{"id":12874,"date":"2016-01-07T13:36:44","date_gmt":"2016-01-07T15:36:44","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/01\/07\/os-politicos-nao-tem-ideia-do-que-esta-acontecendo-com-os-imigrantes\/"},"modified":"2017-05-31T13:34:00","modified_gmt":"2017-05-31T16:34:00","slug":"os-politicos-nao-tem-ideia-do-que-esta-acontecendo-com-os-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/os-politicos-nao-tem-ideia-do-que-esta-acontecendo-com-os-imigrantes\/","title":{"rendered":"\u201cOs pol\u00edticos n\u00e3o t\u00eam ideia do que est\u00e1 acontecendo com os imigrantes\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/03qwyt.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Dom Agrelo recebe a Aleteia em sua diocese em Marrocos: um alerta sobre o drama real dos migrantes africanos<\/p>\n<p>Ele tem um sorriso largo: franciscano puro. O arcebispo de T\u00e2nger (Marrocos), o galego Dom Santigo Agrelo, \u00e9 uma das vozes mais claras sobre os imigrantes e regufiados que querem entrar na Europa. Da sua diocese se pode avistar a Europa. Apenas 13 quil\u00f4metros separam a \u00c1frica do velho continente.<\/p>\n<p>\u2013Aleteia: o que move sua atua\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2013 Dom Agrelo: n\u00e3o sou capaz de ver uma pessoa sofrendo e ficar como se n\u00e3o tivesse visto. N\u00e3o sou capaz.<\/p>\n<p>\u2013 Todos o apreciam em sua diocese, mesmo os cat\u00f3licos sendo minoria.<\/p>\n<p>\u2013 Sa\u00fado todos que encontro pelas ruas. N\u00e3o sei o idioma deles, mas os sa\u00fado levando a m\u00e3o ao cora\u00e7\u00e3o ou dizendo svalher pela manh\u00e3, ou salamaleikum.<\/p>\n<p>\u2013 Sempre foi assim?<\/p>\n<p>\u2013 Em minha vida, sempre estive perto dos setores vulner\u00e1veis da sociedade. Quando voc\u00ea se encontra com o imigrante em sua casa, em sua porta, isso n\u00e3o muda o seu o modo de ver os pobres, o que muda \u00e9 o modo de ver os imigrantes: seus problemas, suas dores\u2026<\/p>\n<p>E quem os mandou ir para a Europa se l\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 lugar? Essa era a pergunta que eu me fazia e implicitamente respondia, imaginando que n\u00e3o houvesse tantos motivos para eles migrarem. Mas quando cheguei aqui percebi que h\u00e1 motivos de sobra.<\/p>\n<p>Assim o Marrocos mudou minha rela\u00e7\u00e3o com os imigrantes. Aqui em T\u00e2nger minhas urg\u00eancias como bispo est\u00e3o relacionadas aos emigrantes.<\/p>\n<p>\u2013 O senhor se define como \u201cconservador\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 Eu continuei sendo sempre um conservador, no sentido de que sou uma pessoa que na missa n\u00e3o mudo nada por minha pr\u00f3pria conta, n\u00e3o acrescento palavras, n\u00e3o tiro\u2026 \u00e9 simplesmente um fato. Mas se vou a uma comunidade em que \u00e9 preciso se adaptar, eu me adapto.<\/p>\n<p>J\u00e1 celebrei a missa sentado no ch\u00e3o, coisa que me deixa incomodado, mas fa\u00e7o com satisfa\u00e7\u00e3o pelas pessoas que se sentem muito c\u00f4modas assim.<\/p>\n<p>\u2013 O senhor v\u00ea alguma solu\u00e7\u00e3o para o drama da imigra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2013 Se os governantes estivessem por meia-hora no bosque de Beiones, na fronteira com Ceuta, ou no bosque Gurug\u00fa, na fronteira de Melilla, se se aproximassem dos migrantes, os escut\u00e1ssem\u2026<\/p>\n<p>Tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que os governantes n\u00e3o se d\u00e3o conta do drama que esta gente vive, que n\u00e3o s\u00e3o capazes de se imaginar abandonados em um bosque, porque a pol\u00edcia n\u00e3o os deixa sair, nem as leis, nem as fronteiras. Abandonados, sem esperan\u00e7a, sem futuro. Obrigados a arriscar a vida caso queiram dar um passo adiante. Este povo\u2026 n\u00e3o entendo como ainda n\u00e3o estourou uma viol\u00eancia terr\u00edvel, n\u00e3o compreendo.