{"id":12974,"date":"2016-01-14T10:54:51","date_gmt":"2016-01-14T12:54:51","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/01\/14\/tempos-de-martires\/"},"modified":"2017-05-08T16:40:38","modified_gmt":"2017-05-08T19:40:38","slug":"tempos-de-martires","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/tempos-de-martires\/","title":{"rendered":"Tempos de m\u00e1rtires"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do Cristianismo \u00e9 mesclada com a hist\u00f3ria de incont\u00e1veis m\u00e1rtires que, desde os primeiros s\u00e9culos at\u00e9 os dias de hoje, testemunham, com o derramamento de sangue, a f\u00e9 incondicional no Salvador da humanidade. Antes de tudo, podemos nos perguntar: que \u00e9 um m\u00e1rtir? M\u00e1rtir evoca aquele que morre em meio a supl\u00edcios devido \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o por causa da f\u00e9. Mas \u00e9 necess\u00e1rio recordar que essa palavra grega significa \u201ctestemunha\u201d. O m\u00e1rtir d\u00e1 testemunho de sua f\u00e9 em Jesus, que \u00e9 \u00fanico Senhor, excluindo qualquer outro, at\u00e9 mesmo um imperador. O crist\u00e3o n\u00e3o busca o mart\u00edrio, muito embora isso possa ocorrer. Ele defende sua vida e pode fugir \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o, mas, quando esta chega, d\u00e1 testemunho at\u00e9 o fim, imitando Jesus at\u00e9 em sua paix\u00e3o e em sua morte. Assim, o m\u00e1rtir se identifica com Jesus.<br \/> Nos Atos dos Ap\u00f3stolos temos o relato do mart\u00edrio de Estev\u00e3o e do ap\u00f3stolo Tiago. A partir da\u00ed, o Cristianismo \u00e9 espalhado pelo mundo e chega a Roma, onde sob o imperador Nero (64 D.C) inaugura-se uma verdadeira ca\u00e7a aos crist\u00e3os, a qual s\u00f3 ter\u00e1 fim tr\u00eas s\u00e9culos depois. <br \/> A expans\u00e3o do Cristianismo se defrontou com s\u00e9rios obst\u00e1culos: 1- S\u00e3o Paulo notava que a mensagem da cruz \u00e9 \u201cesc\u00e2ndalo para os judeus e loucura para os gregos\u201d (1 Cor 1,23). O Cristianismo exigia a ren\u00fancia \u00e0 vida devassa e morte ao velho homem para possibilitar a forma\u00e7\u00e3o da nova criatura em cada indiv\u00edduo (cf. Ef 4,22s). 2- O polite\u00edsmo era o culto oficial do Imp\u00e9rio; parecia amea\u00e7ado pelo monote\u00edsmo crist\u00e3o, que parecia at\u00e9 mesmo ate\u00edsmo. Os crist\u00e3os pareciam indefesos aos homens e ao Estado, pois estavam solapando as bases destes. Notemos que os romanos eram tolerantes para com a religi\u00e3o dos povos conquistados; colocavam os deuses destes no Pante\u00e3o de Roma. Os crist\u00e3os de modo nenhum aceitariam pactuar com o polite\u00edsmo. 3- O culto do Imperador divinizado foi-se difundindo desde fins do s\u00e9culo I. Veio a ser pedra de toque da lealdade civil e do patriotismo; quem o recusasse, era acusado de trai\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00e1tria. Assim acontecia com os crist\u00e3os que negavam adorar o Imperador. 4- Toda a vida civil, em fam\u00edlia ou na sociedade, era impregnada do esp\u00edrito e das express\u00f5es do paganismo; assim, as festas do lar comemoravam os deuses dom\u00e9sticos. Os crist\u00e3os eram fi\u00e9is aos seus deveres de cidad\u00e3os, como lhes ensinava o Evangelho: \u201cDai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar\u201d (Mt 22, 21). 5- O modo de vida singular dos crist\u00e3os provocou-lhes, da parte dos pag\u00e3os, cal\u00fanias fantasiosas e duras. Eram acusados a tr\u00eas t\u00edtulos principais: 1- Ate\u00edsmo; 2- Banquetes de orgia, nos quais se comia carne de crian\u00e7a; assim era entendida a Eucaristia, por vezes celebrada \u00e0s ocultas por causa dos perseguidores; 3- Difundiam a todos que o culto crist\u00e3o se dirigiria a um \u201casno\u201d crucificado (tal era o mal-entendido que o Crucifixo suscitava; seria \u201cburrice\u201d). As charges contra Cristo j\u00e1 s\u00e3o antigas&#8230;<br \/> Os s\u00e9culos II e III (at\u00e9 o ano de 313) na Hist\u00f3ria do Cristianismo s\u00e3o marcados pelas persegui\u00e7\u00f5es do Imp\u00e9rio Romano e pelo sangue derramado dos m\u00e1rtires. O alt\u00edssimo valor deste testemunho \u2013 de quem preferia entregar a pr\u00f3pria vida a renegar a f\u00e9 em Cristo \u2013 foi logo percebido e deu lugar a muitos documentos, como por exemplo, acta martyrum e passiones, celebrando o hero\u00edsmo dos crist\u00e3os, e logo depois a um culto de venera\u00e7\u00e3o, que se intensifica nos s\u00e9culos III e IV.