{"id":12647,"date":"2015-12-14T11:02:22","date_gmt":"2015-12-14T13:02:22","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/12\/14\/a-misericordia-esta-no-ar\/"},"modified":"2017-05-09T10:17:52","modified_gmt":"2017-05-09T13:17:52","slug":"a-misericordia-esta-no-ar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-misericordia-esta-no-ar\/","title":{"rendered":"A miseric\u00f3rdia est\u00e1 no ar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Como entender e acreditar num Ano Santo, quando o que se encerra foi marcado por tantas e tamanhas crises e degenera\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-sociais? Ser\u00e1 poss\u00edvel reverter esse quadro atrav\u00e9s de um rito ou promulga\u00e7\u00e3o religiosa apenas? Um papa possui t\u00e3o grandes poderes? Na vis\u00e3o secularizada de uma sociedade imersa em seus problemas e contradi\u00e7\u00f5es, s\u00e3o essas as perguntas mais corriqueiras. Mas na vis\u00e3o crist\u00e3, a proclama\u00e7\u00e3o de um Ano Santo vai muito al\u00e9m dessas picuinhas mundanas. Sen\u00e3o, vejamos&#8230;<br \/>Um Ano Santo vem de uma tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3. Na celebra\u00e7\u00e3o judaica, que acontecia a cada 50 anos, o chamado ano sab\u00e1tico era um tempo de descanso, de perd\u00e3o, de gratid\u00e3o, de louvor. Nada mais se fazia a n\u00e3o ser buscar a reconcilia\u00e7\u00e3o, dar descanso aos campos, libertar os escravos, devolver propriedades a seus leg\u00edtimos donos e perdoar todas as d\u00edvidas. Baseavam-se no livro de Lev\u00edtico, que diz: \u201cSantificareis o q\u00fcinquag\u00e9simo ano, proclamando na vossa terra a liberdade de todos os que a habitam. Este ano ser\u00e1 para v\u00f3s Jubileu: cada um de v\u00f3s voltar\u00e1 \u00e0 sua propriedade e \u00e0 sua fam\u00edlia\u201d (Lv 25,10). Assim, em un\u00edssono, todo ser humano, rico ou pobre, escravo ou prisioneiro, colocavam-se num plano de igualdade e de gratid\u00e3o a Deus pelo dom da vida. Ganhavam novo recome\u00e7o, nova oportunidade de se reposicionarem diante de Deus e da sociedade.<br \/>Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 essa celebra\u00e7\u00e3o baseia-se nas palavras do pr\u00f3prio Jesus, quando visita uma Sinagoga num dia de s\u00e1bado e proclama sobre si as palavras do profeta Isaias: \u201cO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, por isso ele me ungiu e me mandou anunciar aos pobres uma mensagem, para proclamar aos prisioneiros a liberta\u00e7\u00e3o e aos cegos a recupera\u00e7\u00e3o da vista, para colocar em liberdade os oprimidos e proclamar um ano da gra\u00e7a do Senhor\u201d (Lc 4, 18-20). Era Ele o emiss\u00e1rio de um novo tempo, o portador de uma nova alian\u00e7a. Estavam abertas as portas da reden\u00e7\u00e3o!<br \/>Mesmo assim, foram necess\u00e1rios mais 1300 anos para sua Igreja perceber a import\u00e2ncia deste \u201cano da gra\u00e7a\u201d na hist\u00f3ria humana. Somente ap\u00f3s esse per\u00edodo \u00e9 que o Papa Bonif\u00e1cio VIII oficializou o primeiro Ano Santo como celebra\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica e oportunidade de indulg\u00eancias e santifica\u00e7\u00e3o do povo. Foi um acontecimento inesquec\u00edvel, que trouxe a Roma um grande n\u00famero de peregrinos e fi\u00e9is que se prostravam aos p\u00e9s dos t\u00famulos de Pedro e Paulo. Desde ent\u00e3o, a Igreja d\u00e1 continuidade a essa tradi\u00e7\u00e3o, prevista e anunciada por Cristo como tempo de Reconcilia\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, \u00e9 exatamente esse o maior significado de um Ano Santo, quando o povo de Deus \u00e9 convidado a buscar nos sacramentos uma maior sintonia com os planos do Pai na nossa hist\u00f3ria. Sua periodicidade tem por meta atingir todas as gera\u00e7\u00f5es.<br \/>Agora se abrem para o mundo as portas de um novo ano jubilar. Com o tema \u201cDeus rico em miseric\u00f3rdia\u201d (Ef 2,4), o papa Francisco o proclama em car\u00e1ter extraordin\u00e1rio, para celebrar os cinq\u00fcenta anos do Conc\u00edlio Vaticano II e dar \u00e0 Igreja a oportunidade de refletir sobre o tema mais proferido em seu pontificado (citado 31 vezes s\u00f3 na enc\u00edclica Evangelli Gaudium), a miseric\u00f3rdia. Com proveito e fundamento nas leituras de Lucas (o evangelista da miseric\u00f3rdia), Francisco abriu mais uma vez a Porta Santa de Pedro. Convida-nos a um novo tempo com olhar mais atento aos caminhos que estamos trilhando, rumo ou n\u00e3o \u00e0 Salva\u00e7\u00e3o prometida pelo Pai da Miseric\u00f3rdia. Ali\u00e1s, o sentido dessa palavra j\u00e1 \u00e9 um grande questionamento: era o nome de um punhal usado para matar os inimigos dominados ou feridos num combate. O chamado golpe de miseric\u00f3rdia. Etimologicamente, \u00e9 muito mais. Significa que toda mis\u00e9ria humana (misere) passa pelo cora\u00e7\u00e3o de Deus (c\u00f3rdia). Ele conhece nossas mis\u00e9rias e fraquezas. Mesmo assim nos abre as portas de seu cora\u00e7\u00e3o amoroso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como entender e acreditar num Ano Santo, quando o que se encerra foi marcado por tantas e tamanhas crises e degenera\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-sociais? Ser\u00e1 poss\u00edvel reverter esse quadro atrav\u00e9s de um rito ou promulga\u00e7\u00e3o religiosa apenas? Um papa possui t\u00e3o grandes poderes? 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