<\/p>\n<p>\u2013O que deve mudar?<\/p>\n<p>A \u00fanica maneira desta situa\u00e7\u00e3o mudar \u00e9 que mude o sentido da sociedade em rela\u00e7\u00e3o aos imigrantes. Eu diria \u00e0 sociedade: olhem para estas pessoas, se voc\u00eas os virem e conviverem um pouquinho com eles, os considerar\u00e3o seus filhos, e n\u00e3o v\u00e3o tolerar que sejam tratados como est\u00e3o sendo.<\/p>\n<p>\u2013Queremos falar bem da \u00c1frica. Como fazemos isso?<\/p>\n<p>A \u00c1frica \u00e9 pobre porque \u00e9 rica, e n\u00e3o seria t\u00e3o pobre se n\u00e3o fosse t\u00e3o rica. A \u00c1frica tem sido explorada sistematicamente, ent\u00e3o eu suspeito que meu bem-estar \u00e9 um bem-estar que eu desfruto porque outros ficaram sem nada.<\/p>\n<p>\u2013O senhor convida a rezar. Mas rezar muda a situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2013 Quando pronuncio a palavra ora\u00e7\u00e3o refiro-me a escutar. N\u00e3o as coisas que eu tenho de dizer a Deus para Ele fa\u00e7a n\u00e3o sei o qu\u00ea, mas as coisas que eu tenho de escutar para fazer algo.<\/p>\n<p>\u2013 O Papa est\u00e1 alinhado com o senhor: pobreza, ora\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>\u2013 O Papa me parece neste sentido um homem de ora\u00e7\u00e3o, um homem que escuta Deus e curiosamente nenhum de n\u00f3s pode escutar Deus sem escutar os pobres. E me d\u00e1 a impress\u00e3o de que este Papa vem escutando os pobres a vida inteira. E isso d\u00e1 a ele uma caridade enorme nas palavras que utiliza porque essa clareza vem do contato com os pobres.<\/p>\n<p>Se os pobres n\u00e3o nos ajudam a ler o Evangelho, a interpretar o Evangelho, a nos relacionarmos com Deus, tanto o Evangelho como a rela\u00e7\u00e3o com Deus fica irremediavelmente falseada. E nos enganaremos. O rosto de Deus nos aproxima dos pobres.<\/p>\n<p>\u2013 O senhor v\u00ea a Igreja trabalhando no tema da imigra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2013 Em alguns setores da Igreja h\u00e1 uma mentalidade em rela\u00e7\u00e3o aos migrantes que nasce de interesses pol\u00edticos e de ideologias. Para a Igreja, tanto os pobres que h\u00e1 nas sociedades europeias como os que batem \u00e0s portas das fronteiras s\u00e3o um chamado de Deus a viver o Evangelho.<\/p>\n<p>\u2013Que papel as mulheres cat\u00f3licas t\u00eam em Marrocos?<\/p>\n<p>\u2013 De tudo o que eu vi de atividade dentro da Igreja, n\u00e3o s\u00f3 em Marrocos mas em todas as partes, quando se v\u00ea algo que incide na vida das pessoas, algo profundo, o que voc\u00ea encontra ali s\u00e3o mulheres, e n\u00e3o homens.<\/p>\n<p>\u2013 O senhor est\u00e1 em contato com o sofrimento e a morte. Isso lhe faz pensar?<\/p>\n<p>\u2013 No que se refere \u00e0 forma da morte, seja o que Deus quiser, e suponho que ser\u00e1 um momento de especial purifica\u00e7\u00e3o, de aceita\u00e7\u00e3o da \u00faltima pobreza, de entrega do \u00faltimo que nos resta. Espero ser consciente desta entrega, e que o Senhor me conduza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Agrelo recebe a Aleteia em sua diocese em Marrocos: um alerta sobre o drama real dos migrantes africanos Ele tem um sorriso largo: franciscano puro. O arcebispo de T\u00e2nger (Marrocos), o galego Dom Santigo Agrelo, \u00e9 uma das vozes mais claras sobre os imigrantes e regufiados que querem entrar na Europa. 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