{"id":12430,"date":"2015-11-27T03:00:00","date_gmt":"2015-11-27T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/11\/27\/preparemo-nos\/"},"modified":"2017-05-09T11:01:38","modified_gmt":"2017-05-09T14:01:38","slug":"preparemo-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/preparemo-nos\/","title":{"rendered":"Preparemo-nos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Advento \u00e9 um dos tempos do Ano Lit\u00fargico e pertence ao ciclo do Natal. A liturgia do Advento caracteriza-se como per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o, como se pode deduzir da pr\u00f3pria palavra advento, que se origina do verbo latino advenire, que quer dizer chegar. Advento \u00e9 tempo de espera d\u2019Aquele que h\u00e1 de vir. Pelo Advento nos preparamos para celebrar o Senhor que veio, que vem e que vir\u00e1; sua liturgia conduz a celebrar as duas vindas de Cristo: Natal e Parusia. Na primeira, celebra-se a manifesta\u00e7\u00e3o de Deus experimentada h\u00e1 mais de dois mil anos com o nascimento de Jesus, e na segunda, a sua desejada manifesta\u00e7\u00e3o no final dos tempos, quando Cristo vier em sua gl\u00f3ria.<br \/> O tempo do Advento formou-se progressivamente a partir do s\u00e9culo IV e j\u00e1 era celebrado na G\u00e1lia e na Espanha. Em Roma, onde surgiu a festa do Natal, passou a ser celebrado somente a partir do s\u00e9culo VI, quando a Igreja Romana vislumbrou na festa do Natal o in\u00edcio do mist\u00e9rio pascal, e era natural que se preparasse para ela como se preparava para a P\u00e1scoa. Nesse per\u00edodo, o tempo do Advento consistia em seis semanas que antecediam a grande festa do Natal. Foi somente com S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno (590-604) que esse tempo foi reduzido para quatro domingos, tal como hoje celebramos.<br \/> Um dos muitos s\u00edmbolos do Natal \u00e9 a coroa do Advento que, por meio de seu formato circular e de suas cores, silenciosamente expressa a esperan\u00e7a e convida \u00e0 alegre vigil\u00e2ncia. A coroa teve sua origem no s\u00e9culo XIX, na Alemanha, nas regi\u00f5es situadas ao norte do pa\u00eds. N\u00f3s adotamos o costume da coroa do Advento no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Na confec\u00e7\u00e3o da coroa eram usados ramos de pinheiro e cipreste, \u00fanicas \u00e1rvores cujos ramos n\u00e3o perdem suas folhas no outono e est\u00e3o sempre verdes, mesmo no inverno. Os ramos verdes s\u00e3o sinais da vida que teimosamente resiste; s\u00e3o sinais da esperan\u00e7a. Em algumas comunidades, os fi\u00e9is envolvem a coroa com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus que nos envolve e nos foi manifestado pelo nascimento de Jesus. At\u00e9 a figura geom\u00e9trica da coroa, o c\u00edrculo, tem um bonito simbolismo. Sendo uma figura sem come\u00e7o e fim, representa a perfei\u00e7\u00e3o, a harmonia, a eternidade.<br \/> Na coroa s\u00e3o colocadas quatro velas, referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando \u00e0 medida que se aproxima o Natal, festa da luz que \u00e9 Cristo, quando a luz da salva\u00e7\u00e3o brilha para toda a humanidade. Quanto \u00e0s cores das quatro velas, quase em todas as partes do mundo \u00e9 usada a cor vermelha. No Brasil, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, costumava-se usar velas nas cores roxa ou lil\u00e1s, e uma vela cor-de-rosa referente ao terceiro domingo do Advento, quando se celebra o Domingo de Gaudete (Domingo da Alegria), cuja cor lit\u00fargica \u00e9 rosa. Por\u00e9m, atualmente tem-se propagado o costume de velas coloridas, cada uma de uma cor lit\u00fargica, mas tamb\u00e9m por uma cultura pr\u00f3pria nossa, visto que nosso pa\u00eds \u00e9 marcado pelas culturas ind\u00edgena e afro, onde o colorido lembra festa, dan\u00e7a e alegria.