{"id":12865,"date":"2016-01-07T12:12:44","date_gmt":"2016-01-07T14:12:44","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/01\/07\/porta-aberta-laudato-si-151-a-161\/"},"modified":"2017-06-02T13:57:53","modified_gmt":"2017-06-02T16:57:53","slug":"porta-aberta-laudato-si-151-a-161","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/porta-aberta-laudato-si-151-a-161\/","title":{"rendered":"Porta aberta: Laudato si &#8211; 151 a 161"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/geral\/rv7575_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Cidade do Vatciano (RV) &#8211; O princ\u00edpio do bem comum<\/p>\n<p>142. Se tudo est\u00e1 relacionado, tamb\u00e9m o estado de sa\u00fade das institui\u00e7\u00f5es duma sociedade tem consequ\u00eancias no ambiente e na qualidade de vida humana: \u00abtoda a les\u00e3o da solidariedade e da amizade c\u00edvica provoca danos ambientais\u00bb.[116] Neste sentido, a ecologia social \u00e9 necessariamente institucional e progressivamente alcan\u00e7a as diferentes dimens\u00f5es, que v\u00e3o desde o grupo social prim\u00e1rio, a fam\u00edlia, at\u00e9 \u00e0 vida internacional, passando pela comunidade local e a na\u00e7\u00e3o. Dentro de cada um dos n\u00edveis sociais e entre eles, desenvolvem-se as institui\u00e7\u00f5es que regulam as rela\u00e7\u00f5es humanas. Tudo o que as danifica comporta efeitos nocivos, como a perda da liberdade, a injusti\u00e7a e a viol\u00eancia. V\u00e1rios pa\u00edses s\u00e3o governados por um sistema institucional prec\u00e1rio, \u00e0 custa do sofrimento do povo e para benef\u00edcio daqueles que lucram com este estado de coisas. Tanto dentro da administra\u00e7\u00e3o do Estado, como nas diferentes express\u00f5es da sociedade civil, ou nas rela\u00e7\u00f5es dos habitantes entre si, registam-se, com demasiada frequ\u00eancia, comportamentos ilegais. As leis podem estar redigidas de forma correcta, mas muitas vezes permanecem letra morta. Poder-se-\u00e1, assim, esperar que a legisla\u00e7\u00e3o e as normativas relativas ao meio ambiente sejam realmente eficazes? Sabemos, por exemplo, que pa\u00edses dotados duma legisla\u00e7\u00e3o clara sobre a protec\u00e7\u00e3o das florestas continuam a ser testemunhas mudas da sua frequente viola\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o que acontece numa regi\u00e3o influi, directa ou indirectamente, nas outras regi\u00f5es. Assim, por exemplo, o consumo de drogas nas sociedades opulentas provoca uma constante ou crescente procura de produtos que prov\u00eam de regi\u00f5es empobrecidas, onde se corrompem comportamentos, se destroem vidas e se acaba por degradar o meio ambiente.<\/p>\n<p>2. Ecologia cultural<\/p>\n<p>143. A par do patrim\u00f3nio natural, encontra-se igualmente amea\u00e7ado um patrim\u00f3nio hist\u00f3rico, art\u00edstico e cultural. Faz parte da identidade comum de um lugar, servindo de base para construir uma cidade habit\u00e1vel. N\u00e3o se trata de destruir e criar novas cidades hipoteticamente mais ecol\u00f3gicas, onde nem sempre resulta desej\u00e1vel viver. \u00c9 preciso integrar a hist\u00f3ria, a cultura e a arquitectura dum lugar, salvaguardando a sua identidade original. Por isso, a ecologia envolve tamb\u00e9m o cuidado das riquezas culturais da humanidade, no seu sentido mais amplo. Mais directamente, pede que se preste aten\u00e7\u00e3o \u00e0s culturas locais, quando se analisam quest\u00f5es relacionadas com o meio ambiente, fazendo dialogar a linguagem t\u00e9cnico-cient\u00edfica com a linguagem popular. \u00c9 a cultura \u2013 entendida n\u00e3o s\u00f3 como os monumentos do passado, mas especialmente no seu sentido vivo, din\u00e2mico e participativo \u2013 que n\u00e3o se pode excluir na hora de repensar a rela\u00e7\u00e3o do ser humano com o meio ambiente.