{"id":12542,"date":"2015-12-04T15:15:24","date_gmt":"2015-12-04T17:15:24","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/12\/04\/aquela-reacao-de-francisco-a-pergunta-sobre-a-aids-e-a-camisinha\/"},"modified":"2017-05-31T14:20:13","modified_gmt":"2017-05-31T17:20:13","slug":"aquela-reacao-de-francisco-a-pergunta-sobre-a-aids-e-a-camisinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/aquela-reacao-de-francisco-a-pergunta-sobre-a-aids-e-a-camisinha\/","title":{"rendered":"Aquela rea\u00e7\u00e3o de Francisco \u00e0 pergunta sobre a Aids e a camisinha"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/w8890.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Papa comparou pergunta de jornalista \u00e0quelas que eram feitas a Jesus pelos doutores da lei para poder acus\u00e1-lo<\/p>\n<p>Se tivesse dito que a distribui\u00e7\u00e3o de preservativos, sem campanhas de educa\u00e7\u00e3o sexual e \u00e0 fidelidade, n\u00e3o adianta, ele teria sido atacado como aconteceu com Bento XVI. Se tivesse feito aberturas expl\u00edcitas, teria sido alvejado pelos ambientes jornal\u00edstico-eclesi\u00e1sticos dos \u201ccontroladores da doutrina\u201d que, todos os dias, tentam coloc\u00e1-lo em apuros.<\/p>\n<p>Nunca tinha acontecido at\u00e9 agora que Francisco, ao qual, durante a coletiva de imprensa no avi\u00e3o, foram feitas perguntas de todos os tipos, reagisse como aconteceu nessa segunda-feira no voo Bangui-Roma, quando um jornalista alem\u00e3o especialista em \u00c1frica lhe perguntou, depois de falar da difus\u00e3o da epidemia de Aids, se n\u00e3o era o caso de a Igreja mudar de posi\u00e7\u00e3o sobre o \u201cn\u00e3o\u201d aos preservativos.<\/p>\n<p>O papa definiu a pergunta como \u201cparcial\u201d e depois a comparou \u00e0quelas que eram feitas a Jesus pelos doutores da lei para poder acus\u00e1-lo. A pergunta citada pelo pont\u00edfice est\u00e1 relatada no cap\u00edtulo 12 do Evangelho de Mateus: \u201c\u00c9 l\u00edcito ou n\u00e3o curar no s\u00e1bado?\u201d.<\/p>\n<p>Francisco disse que, sim, a camisinha \u201c\u00e9 um dos m\u00e9todos\u201d para limitar a difus\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o e que \u201ca moral da Igreja, sobre esse ponto, se encontra diante de uma perplexidade\u201d, tendo que manter presente tanto a necessidade de preservar a vida das pessoas, quanto evitando que sejam infectadas, quanto ainda de defender o exerc\u00edcio de uma sexualidade aberta \u00e0 transmiss\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>\u201cMas esse n\u00e3o \u00e9 o problema\u201d, acrescentou o papa. \u201cO problema \u00e9 maior. \u00c9 obrigat\u00f3rio curar!\u201d, explicou, assumindo a resposta de Jesus, que curou o doente de hidropisia, embora fosse s\u00e1bado. E continuou: \u201cA desnutri\u00e7\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o, o trabalho em escravid\u00e3o, a falta de \u00e1gua pot\u00e1vel, esses s\u00e3o os problemas. N\u00e3o falamos se se pode usar este curativo para tal ferida. A grande injusti\u00e7a \u00e9 uma injusti\u00e7a social, a grande injusti\u00e7a \u00e9 a desnutri\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o gosto de descer para reflex\u00f5es casu\u00edsticas quando as pessoas morrem por falta de \u00e1gua e por fome. Pensemos no tr\u00e1fico de armas. Quando n\u00e3o houver mais esses problemas, acho que se poder\u00e1 fazer a pergunta: \u00e9 l\u00edcito curar no s\u00e1bado? Por que as armas continuam sendo fabricadas? As guerras s\u00e3o o maior motivo de mortalidade. N\u00e3o pensar sobre se \u00e9 l\u00edcito ou n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito curar no s\u00e1bado. Fa\u00e7am justi\u00e7a, e, quando todos estiverem curados, quando n\u00e3o houver injusti\u00e7a neste mundo, podemos falar do s\u00e1bado\u201d.<\/p>\n<p>Bergoglio, portanto, convidou a um olhar realista sobre a realidade e sobre os males da \u00c1frica.