{"id":12906,"date":"2016-01-11T11:44:24","date_gmt":"2016-01-11T13:44:24","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/01\/11\/o-assassino-esta-solto\/"},"modified":"2017-05-08T16:44:41","modified_gmt":"2017-05-08T19:44:41","slug":"o-assassino-esta-solto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-assassino-esta-solto\/","title":{"rendered":"O assassino est\u00e1 solto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um Deus sinistro, com sua t\u00fanica manchada de sangue, saindo de fininho do cen\u00e1rio do crime, com sua sofisticada metralhadora \u00e0s costas, foi a maneira que o pol\u00eamico seman\u00e1rio franc\u00eas \u201cCharlie Hebdo\u201d encontrou para ilustrar sua edi\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s um ano do sanguinolento ataque terrorista. Na legenda, um alerta: O assassino est\u00e1 solto! Seus 12 mortos n\u00e3o merecem t\u00e3o infame homenagem: atribuir a Deus o sacrif\u00edcio de seus mart\u00edrios! As imagens e o conte\u00fado sat\u00edrico daquela publica\u00e7\u00e3o, mais uma vez, pecou pela falta de \u00e9tica, respeito ou no m\u00ednimo senso do rid\u00edculo, comum \u00e0s publica\u00e7\u00f5es do g\u00eanero. A descren\u00e7a ou ironia s\u00e3o atitudes pr\u00f3prias de qualquer sociedade, ou institui\u00e7\u00e3o ou coletividade humana que se ache superior \u00e0s demais. Mas isso n\u00e3o lhes d\u00e1 o direito de debochar daqueles que pensam diferentemente deles.<br \/> Respeitar a f\u00e9 alheia \u00e9 princ\u00edpio m\u00ednimo de civilidade. Acuado ou ridicularizado, o instinto de autodefesa humana reage sempre. Assim nascem os conflitos, a viol\u00eancia, o terrorismo, a guerra&#8230; N\u00e3o somos unanimidade no mundo, mas o conceito da f\u00e9 que nos identifica \u2013 seja ela crist\u00e3, judaica, budista ou mu\u00e7ulmana \u2013 tem por princ\u00edpio um ponto em comum: o temor a Deus. Nem por isso o Deus que nos une h\u00e1 de nos conflagrar pelas diferen\u00e7as de ritos e dogmas. A ess\u00eancia est\u00e1 na ideia que temos em comum: Deus \u00e9 Amor! Seja Ele Jesus, Buda, Al\u00e1 ou Jav\u00e9. Nosso temor n\u00e3o poder\u00e1 nunca ser confundido com a inseguran\u00e7a daqueles que se sentem acuados. Nosso temor \u00e9 o mesmo do filho que se esfor\u00e7a para dar alegrias e orgulho ao Pai. Nosso temor \u00e9 o mesmo do aluno \u00e1vido de conhecimentos, que respeita, admira e pratica certa devo\u00e7\u00e3o pelos mestres, fonte de sabedoria. Nosso temor \u00e9 respeito, admira\u00e7\u00e3o. Nunca conformismo com as fatalidades.<br \/>N\u00e3o encaixa na vida de um m\u00edstico a submiss\u00e3o passiva diante das desgra\u00e7as que rondam suas vidas. Atribuir a Deus nossos cataclismos exist\u00eancias, colocando em suas m\u00e3os as metralhadoras de nossas contradi\u00e7\u00f5es, \u00e9 negar sua exist\u00eancia. \u00c9 libertar o assassino! Esse, sim, nos surpreende com sua ast\u00facia e pervers\u00e3o. O Inimigo \u00fanico das boas aspira\u00e7\u00f5es humanas, mais do que nunca, deita e rola em nosso meio. Est\u00e1 livre, leve, solto&#8230; Traveste-se de bom menino, com suas defesas do politicamente correto, do respeito \u00e0s diferen\u00e7as, do liberalismo sem peias morais, da redefini\u00e7\u00e3o de conceitos familiares, da descriminaliza\u00e7\u00e3o disso ou daquilo, mas n\u00e3o consegue esconder suas mais rec\u00f4nditas aspira\u00e7\u00f5es: sua \u00e2nsia pelo poder, seus sonhos de domina\u00e7\u00e3o humana. Este assassino est\u00e1 realmente solto. Foi anjo, mas decaiu. Seu nome era belo, reluzente, glorioso. Um anjo de luz, L\u00facifer!<br \/>Quando um mal ferir seu orgulho pr\u00f3prio, apunhalar seu cora\u00e7\u00e3o com a morte de algu\u00e9m que ama, dilacerar-lhe a carne com uma doen\u00e7a fatal, subtrair direitos que julgavam seus, &#8211; ou qualquer outra desgra\u00e7a \u2013 nunca diga: Deus permitiu! Ao contr\u00e1rio, a permiss\u00e3o foi nossa, de uma forma ou de outra. Lembre-se: quando o fanatismo religioso faz v\u00edtimas \u00e9 porque nossa incoer\u00eancia de a\u00e7\u00f5es os fez fan\u00e1ticos. Nenhum extremismo possui meio termo. Ou voc\u00ea acredita, ou n\u00e3o. Ou \u00e9 ou n\u00e3o se \u00e9. Se o seu Deus \u00e9 amor, como atribuir-lhe \u00f3dio, intransig\u00eancia, dor e morte? Como se v\u00ea, o assassino est\u00e1 realmente solto, mas seu nome \u00e9 outro e seu sobrenome tem um pouquinho do nosso. . Quando extra\u00edmos do seio do povo a esperan\u00e7a de um mundo novo, com as amarras da descren\u00e7a, do rancor, do \u00f3dio deliberado, estamos assassinando Deus. Isso, sim, \u00e9 terrorismo. A metralhadora est\u00e1 em nossas m\u00e3os, os criminosos somos n\u00f3s, que nos julgamos \u201cluzes\u201d, mas ignoramos as trevas em que nossa falta de f\u00e9 tem nos colocado dia a dia, passo a passo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um Deus sinistro, com sua t\u00fanica manchada de sangue, saindo de fininho do cen\u00e1rio do crime, com sua sofisticada metralhadora \u00e0s costas, foi a maneira que o pol\u00eamico seman\u00e1rio franc\u00eas \u201cCharlie Hebdo\u201d encontrou para ilustrar sua edi\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s um ano do sanguinolento ataque terrorista. Na legenda, um alerta: O assassino est\u00e1 solto! 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