{"id":12462,"date":"2015-11-27T16:14:08","date_gmt":"2015-11-27T18:14:08","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/11\/27\/combonianos-na-uganda-demos-testemunho-com-a-caridade-de-jesus\/"},"modified":"2017-05-31T14:43:38","modified_gmt":"2017-05-31T17:43:38","slug":"combonianos-na-uganda-demos-testemunho-com-a-caridade-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/combonianos-na-uganda-demos-testemunho-com-a-caridade-de-jesus\/","title":{"rendered":"Combonianos na Uganda: \u201cDemos testemunho com a caridade de Jesus\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Entrevista ao sacerdote mission\u00e1rio Torquato Paolucci. &#8220;Hoje, o problema \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>O Papa Francisco chega hoje, sexta-feira, na Uganda, e permanecer\u00e1 l\u00e1 at\u00e9 o domingo 29. Ser\u00e1 o segundo pa\u00eds da \u00c1frica que visita nesta viagem apost\u00f3lica que come\u00e7ou na quarta-feira passada, 25, no Qu\u00eania e que termina na segunda-feira, 30 na Rep\u00fablica Centro Africana.<\/p>\n<p>O padre Torquato Paolucci, mission\u00e1rio comboniano, italiano de Urbania, trabalhou de 1972 a 2010 em Uganda. Entrevistado pela ZENIT comentou alguns detalhes que nos ajudar\u00e3o a entender melhor a viagem do Papa Francisco a este pa\u00eds. Compartilhamos com os nossos leitores.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>ZENIT: Hoje, qual \u00e9 o principal problema da Uganda?<\/p>\n<p>Padre Torquato: \u00c9 a luta contra a corrup\u00e7\u00e3o. Este governo, no come\u00e7o, realizou muitas coisas, at\u00e9 mesmo boas, mas depois pensou somente em enriquecer-se. Portanto, existe uma classe muito rica e uma maioria de gente muito pobre.<\/p>\n<p>ZENIT: Com rela\u00e7\u00e3o ao passado, qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o atual?<\/p>\n<p>Padre Torquato: Tem havido um progresso geral, mais estradas, mais liberdade. Este governo tem feito muito rela\u00e7\u00e3o ao passado, mas o grupo dirigente \u00e9 como uma m\u00e1fia e, portanto, tudo \u00e9 manipulado. Tamb\u00e9m as elei\u00e7\u00f5es que se realizaram quando eu estive l\u00e1 h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s. Rodava dinheiro, urnas cheias de votos desapareciam. Existe muita trai\u00e7\u00e3o. Somente pensam em realizar neg\u00f3cios importantes e que n\u00e3o sejam pegos. Em fevereiro pr\u00f3ximo haver\u00e1 elei\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e muitos temem que se repita a fara das outras vezes.<\/p>\n<p>ZENIT: Na sua opini\u00e3o qual \u00e9 a sa\u00edda para esta situa\u00e7\u00e3o e como pode influenciar a visita do Papa?<\/p>\n<p>Padre Torquato: O tema principal \u00e9 o de conseguir mais honestidade, mais aten\u00e7\u00e3o aos pobres e doentes. As pessoas est\u00e3o muito feliz com este encontro que ter\u00e3o com o Papa Francisco que veio celebrar os 50 anos da canoniza\u00e7\u00e3o dos m\u00e1rtires da Uganda.<\/p>\n<p>ZENIT: Qual \u00e9 a mensagem destes 22 m\u00e1rtires?<\/p>\n<p>Padre Torquato: Eles se converteram ao catolicismo gra\u00e7as aos mission\u00e1rios da \u00c1frica, do Cardeal Charles Lavigerie, dos Padres Brancos. E foram mortos entre 1885 e 1887, por serem crist\u00e3os. Os M\u00e1rtires de Uganda eram todos leigos e os leigos est\u00e3o muito comprometidos com associa\u00e7\u00f5es e iniciativas cat\u00f3licas.<\/p>\n<p>ZENIT: Quantos cat\u00f3licos h\u00e1 no pa\u00eds?<\/p>\n<p>Padre Torquato: Um 45% por cento da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 cat\u00f3lica, o 25% protestante e 10% s\u00e3o mu\u00e7ulmanos, o resto s\u00e3o animistas e de outras religi\u00f5es.<\/p>\n<p>ZENIT: E o di\u00e1logo inter-religioso funciona?