<\/p>\n<p>A recorda\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode deixar de ir a outra entrevista no avi\u00e3o e a outro papa na sua primeira visita \u00e0 \u00c1frica. Era mar\u00e7o de 2009, e Bento XVI foi questionado de modo semelhante sobre a suposta falta de \u201crealismo\u201d da Igreja na luta contra a Aids durante o voo de Roma a Yaound\u00e9, no Camar\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEu diria o contr\u00e1rio \u2013 foi a resposta \u2013, porque a realidade mais presente e mais eficiente na luta contra a Aids \u00e9 precisamente a Igreja Cat\u00f3lica (\u2026) Eu diria que n\u00e3o se pode superar esse problema s\u00f3 com dinheiro, embora necess\u00e1rio, mas, se n\u00e3o houver a alma, se os africanos n\u00e3o ajudarem, n\u00e3o se pode superar com a distribui\u00e7\u00e3o de preservativos, que, ao contr\u00e1rio, aumentam o problema. A solu\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser dupla. A primeira: humaniza\u00e7\u00e3o da sexualidade, isto \u00e9, renova\u00e7\u00e3o espiritual humana que envolve um novo modo de se comportar um com o outro e de acordo com uma verdadeira amizade, sobretudo para com as pessoas que sofrem, e uma disponibilidade tamb\u00e9m com sacrif\u00edcios e ren\u00fancias pessoais para estar perto dos que sofrem. E estes s\u00e3o os fatores que ajudam e que trazem consigo verdadeiros e vis\u00edveis progressos.\u201d<\/p>\n<p>A refer\u00eancia do pont\u00edfice ao fato de que a simples distribui\u00e7\u00e3o indiscriminada de preservativos n\u00e3o resolve o problema estava fundamentada em fatos. As campanhas anti-Aids que tiveram sucesso foram aquelas baseadas no chamado \u00e0 fidelidade do casal, no convite de adiar as rela\u00e7\u00f5es sexuais precoces entre adolescentes e no preservativo aconselhado para certas categorias de maior risco (homossexuais, toxicodependentes, prostitutas). Na Uganda, uma campanha com essas prerrogativas fez com que se passasse, na d\u00e9cada de 1991 a 2001, de 15% a 5% da popula\u00e7\u00e3o infectada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso lembrar que as aberturas \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da camisinha, em particular para categorias em risco ou nas rela\u00e7\u00f5es de casal no caso de um c\u00f4njuge soropositivo, n\u00e3o s\u00e3o novas na Igreja: tinham se expressado nesse sentido nas \u00faltimas d\u00e9cadas os cardeais Carlo Maria Martini, Dionigi Tettamanzi, Javier Lozano Barrag\u00e1n, Georges Cottier.<\/p>\n<p>Quem diria o mesmo, provocando rea\u00e7\u00f5es variadas e tamb\u00e9m algumas dores de cabe\u00e7a, seria Bento XVI em 2010, no livro-entrevista com Peter Seewald, Luz do mundo.<\/p>\n<p>\u201cConcentrar-se apenas no preservativo \u2013 tinha respondido o Papa Ratzinger \u2013 significa banalizar a sexualidade, e essa banaliza\u00e7\u00e3o representa precisamente a perigosa raz\u00e3o por que tantas pessoas, na sexualidade, n\u00e3o veem mais a express\u00e3o do seu amor, mas apenas uma esp\u00e9cie de droga, que administram a si mesmas. Por isso, a luta contra a banaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade tamb\u00e9m faz parte do grande esfor\u00e7o para que a sexualidade seja avaliada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o homem na sua totalidade.\u201d<\/p>\n<p>O papa, por\u00e9m, acrescenta: \u201cPode haver casos individuais justificados, por exemplo, quando um prostituto usa um preservativo, e este pode ser o primeiro passo para uma moraliza\u00e7\u00e3o, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver de novo a consci\u00eancia do fato de que nem tudo \u00e9 permitidos e que n\u00e3o se pode fazer tudo o que se quiser\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, conclui, \u201ceste n\u00e3o \u00e9 o modo verdadeiro para vencer a infec\u00e7\u00e3o do HIV. Realmente \u00e9 necess\u00e1ria uma humaniza\u00e7\u00e3o da sexualidade\u201d.<\/p>\n<p>Portanto, no caso preciso de quem se prostitui, o pont\u00edfice, no livro-entrevista, admitia o uso da camisinha para evitar a infec\u00e7\u00e3o do cliente, mesmo que esse deveria ser apenas \u201cum primeiro passo para a moraliza\u00e7\u00e3o\u201d. Ali\u00e1s, no texto original alem\u00e3o, Bento XVI n\u00e3o tinha usado a palavra \u201cprostituta\u201d no feminino, mas o termo masculino, \u201cprostituto\u201d.<\/p>\n<p>A esse respeito, o porta-voz vaticano, padre Federico Lombardi, havia observado que, para o papa, n\u00e3o era importante que o sujeito fosse masculino ou feminino: \u201cO ponto \u00e9 a responsabilidade ao levar em conta o risco da vida do outro com quem se tem a rela\u00e7\u00e3o. Se \u00e9 um homem, uma mulher ou um transexual, d\u00e1 no mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa comparou pergunta de jornalista \u00e0quelas que eram feitas a Jesus pelos doutores da lei para poder acus\u00e1-lo Se tivesse dito que a distribui\u00e7\u00e3o de preservativos, sem campanhas de educa\u00e7\u00e3o sexual e \u00e0 fidelidade, n\u00e3o adianta, ele teria sido atacado como aconteceu com Bento XVI. 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