<br \/> Posteriormente, o culto dos m\u00e1rtires e a admira\u00e7\u00e3o por eles suscitada geraram tamb\u00e9m certo n\u00famero de contos, lendas e interpreta\u00e7\u00f5es exageradas na devo\u00e7\u00e3o e literatura populares. \u00c9 claro que sempre devemos nos ater aos fatos comprovados, ou razoavelmente certos, e n\u00e3o ao romance, mesmo piedoso ou edificante. O Cristianismo n\u00e3o precisa sen\u00e3o dos fatos para a sua hist\u00f3ria e a sua grandeza. Uma vis\u00e3o realista e honesta dos acontecimentos ser\u00e1 tamb\u00e9m a mais eficaz li\u00e7\u00e3o para as lutas dos crist\u00e3os de hoje, e poder\u00e1 suscitar permanentemente zelo e dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 causa da justi\u00e7a e da liberdade crist\u00e3.<br \/> N\u00e3o existiram m\u00e1rtires s\u00f3 nos primeiros s\u00e9culos, mas em todas as \u00e9pocas e lugares temos muitos testemunhos de m\u00e1rtires. A hist\u00f3ria da Igreja em todos os cantos do planeta \u00e9 permeada pelo testemunho dos m\u00e1rtires, sementes de novos crist\u00e3os. Por\u00e9m, quando falamos de persegui\u00e7\u00e3o ao Cristianismo, nada pode se comparar ao s\u00e9culo XX e a este in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. S\u00f3 os m\u00e1rtires provenientes das grandes revolu\u00e7\u00f5es e regimes ditatoriais superam os de toda a hist\u00f3ria. A Revolu\u00e7\u00e3o Russa (1917), por exemplo, levou \u00e0 morte cerca de 17 mil sacerdotes e 34 mil religiosos. O Comunismo se espalhou pelo mundo e declarou a religi\u00e3o como subversiva e inimiga do Estado. Igrejas, conventos e semin\u00e1rios s\u00e3o fechados e destru\u00eddos. S\u00e3o incont\u00e1veis os n\u00fameros de m\u00e1rtires por diversos motivos em pa\u00edses como Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Litu\u00e2nia, Rom\u00eania, China, Vietn\u00e3, Camboja e Cuba. Mesmo em pa\u00edses tidos como crist\u00e3os, como Espanha e M\u00e9xico, entre tantos outros, encontramos a persegui\u00e7\u00e3o e o mart\u00edrio.<br \/> A persegui\u00e7\u00e3o em nossos tempos n\u00e3o \u00e9 somente a f\u00edsica, ou seja, o mart\u00edrio de sangue. Existe outra forma de persegui\u00e7\u00e3o que se espalha pelo mundo e por pa\u00edses que, antes, eram profundamente crist\u00e3os. Segundo o Papa Em\u00e9rito Bento XVI: \u201choje existe o mart\u00edrio da ridiculariza\u00e7\u00e3o, ou seja, se voc\u00ea se denomina crist\u00e3o no trabalho, na universidade ou coloca um crucifixo no peito, eles o ridicularizam. V\u00e3o cham\u00e1-lo de alienado, de fundamentalista, medieval. N\u00e3o \u00e9 uma persegui\u00e7\u00e3o que vem com as armas, mas com a cultura\u201d. Este \u00e9 um dos tipos que no Ocidente, tido como crist\u00e3o, mais tem vilipendiado a religi\u00e3o e ofendido os cat\u00f3licos que veem sua f\u00e9 sendo ridicularizada em tantas situa\u00e7\u00f5es.<br \/> Portanto, m\u00e1rtir \u00e9 todo aquele que morre em nome da f\u00e9. A estes queremos pedir a gra\u00e7a, e que nos ensinem a ter uma f\u00e9 madura e alicer\u00e7ada na rocha que \u00e9 Jesus Cristo. <br \/> Nestes dias em que a nossa Arquidiocese celebra o seu Padroeiro, m\u00e1rtir S\u00e3o Sebasti\u00e3o, fa\u00e7o novamente a invoca\u00e7\u00e3o da Igreja primitiva: \u201cque o sangue dos m\u00e1rtires seja semente de novos crist\u00e3os\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do Cristianismo \u00e9 mesclada com a hist\u00f3ria de incont\u00e1veis m\u00e1rtires que, desde os primeiros s\u00e9culos at\u00e9 os dias de hoje, testemunham, com o derramamento de sangue, a f\u00e9 incondicional no Salvador da humanidade. Antes de tudo, podemos nos perguntar: que \u00e9 um m\u00e1rtir? 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