<\/p>\n<p>Padre Torquato: No passado, na rela\u00e7\u00e3o entre cat\u00f3licos e protestants houve uma grande tens\u00e3o. Al\u00e9m do mais porque na pol\u00edtica os protestantes tinham o apoio da Inglaterra e tentaram marginalizar os cat\u00f3licos sempre. Mas, como estes \u00faltimos eram a grande maioria, chegou um ponto em que n\u00e3o conseguiram faz\u00ea-lo. Depois, com o passar dos anos, come\u00e7ou um processo de maior colabora\u00e7\u00e3o no campo social. N\u00e3o tanto desde o ponto de vista doutrin\u00e1rio, mas sim houve alguns encontros. A conviv\u00eancia na maior parte da Uganda \u00e9 boa e existe colabora\u00e7\u00e3o, embora em algumas regi\u00f5es permane\u00e7am as tens\u00f5es do passado.<\/p>\n<p>ZENIT: Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o com os mu\u00e7ulmanos?<\/p>\n<p>&#8211; Padre Torquato: Eles est\u00e3o, principalmente, nas cidades e no com\u00e9rcio. Com os mu\u00e7ulmanos n\u00e3o encontrei tens\u00f5es nos anos em que trabalhei l\u00e1. Houve um bom relacionamento com eles e realizamos com eles muitos trabalhos. Tamb\u00e9m colocamos nossos hospitais e escolas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. E em algumas ocasi\u00f5es ajudei a alguns jovens mu\u00e7ulmanos a ir \u00e0 escola e at\u00e9 \u00e0 universidade, porque n\u00e3o iam. Existia uma rela\u00e7\u00e3o discreta, falo de cinco anos atr\u00e1s. N\u00e3o sei se hoje existir\u00e3o infiltra\u00e7\u00f5es dos fundamentalistas.<\/p>\n<p>ZENIT: Poderia resumir-me o trabalho dos Combonianos na Uganda?<\/p>\n<p>Padre Torquato: Os Mission\u00e1rios Combonianos chegaram \u00e0 Uganda em 1910, e trabalharam principalmente no norte, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 fronteira com o Sud\u00e3o. Para o sul, no entanto, com os Padres Brancos. Para alcan\u00e7ar o cora\u00e7\u00e3o das pessoas fizemos muitas obras sociais. A grande maioria das escolas surgem do trabalho da Igreja. Tamb\u00e9m a sa\u00fade derivada do trabalho dos Mission\u00e1rios Combonianos. Ainda hoje o 65% das estruturas m\u00e9dicas s\u00e3o administradas pela Igreja, gra\u00e7as a volunt\u00e1rios. Assim, ao dar testemunho com a caridade de Jesus, muitos viram na caridade crist\u00e3 a mensagem de esperan\u00e7a e de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse \u00faltimo per\u00edodo, quando aconteceram as guerras com fundo tribal pelo poder, mais de 20 anos de guerra, destrui\u00e7\u00e3o e massacres, os mission\u00e1rios Combonianos foram os \u00fanicos brancos que permaneceram no territ\u00f3rio, embora 13 deles foram mortos.\u00a0 Isto tem ajudado mais \u00e0s pessoas a acreditarem em Jesus. N\u00e3o se sentiram abandonados e nos tornamos sinais de esperan\u00e7a para muitos.<\/p>\n<p>Hoje, a Igreja em Uganda tem grande vitalidade e voca\u00e7\u00f5es ao ponto de que quase todas as nossas estruturas foram entregues \u00e0s Igrejas locais, e por tanto, estamos saindo deste pa\u00eds. Um pouco porque estamos mais velhos e outro pouco porque Uganda n\u00e3o precisa de mission\u00e1rios, porque contam com suficiente pessoal para fazer o trabalho da Igreja e para ir como mission\u00e1rios em outros pa\u00edses. Atualmente, neste pa\u00eds, h\u00e1 130 mission\u00e1rios combonianos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Zenit<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista ao sacerdote mission\u00e1rio Torquato Paolucci. &#8220;Hoje, o problema \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o&#8221; O Papa Francisco chega hoje, sexta-feira, na Uganda, e permanecer\u00e1 l\u00e1 at\u00e9 o domingo 29. 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