{"id":12990,"date":"2016-01-14T12:30:42","date_gmt":"2016-01-14T14:30:42","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/01\/14\/ha-5-anos-a-revolucao-na-tunisia-dava-inicio-a-primavera-arabe\/"},"modified":"2017-05-31T15:22:53","modified_gmt":"2017-05-31T18:22:53","slug":"ha-5-anos-a-revolucao-na-tunisia-dava-inicio-a-primavera-arabe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ha-5-anos-a-revolucao-na-tunisia-dava-inicio-a-primavera-arabe\/","title":{"rendered":"H\u00e1 5 anos, a revolu\u00e7\u00e3o na Tun\u00edsia dava in\u00edcio \u00e0 Primavera \u00c1rabe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/isgysegu.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Seria poss\u00edvel que um pa\u00eds sem tradi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e com institui\u00e7\u00f5es debilitadas se transformasse em uma democracia?<\/p>\n<p>Em 14 de janeiro de 2011, uma multid\u00e3o protestava pelas ruas de T\u00fanis contra o regime do presidente Zine El Abidine Ben Ali; naquele dia, ningu\u00e9m podia antecipar que esse movimento seria o epicentro de um terremoto geopol\u00edtico que mudou o mundo \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Naquela data, depois de 23 anos no poder, Zine El Abidine Ben Ali fugiu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita enquanto manifestantes tomavam as ruas gritando \u201cFora Ben Ali\u201d, tornando-se o primeiro l\u00edder de um pa\u00eds \u00e1rabe a deixar o poder devido \u00e0 press\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Um m\u00eas antes, no dia 17 de dezembro de 2010, Mohamed Bouazizi, um vendedor de rua, ateou fogo ao pr\u00f3prio corpo como forma de protesto em Sidi Bouzid, centro de T\u00fanis, dando in\u00edcio a uma revolta duramente reprimida que deixou 338 mortos. Bouazizi morreu em 4 de janeiro de 2010.<\/p>\n<p>Cinco anos depois, o pa\u00eds \u00e9 considerado um sobrevivente da Primavera \u00c1rabe, uma vez que, apesar da viol\u00eancia e do assassinato de opositores, a Tun\u00edsia pode se vangloriar de ter administrado uma transi\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia ap\u00f3s a derrocada de Zine El Abidin Ben Ali.<\/p>\n<p>Posteriormente \u00e0 sua queda, seguiram o mesmo destino os regimes de Hosni Mubarak, no Egito, e de Muammar al-Gaddafi, na L\u00edbia, que estavam no poder h\u00e1 30 e 40 anos, respectivamente. O primeiro abdicou depois de uma revolta que provocaria a morte de 850 pessoas e o segundo foi derrubado ap\u00f3s um levante em Benghazi, com a interven\u00e7\u00e3o da Otan.<\/p>\n<p>Na S\u00edria, o presidente Bashar al-Assad reprimiu duramente os protestos anti-governamentais, gerando uma revolta que se transformaria em uma guerra civil com um total de 260 mil mortos e milh\u00f5es de deslocados.<\/p>\n<p>Este conflito interno, aproveitado pelos extremistas do grupo Estado Isl\u00e2mico (EI) para se infiltrarem na S\u00edria, ilustra com crueldade as desilus\u00f5es da Primavera \u00c1rabe.<\/p>\n<p>\u2018Um momento na hist\u00f3ria\u2019<\/p>\n<p>\u201cEstes foram dias emocionantes. A febre democr\u00e1tica se propagava\u201d, recordou Hafez Ghanem, vice-presidente do Banco Mundial para o Oriente M\u00e9dio, em um livro recente sobre o in\u00edcio das revoltas.<\/p>\n<p>\u201cMas seria poss\u00edvel que um pa\u00eds sem tradi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e com institui\u00e7\u00f5es debilitadas se transformasse em uma democracia eficaz que melhorasse de forma imediata as condi\u00e7\u00f5es de vida de seus cidad\u00e3os? A resposta \u00e9 manifestamente negativa\u201d, constatou.