<p>Nostra aetate definiu, teologicamente, pela primeira vez e de maneira expl\u00edcita, as rela\u00e7\u00f5es da Igreja cat\u00f3lica com o Juda\u00edsmo. Ela, naturalmente, n\u00e3o resolveu todas as quest\u00f5es teol\u00f3gicas que nos dizem respeito, mas fez uma refer\u00eancia, de modo encorajador, fornecendo um est\u00edmulo important\u00edssimo para ulteriores e necess\u00e1rias reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, em 10 de dezembro de 2015, a Comiss\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es religiosas com o Juda\u00edsmo publicou um novo documento que aborda as quest\u00f5es teol\u00f3gicas, emergidas nos \u00faltimos dec\u00eanios, ap\u00f3s a Declara\u00e7\u00e3o Nostra aetate (n. 4).<\/p>\n<p>Com efeito, a dimens\u00e3o teol\u00f3gica do di\u00e1logo judaico-cat\u00f3lico merece ser sempre mais aprofundada. Por isso, encorajo todos aqueles que est\u00e3o comprometidos com este di\u00e1logo a continuar neste caminho, com discernimento e perseveran\u00e7a.<\/p>\n<p>Precisamente de um ponto de vista teol\u00f3gico, aparece claramente a indivis\u00edvel liga\u00e7\u00e3o que une Crist\u00e3os e Judeus. Para compreender-se, os crist\u00e3os n\u00e3o podem n\u00e3o fazer refer\u00eancia \u00e0s ra\u00edzes judaicas; a Igreja, mesmo professando a salva\u00e7\u00e3o, mediante a f\u00e9 em Cristo, reconhece a irrevocabilidade da Antiga Alian\u00e7a e o amor constante e fiel de Deus por Israel.<\/p>\n<p>Por mais importante que sejam as quest\u00f5es teol\u00f3gicas, n\u00e3o devemos perder de vista as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, com as quais o mundo de hoje se defronta. Os conflitos, as guerras, as viol\u00eancias e as injusti\u00e7as causam ferimentos profundos na humanidade e nos impelem a comprometer-nos pela paz e a justi\u00e7a. A viol\u00eancia do homem contra o homem est\u00e1 em absoluta contradi\u00e7\u00e3o com qualquer religi\u00e3o, digna deste nome e, em particular, com as tr\u00eas grandes Religi\u00f5es monote\u00edstas.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 sagrada, como dom de Deus. O quinto mandamento do Dec\u00e1logo, diz: \u201cN\u00e3o matar\u201d (Ex 20,13). Deus, que \u00e9 Deus da vida, quer sempre promov\u00ea-la e salvaguard\u00e1-la. E n\u00f3s, criados \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, devemos fazer o mesmo. Todo ser humano, como criatura de Deus, \u00e9 irm\u00e3o, independentemente da sua origem ou da sua perten\u00e7a religiosa.<\/p>\n<p>Toda pessoa deve ser vista com benevol\u00eancia, como faz Deus, que estende a sua m\u00e3o misericordiosa a todos, independentemente da sua f\u00e9 e da sua proveni\u00eancia; Ele dispensa aten\u00e7\u00e3o particular aos que mais precisam dele: os pobres, os enfermos, os marginalizados, os indefesos.<\/p>\n<p>L\u00e1, aonde a vida corre perigo, somos chamados, ainda mais, a promov\u00ea-la e salvaguard\u00e1-la. Quanto mais nos sentirmos amea\u00e7ados, tanto mais dever\u00edamos confiar em Deus, que \u00e9 a nossa defesa e o nosso ref\u00fagio (cf. Sal 3,4; 32,7), procurando fazer resplandecer em n\u00f3s o seu rosto de paz e de esperan\u00e7a, sem jamais ceder ao \u00f3dio e \u00e0 vingan\u00e7a. A viol\u00eancia e a morte jamais ter\u00e3o a \u00faltima palavra diante de Deus, que \u00e9 Deus do amor e da vida!<\/p>\n<p>Devemos invoc\u00e1-Lo com insist\u00eancia, para que nos ajude a praticar &#8211; na Europa, na Terra Santa, no Oriente M\u00e9dio, na \u00c1frica e em qualquer outra parte do mundo, &#8211; n\u00e3o a l\u00f3gica da guerra, da viol\u00eancia, da morte, mas a da paz, da reconcilia\u00e7\u00e3o, do perd\u00e3o, da vida.<\/p>\n<p>O povo judaico, na sua hist\u00f3ria, teve que padecer viol\u00eancias e persegui\u00e7\u00f5es, at\u00e9 ao exterm\u00ednio dos judeus europeus, durante a Shoah. Seis milh\u00f5es de pessoas, apenas por pertencerem ao povo judaico, foram v\u00edtimas da barb\u00e1rie mais desumana perpetrada em nome de uma ideologia, que queria substituir Deus com o homem. Em 16 de outubro de 1943, mais de 1 mil homens, mulheres e crian\u00e7as da comunidade judaica de Roma, foram deportados para Auschwitz.<\/p>\n<p>Hoje, quero record\u00e1-los de modo particular: seus sofrimentos, suas ang\u00fastias, suas l\u00e1grimas nunca devem ser esquecidas. O passado deve servir de li\u00e7\u00e3o par o presente e o futuro. A Shoah ensina-nos que \u00e9 preciso sempre m\u00e1xima vigil\u00e2ncia, para poder intervir, tempestivamente, em defesa da dignidade humana e da paz. Queria expressar a minha solidariedade a cada testemunha da Shoah que ainda vive; sa\u00fado, de modo particular, aqueles que hoje est\u00e3o presentes aqui.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os mais velhos, devemos realmente ser gratos por tudo o que foi poss\u00edvel realizar nos \u00faltimos cinquenta anos, porque aumentaram e aprofundaram a compreens\u00e3o rec\u00edproca e a m\u00fatua confian\u00e7a e amizade.<\/p>\n<p>Pe\u00e7amos juntos ao Senhor, a fim de que conduza o nosso caminho rumo a um futuro bom e melhor. Deus tem para n\u00f3s projetos de salva\u00e7\u00e3o, como diz o profeta Jeremias: \u201cConhe\u00e7o meus projetos sobre voc\u00eas \u2013 or\u00e1culo do Senhor -: s\u00e3o projetos de felicidade e n\u00e3o de sofrimento, para dar-lhes um futuro e uma esperan\u00e7a\u201d (Jer 29,11).<\/p>\n<p>Que o Senhor nos aben\u00e7oe e nos guarde. Fa\u00e7a resplandecer sobre n\u00f3s a sua face e nos d\u00ea a sua gra\u00e7a. Que o Senhor volva o seu rosto para n\u00f3s e nos d\u00ea a paz (Num 6,24-26).<\/p>\n<p>Shalom alechem!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco tornou-se, na tarde deste domingo (17\/01), o terceiro Pont\u00edfice a visitar a Sinagoga de Roma. Durante a visita ao Templo Maior, o Papa recordou a express\u00e3o cunhada por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II que, em 1986, disse que os judeus s\u00e3o os &#8220;irm\u00e3os mais velhos&#8221; dos crist\u00e3os. Francisco incentivou todos os empenhados na constru\u00e7\u00e3o do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-13034","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13034"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24500,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13034\/revisions\/24500"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}