<br \/> Dentro da teologia e espiritualidade do Advento, os textos b\u00edblicos falam da dupla vinda de Cristo: a primeira, no Natal, e a segunda, na Parusia, o fim dos tempos. A vinda de Cristo \u00e9 esperada pela Igreja com ora\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia: \u201cVem, Senhor Jesus\u201d, como S\u00e3o Paulo nos fala. A espera de Cristo \u00e9 uma das promessas messi\u00e2nica j\u00e1 cumprida parcialmente. Nossos pais na f\u00e9 esperaram e n\u00e3o alcan\u00e7aram, mas ouviram por Isaias que um tempo novo de esperan\u00e7a e de paz chegaria. Todo o Antigo Testamento est\u00e1 voltado, pelo an\u00fancio dos profetas, para o mist\u00e9rio do Cristo que vir\u00e1. Para n\u00f3s, hoje, \u00e9 viver na Igreja toda esta centralidade de Cristo na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, celebrando o grande mist\u00e9rio: vem a n\u00f3s O esperado das na\u00e7\u00f5es, O anunciado pelos profetas, O revelado por seu Pai.<br \/> Nessa caminhada do Advento, al\u00e9m de Isa\u00edas e Jo\u00e3o Batista, a Liturgia apresenta outra figura importante: Maria. O evangelho de Lucas narra a anuncia\u00e7\u00e3o, quando Maria diz sim ao convite de Deus e aceita ser m\u00e3e de Jesus, que se encarna em seu seio e passa a \u201chabitar entre n\u00f3s\u201d. Maria \u00e9 celebrada no dia 8 de dezembro, na festa de sua Imaculada Concei\u00e7\u00e3o (quando neste ano teremos a abertura, no Vaticano, do Jubileu da Miseric\u00f3rdia). A Virgem Imaculada diz sim e vive o seu sil\u00eancio na escuta do pr\u00f3prio Deus que chega. Do dia 17 a 24 de dezembro, semana de prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima para o Natal, a Liturgia nos marca bem a figura de Maria, a \u201ccheia de gra\u00e7a\u201d, a \u201cbendita entre todas as mulheres\u201d, a \u201cnova Eva\u201d.<br \/> Com o pecado de Ad\u00e3o e Eva, Deus anuncia uma nova mulher, uma segunda Eva, que dar\u00e1 \u00e0 luz um filho. Ele \u00e9 o \u201cfilho das promessas\u201d, o novo Ad\u00e3o, Jesus Cristo, que reerguer\u00e1 a humanidade deca\u00edda por causa da desobedi\u00eancia dos primeiros pais. Maria \u00e9 presen\u00e7a exemplar no Tempo do Advento, na palavra e na ora\u00e7\u00e3o, aquela que transformou a espera em presen\u00e7a viva do pr\u00f3prio Cristo. Advento \u00e9 tempo de ora\u00e7\u00e3o da Igreja, que ora e suplica para que Cristo seja conhecido entre todos os povos, seja sinal de esperan\u00e7a e sinal de salva\u00e7\u00e3o para todos num mundo marcado por guerras, viol\u00eancias, divis\u00f5es, incredulidades, soberba, autossufici\u00eancia. O Advento \u00e9 um tempo de espiritualidade que nos compromete na tarefa pela constru\u00e7\u00e3o de \u201cnovos c\u00e9us e novas terras\u201d. <br \/> A Igreja nos exorta a vivermos em vig\u00edlia e ora\u00e7\u00e3o, para que esse tempo da gra\u00e7a seja proveitoso para n\u00f3s, realizando-se o que proclama a Liturgia: \u201c\u00d3 c\u00e9us, que chova sobre n\u00f3s, que suas nuvens derramem a justi\u00e7a. Abra-se a terra e brote para n\u00f3s a salva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Advento \u00e9 um dos tempos do Ano Lit\u00fargico e pertence ao ciclo do Natal. 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