<\/p>\n<p>144. A vis\u00e3o consumista do ser humano, incentivada pelos mecanismos da economia globalizada actual, tende a homogeneizar as culturas e a debilitar a imensa variedade cultural, que \u00e9 um tesouro da humanidade. Por isso, pretender resolver todas as dificuldades atrav\u00e9s de normativas uniformes ou por interven\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, leva a negligenciar a complexidade das problem\u00e1ticas locais, que requerem a participa\u00e7\u00e3o activa dos habitantes. Os novos processos em gesta\u00e7\u00e3o nem sempre se podem integrar dentro de modelos estabelecidos do exterior, mas h\u00e3o-de ser provenientes da pr\u00f3pria cultura local. Assim como a vida e o mundo s\u00e3o din\u00e2micos, assim tamb\u00e9m o cuidado do mundo deve ser flex\u00edvel e din\u00e2mico. As solu\u00e7\u00f5es meramente t\u00e9cnicas correm o risco de tomar em considera\u00e7\u00e3o sintomas que n\u00e3o correspondem \u00e0s problem\u00e1ticas mais profundas. \u00c9 preciso assumir a perspectiva dos direitos dos povos e das culturas, dando assim provas de compreender que o desenvolvimento dum grupo social sup\u00f5e um processo hist\u00f3rico no \u00e2mbito dum contexto cultural e requer constantemente o protagonismo dos actores sociais locais a partir da sua pr\u00f3pria cultura. Nem mesmo a no\u00e7\u00e3o da qualidade de vida se pode impor, mas deve ser entendida dentro do mundo de s\u00edmbolos e h\u00e1bitos pr\u00f3prios de cada grupo humano.<\/p>\n<p>145. Muitas formas de intensa explora\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente podem esgotar n\u00e3o s\u00f3 os meios locais de subsist\u00eancia, mas tamb\u00e9m os recursos sociais que consentiram um modo de viver que sustentou, durante longo tempo, uma identidade cultural e um sentido da exist\u00eancia e da conviv\u00eancia social. O desaparecimento duma cultura pode ser tanto ou mais grave do que o desaparecimento duma esp\u00e9cie animal ou vegetal. A imposi\u00e7\u00e3o dum estilo hegem\u00f3nico de vida ligado a um modo de produ\u00e7\u00e3o pode ser t\u00e3o nocivo como a altera\u00e7\u00e3o dos ecossistemas.<\/p>\n<p>146. Neste sentido, \u00e9 indispens\u00e1vel prestar uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s comunidades abor\u00edgenes com as suas tradi\u00e7\u00f5es culturais. N\u00e3o s\u00e3o apenas uma minoria entre outras, mas devem tornar-se os principais interlocutores, especialmente quando se avan\u00e7a com grandes projectos que afectam os seus espa\u00e7os. Com efeito, para eles, a terra n\u00e3o \u00e9 um bem econ\u00f3mico, mas dom gratuito de Deus e dos antepassados que nela descansam, um espa\u00e7o sagrado com o qual precisam de interagir para manter a sua identidade e os seus valores. Eles, quando permanecem nos seus territ\u00f3rios, s\u00e3o quem melhor os cuida. Em v\u00e1rias partes do mundo, por\u00e9m, s\u00e3o objecto de press\u00f5es para que abandonem suas terras e as deixem livres para projectos extractivos e agro-pecu\u00e1rios que n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da natureza e da cultura.<\/p>\n<p>3. Ecologia da vida quotidiana<\/p>\n<p>147. Para se poder falar de aut\u00eantico progresso, ser\u00e1 preciso verificar que se produza uma melhoria global na qualidade de vida humana; isto implica analisar o espa\u00e7o onde as pessoas transcorrem a sua exist\u00eancia. Os ambientes onde vivemos influem sobre a nossa maneira de ver a vida, sentir e agir. Ao mesmo tempo, no nosso quarto, na nossa casa, no nosso lugar de trabalho e no nosso bairro, usamos o ambiente para exprimir a nossa identidade. Esfor\u00e7amo-nos por nos adaptar ao ambiente e, quando este aparece desordenado, ca\u00f3tico ou cheio de polui\u00e7\u00e3o visiva e ac\u00fastica, o excesso de est\u00edmulos p\u00f5e \u00e0 prova as nossas tentativas de desenvolver uma identidade integrada e feliz.