{"id":12872,"date":"2016-01-07T13:27:09","date_gmt":"2016-01-07T15:27:09","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/01\/07\/o-lado-falso-da-historia-de-vitor-o-menino-de-2-anos-assassinado-em-pleno-colo-da-mae-que-o-amamentava\/"},"modified":"2017-05-31T15:57:36","modified_gmt":"2017-05-31T18:57:36","slug":"o-lado-falso-da-historia-de-vitor-o-menino-de-2-anos-assassinado-em-pleno-colo-da-mae-que-o-amamentava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-lado-falso-da-historia-de-vitor-o-menino-de-2-anos-assassinado-em-pleno-colo-da-mae-que-o-amamentava\/","title":{"rendered":"O lado falso da hist\u00f3ria de Vitor \u2013 o menino de 2 anos assassinado em pleno colo da m\u00e3e que o amamentava"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/sandalias-vitor-pinto.png\" border=\"0\" align=\"left\" \/>J\u00e1 faz uma semana. Mas \u00e9 como se nunca tivesse acontecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Par\u00e1grafo 1. J\u00e1 faz uma semana que o horror aconteceu. Traumatizante, inacredit\u00e1vel, devastador. J\u00e1 faz uma semana e \u00e9 t\u00e3o absurdo e chocante que \u00e9 como se nem tivesse acontecido \u2013 parece uma lenda bizarra, de extremo mau gosto, uma hist\u00f3ria de terror doentia, inserida em lugares e \u00e9pocas escuras e b\u00e1rbaras. J\u00e1 faz uma semana que um menino de 2 anos, indefeso e fr\u00e1gil, foi assassinado a sangue frio, em pleno colo da m\u00e3e, num espa\u00e7o p\u00fablico, \u00e0 luz do dia.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo 2. O horror indiz\u00edvel que aconteceu j\u00e1 faz uma semana n\u00e3o foi na S\u00edria torturada pelo Estado Isl\u00e2mico. N\u00e3o foi na Nig\u00e9ria martirizada pelo Boko Haram, nem no Afeganist\u00e3o a\u00e7oitado pelos Talibans, nem na Som\u00e1lia destripada pelo Al-Shabaab.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo 3. O crime estarrecedor aconteceu no Ocidente democr\u00e1tico do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo 4. O pequeno Vitor, com sua fome de menino de 2 anos, estava sendo amamentado nos bra\u00e7os da m\u00e3e, S\u00f4nia, quando um passante fez um carinho em seu rosto infantil. Mas eis que, de repente, o afago comovente daquele estranho de mochila e bon\u00e9 se transformou por absurdo em um terror abomin\u00e1vel, em forma de l\u00e2mina que penetrou afiada e assassina no pesco\u00e7o da crian\u00e7a, rasgando de modo covarde, brutal, inimagin\u00e1vel, a vida de um menino de 2 anos, a sangue frio, em pleno colo da m\u00e3e, num espa\u00e7o p\u00fablico, \u00e0 luz do dia.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo 5. Nem \u00e9 preciso dizer, \u00e9 claro, que este esc\u00e2ndalo hist\u00f3rico sacudiu imediatamente todos os cantos do Brasil, come\u00e7ando pela indignada popula\u00e7\u00e3o da cidade-palco da cena t\u00e9trica, a catarinense Imbituba, que se levantou e saiu \u00e0s ruas em choque, mas vestida de verde e amarelo, empunhando faixas e brados que exigiam com veem\u00eancia a paz, a vida, a defesa dos direitos das crian\u00e7as e das m\u00e3es! N\u00e3o houve dia, desde ent\u00e3o, sem que todos os jornais e telejornais do pa\u00eds inteiro dedicassem ampla cobertura ao fato absurdo, imposs\u00edvel de se acreditar, e sem que todas as cidades do Brasil se unissem num abra\u00e7o \u00fanico, em protesto retumbante diante da viol\u00eancia inconceb\u00edvel e inaceit\u00e1vel, em solidariedade para com S\u00f4nia, em mem\u00f3ria do pequeno Vitor, em reflex\u00e3o profunda sobre o que teria levado uma na\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica a se tornar cen\u00e1rio, em pleno s\u00e9culo XXI, de um ato de tamanha selvageria.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo 6. Todos os brasileiros, sem nenhuma exce\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fosse a do pr\u00f3prio monstro homicida, se manifestaram num misto de choque, incredulidade, trauma, indigna\u00e7\u00e3o, vontade irrefre\u00e1vel de fazer o que quer que fosse preciso para que tamanha bestialidade jamais pudesse voltar a repetir-se nem sequer remotamente. Da presid\u00eancia da Rep\u00fablica ao governo de Santa Catarina, da prefeitura de Imbituba a todas as se\u00e7\u00f5es da Ordem dos Advogados do Brasil, do senado federal \u00e0 \u00faltima c\u00e2mara de vereadores do mais long\u00ednquo rinc\u00e3o da p\u00e1tria, ningu\u00e9m se furtou a chorar em