<\/p>\n<p>No Egito, as esperan\u00e7as desapareceram rapidamente quando o pa\u00eds voltou a ser governado com m\u00e3o de ferro pelo ex-general Abdel Fata al-Sisi, que executou imediatamente um golpe de Estado contra o islamita Mohamed Mursi, primeiro presidente eg\u00edpcio eleito democraticamente. O governo de Mursi orquestrou uma repress\u00e3o implac\u00e1vel contra os Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos e outros grupos, deixando mais de 1.400 mortos.<\/p>\n<p>Na L\u00edbia, dois governos disputavam o poder desde 2014 e este vazio foi utilizado pelo EI para se instalar na zona.<\/p>\n<p>No Golfo, os conflitos entre fac\u00e7\u00f5es religiosas persistem, especialmente no I\u00eamen, onde mil\u00edcias xiitas controlam a capital e enfrentam o governo apoiado por uma coaliz\u00e3o \u00e1rabe.<\/p>\n<p>\u201cA Primavera \u00c1rabe foi um momento na Hist\u00f3ria compar\u00e1vel \u00e0 queda do Muro de Berlim, no sentido de que houve uma redistribui\u00e7\u00e3o das cartas geopol\u00edticas\u201d, explica Michael Ayari, analista do Grupo de Crise Internacional (ICG, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>O especialista destacou que as alian\u00e7as continuam sendo formadas e desfeitas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 um padr\u00e3o de desempenho claro, temos a impress\u00e3o de que, atualmente, estamos em uma fase de pouca atividade. Mas este processo pode durar v\u00e1rias d\u00e9cadas\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u2018A exce\u00e7\u00e3o tunisiana\u2019<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses, a Tun\u00edsia conseguiu que prevalecesse o consenso, especialmente devido ao papel do Quarteto para o di\u00e1logo nacional, formado pela Liga Tunisiana de Direitos Humanos (LTDH), o poderoso sindicato Uni\u00e3o Geral do Trabalho (UGTT), a organiza\u00e7\u00e3o de empregadores Utica e a Ordem Nacional de Advogados, coletivo que recebeu o pr\u00eamio Nobel da Paz em 2015.<\/p>\n<p>\u201cA grande crise pol\u00edtica de 2013 foi solucionada e muitos falam da \u2018exce\u00e7\u00e3o tunisiana\u2019. Trata-se de um pequeno pa\u00eds com uma pequena elite, uma cultura de negocia\u00e7\u00e3o muito forte e espa\u00e7os de discuss\u00e3o\u201d, destacou Ayari.<\/p>\n<p>No entanto, o especialista afirmou que tamb\u00e9m h\u00e1 outros fatores em jogo, como as \u201ctens\u00f5es geopol\u00edticas mais fortes\u201d em outros pa\u00edses. Mas o sucesso da revolu\u00e7\u00e3o tunisiana ainda \u00e9 fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>O fracasso da Primavera \u00c1rabe est\u00e1 ligado ao surgimento de organiza\u00e7\u00f5es extremistas como o grupo Estado Isl\u00e2mico que, no ano passado, reivindicou tr\u00eas ataques no pa\u00eds, entre eles o atentado contra o Museu Nacional do Bardo e os disparos contra uma praia tur\u00edstica em Sousse, que afetou um setor essencial \u00e0 economia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ante a esta situa\u00e7\u00e3o, \u201cos tunisianos devem se armar de paci\u00eancia\u201d, afirmou recentemente o Banco Central.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que 2016 ser\u00e1 um novo come\u00e7o para a realiza\u00e7\u00e3o das metas da revolu\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou o presidente B\u00e9ji Ca\u00efd Essebsi em sua mensagem de final de ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seria poss\u00edvel que um pa\u00eds sem tradi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e com institui\u00e7\u00f5es debilitadas se transformasse em uma democracia? 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