{"id":12781,"date":"2015-12-27T03:00:00","date_gmt":"2015-12-27T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/12\/27\/nosso-deus-tupiniquim\/"},"modified":"2017-05-09T09:43:03","modified_gmt":"2017-05-09T12:43:03","slug":"nosso-deus-tupiniquim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nosso-deus-tupiniquim\/","title":{"rendered":"Nosso Deus Tupiniquim"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Deus est\u00e1 e sempre esteve presente em todas as culturas e ra\u00e7as. Todas as civiliza\u00e7\u00f5es, independentemente de \u00e9poca ou quadrante terrestre, t\u00eam em suas hist\u00f3rias um conceito, uma ideia ou mesmo respeito e submiss\u00e3o ao mist\u00e9rio divino. O mais not\u00e1vel \u00e9 a semelhan\u00e7a de suas lendas e cren\u00e7as com a Verdade Revelada que crist\u00e3os, judeus e mu\u00e7ulmanos (as tr\u00eas maiores correntes monote\u00edstas) dizem encontrar na B\u00edblia \u2013 o Antigo Testamento \u00e9 comum \u00e0s tr\u00eas, no todo ou em parte.<br \/> Mas no continente tupiniquim qual seria o conceito de Deus? Isolados que estavam, distantes e incomunic\u00e1veis, como a presen\u00e7a divina poderia se manifestar dentre os povos ind\u00edgenas? Ou ser\u00e1 que, ao atravessarem o estreito de Bering \u2013 uma das teorias que explica a civiliza\u00e7\u00e3o abor\u00edgene em continente americano \u2013 eram acompanhados por algum tipo de profeta ou algu\u00e9m com um m\u00ednimo de ci\u00eancia religiosa? . Sabemos por documenta\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica que nossos \u00edndios aqui chegaram bem antes do surgimento do Povo de Deus e sua odiss\u00e9ia pelas terras de Cana\u00e3. Estudos apontam a presen\u00e7a ind\u00edgena em nossas terras de pindorama h\u00e1 pelo menos doze ou quatorze mil anos atr\u00e1s. Ent\u00e3o, quem lhes falou sobre Deus?<br \/> Suas f\u00e1bulas e lendas nos falam com beleza e sabedoria de uma mesma f\u00e9 libertadora e temente a Deus, tal qual a que hoje professamos. O Deus tupiniquim, a exemplo do Deus-Criador, merecia respeito e venera\u00e7\u00e3o. O conceito da trindade \u2013 Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo \u2013 tamb\u00e9m estava presente em suas demonstra\u00e7\u00f5es de f\u00e9. Tup\u00e3, o Deus-trov\u00e3o, atuava como um Pai a exigir respeito e obedi\u00eancia. Tupi, personagem principal das tribos ind\u00edgenas, que doutrinava e disciplinava, foi o elo de unidade desses povos, lhes dando o fator primordial, sua identidade lingu\u00edstica e racial. Era o irm\u00e3o, o companheiro em suas lutas e lidas pela sobreviv\u00eancia. Jaci, a deusa-lua, tinha o poder de alegrar seus cora\u00e7\u00f5es nas noites festivas, iluminadas com sua presen\u00e7a celestial. N\u00e3o \u00e9 essa a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito? Tup\u00e3, Tupi e Jaci compunham a tr\u00edade na qual a f\u00e9 ind\u00edgena depositava suas alegrias e esperan\u00e7as.<br \/> Mas nada h\u00e1 de mais espetacular do que a f\u00e1bula da Cria\u00e7\u00e3o segundo a tradi\u00e7\u00e3o desses povos. Quem nos narra \u00e9 frei Leonardo Boff em um dos seus livros sobre a transcend\u00eancia humana. Os \u00edndios Caraj\u00e1s foram criados para a imortalidade. Viviam \u00e0 beira de um lago maravilhoso \u2013 tal qual nosso conceito de para\u00edso \u2013 mas o Criador tamb\u00e9m lhes fez uma restri\u00e7\u00e3o: nunca se aproximar ou atravessar um buraco luminoso que existia no centro do lago. A tenta\u00e7\u00e3o foi maior e um caraj\u00e1 aventureiro mergulhou de corpo e alma naquele buraco fascinante. Do outro lado, encontrou uma praia exuberante, com muitos animais, \u00e1rvores, brisa, dia e noite, sol e lua, estrelas e vaga-lumes \u00e0s mir\u00edades. Encantado com aquele novo mundo, aventuraram-se mata adentro, sabedores de que aquela aventura lhes custaria a imortalidade. As belezas de um mundo ef\u00eamero era-lhes mais atraente do que a monotonia de um lago perene.Tendo que lutar pela conquista desse mundo, perderam a imortalidade.<br \/>Essa \u00e9 a vers\u00e3o ind\u00edgena de um para\u00edso perdido. Tal qual a nossa vers\u00e3o, se considerarmos o princ\u00edpio da imortalidade da alma e o ato da infidelidade humana. Violamos uma recomenda\u00e7\u00e3o divina, que denominamos como norma proibitiva, mas que em ambas as situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o passaram de simples conselho do Criador. Ou seja: n\u00e3o queiramos ultrapassar os limites de nossa v\u00e3 filosofia, nossa ci\u00eancia limitada, nossa vis\u00e3o ofuscada pelas ambi\u00e7\u00f5es desmedidas. Tanto o Deus de Abra\u00e3o, quanto o Deus de Iracema nos deixa livres para distinguir o certo ou errado, at\u00e9 onde podemos chegar e onde parar. Oxal\u00e1 saibamos compreender tudo isso em nossa hist\u00f3ria tupiniquim, neste novo ano de renovadas esperan\u00e7as!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deus est\u00e1 e sempre esteve presente em todas as culturas e ra\u00e7as. Todas as civiliza\u00e7\u00f5es, independentemente de \u00e9poca ou quadrante terrestre, t\u00eam em suas hist\u00f3rias um conceito, uma ideia ou mesmo respeito e submiss\u00e3o ao mist\u00e9rio divino. 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