p\u00fablico pelo destino brutal imposto a Vitor em pleno colo da m\u00e3e. Missas e ros\u00e1rios foram rezados por todas as dioceses, por todas as par\u00f3quias, em inten\u00e7\u00e3o fervorosa da alma de Vitor, em s\u00faplica ardente pela serenidade da m\u00e3e e do pai, em heroico pedido de convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o do assassino. Flores, coroas e velas acesas foram acumuladas nas cal\u00e7adas da rodovi\u00e1ria de Imbituba, elevadas espontaneamente a santu\u00e1rio e memorial de uma vida extirpada pelo mais estarrecedor dos atos terroristas que poderiam esfaquear um pa\u00eds civilizado em qualquer tempo de sua hist\u00f3ria. A foto das sand\u00e1lias infantis do pequeno Vitor, esquecidas na cal\u00e7ada da rodovi\u00e1ria de Imbituba na tarde horrenda do seu assassinato, entraram para o \u00e1lbum imortal das mais dolorosas imagens hist\u00f3ricas do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo 7. Era 30 de dezembro de 2015. Era meio-dia. O Brasil parou assim que a vida de Vitor foi parada. As celebra\u00e7\u00f5es de fim de ano ficaram todas em segundo plano. O horror da hist\u00f3ria de Vitor, interrompida abruptamente, foi t\u00e3o descomunal que era quase imposs\u00edvel acreditar que tal hist\u00f3ria fosse verdadeira.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo 8. Acontece que, de fato, essa hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 verdadeira.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo 9. N\u00e3o toda ela. S\u00f3 uma pequena parte \u00e9 verdadeira \u2013 o resto \u00e9 todo falso. E as partes falsa e verdadeira n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas duas em que essa hist\u00f3ria se divide. Ela se divide tamb\u00e9m numa parte \u00f3bvia e numa parte absurda. A parte \u00f3bvia \u00e9 a parte verdadeira, enquanto a parte absurda \u00e9 a parte falsa, seria de supor-se \u2013 mas esta suposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 errada. A parte absurda \u00e9 que \u00e9 a verdadeira. A parte \u00f3bvia \u00e9 que \u00e9 a falsa.<\/p>\n<p>Par\u00e1grafo 10. A parte dessa hist\u00f3ria que vai do Par\u00e1grafo 1 at\u00e9 o Par\u00e1grafo 4 \u00e9 absurda \u2013 mas verdadeira. A parte da hist\u00f3ria que vai do Par\u00e1grafo 5 ao Par\u00e1grafo 7 deveria ser a mais \u00f3bvia das continua\u00e7\u00f5es dessa absurda hist\u00f3ria verdadeira \u2013 mas \u00e9 falsa. Escandalosamente falsa.<\/p>\n<p>Imoral da hist\u00f3ria. Quase ningu\u00e9m chorou por Vitor. Quase ningu\u00e9m se chocou mais que momentaneamente com a morte absurda de Vitor. Quase ningu\u00e9m foi a p\u00fablico, declarando-se violentado como brasileiro por causa do assassinato estrondoso de Vitor, para exigir um basta.<\/p>\n<p>Vitor Pinto, afinal, era um menino indefeso de 2 anos \u2013 mas era \u00edndio.<\/p>\n<p>Vitor Pinto estava sendo amamentado pela m\u00e3e quando foi selvagemente degolado em seu colo \u2013 mas era um \u00edndio.<\/p>\n<p>Vitor Pinto foi assassinado \u00e0 luz do meio-dia em plena esta\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria \u2013 mas era s\u00f3 um \u00edndio.<\/p>\n<p>Vitor Pinto tinha chegado de uma viagem longa para acompanhar a m\u00e3e que vinha tentar vender seu artesanato no litoral \u2013 mas n\u00e3o era nada mais do que um \u00edndio.<\/p>\n<p>Um desses \u00edndios que estamos acostumados a reduzir indistintamente a sujos, fedidos, vagabundos, imprest\u00e1veis, arrematando com a etiqueta do \u201cs\u00e3o todos iguais\u201d. Um desses \u00edndios que tentam vender seu artesanato nas rodovi\u00e1rias do Brasil, mas que estamos acostumados a escorra\u00e7ar porque atrapalham o p\u00fablico e prejudicam a paisagem. Um desses \u00edndios que, com s\u00e9culos de atraso, as teorias jur\u00eddicas do Ocidente admitiram que at\u00e9 s\u00e3o gente, mas que hoje preferimos confundir com meras personifica\u00e7\u00f5es ambulantes de ideologias question\u00e1veis (como se eles pr\u00f3prios fossem os arquitetos dessas ideologias). Um desses \u00edndios que t\u00eam o desplante de nos esfregar na cara que ainda vivemos numa col\u00f4nia remota do s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 faz uma semana. Mas \u00e9 como se nunca tivesse acontecido. Par\u00e1grafo 1. J\u00e1 faz uma semana que o horror aconteceu. Traumatizante, inacredit\u00e1vel, devastador. 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