<\/p>\n<p>148. Admir\u00e1vel \u00e9 a criatividade e generosidade de pessoas e grupos que s\u00e3o capazes de dar a volta \u00e0s limita\u00e7\u00f5es do ambiente, modificando os efeitos adversos dos condicionalismos e aprendendo a orientar a sua exist\u00eancia no meio da desordem e precariedade. Por exemplo, nalguns lugares onde as fachadas dos edif\u00edcios est\u00e3o muito deterioradas, h\u00e1 pessoas que cuidam com muita dignidade o interior das suas habita\u00e7\u00f5es, ou que se sentem bem pela cordialidade e amizade das pessoas. A vida social positiva e benfazeja dos habitantes enche de luz um ambiente \u00e0 primeira vista inabit\u00e1vel. \u00c9 louv\u00e1vel a ecologia humana que os pobres conseguem desenvolver, no meio de tantas limita\u00e7\u00f5es. A sensa\u00e7\u00e3o de sufocamento, produzida pelos aglomerados residenciais e pelos espa\u00e7os com alta densidade populacional, \u00e9 contrastada se se desenvolvem calorosas rela\u00e7\u00f5es humanas de vizinhan\u00e7a, se se criam comunidades, se as limita\u00e7\u00f5es ambientais s\u00e3o compensadas na interioridade de cada pessoa que se sente inserida numa rede de comunh\u00e3o e perten\u00e7a. Deste modo, qualquer lugar deixa de ser um inferno e torna-se o contexto duma vida digna.<\/p>\n<p>149. Inversamente est\u00e1 provado que a pen\u00faria extrema vivida nalguns ambientes privados de harmonia, magnanimidade e possibilidade de integra\u00e7\u00e3o, facilita o aparecimento de comportamentos desumanos e a manipula\u00e7\u00e3o das pessoas por organiza\u00e7\u00f5es criminosas. Para os habitantes de bairros perif\u00e9ricos muito prec\u00e1rios, a experi\u00eancia di\u00e1ria de passar da superlota\u00e7\u00e3o ao anonimato social, que se vive nas grandes cidades, pode provocar uma sensa\u00e7\u00e3o de desenraizamento que favorece comportamentos anti-sociais e viol\u00eancia. Todavia tenho a peito reiterar que o amor \u00e9 mais forte. Muitas pessoas, nestas condi\u00e7\u00f5es, s\u00e3o capazes de tecer la\u00e7os de perten\u00e7a e conviv\u00eancia que transformam a superlota\u00e7\u00e3o numa experi\u00eancia comunit\u00e1ria, onde se derrubam os muros do eu e superam as barreiras do ego\u00edsmo. Esta experi\u00eancia de salva\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria \u00e9 o que muitas vezes suscita reac\u00e7\u00f5es criativas para melhorar um edif\u00edcio ou um bairro.[117]<\/p>\n<p>150. Dada a rela\u00e7\u00e3o entre os espa\u00e7os urbanizados e o comportamento humano, aqueles que projectam edif\u00edcios, bairros, espa\u00e7os p\u00fablicos e cidades precisam da contribui\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios saberes que permitem compreender os processos, o simbolismo e os comportamentos das pessoas. N\u00e3o \u00e9 suficiente a busca da beleza no projecto, porque tem ainda mais valor servir outro tipo de beleza: a qualidade de vida das pessoas, a sua harmonia com o ambiente, o encontro e ajuda m\u00fatua. Por isso tamb\u00e9m, \u00e9 t\u00e3o importante que o ponto de vista dos habitantes do lugar contribua sempre para a an\u00e1lise da planifica\u00e7\u00e3o urbanista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Vatciano (RV) &#8211; O princ\u00edpio do bem comum 142. 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