{"id":12335,"date":"2015-11-17T03:00:00","date_gmt":"2015-11-17T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/11\/17\/beatificacao-de-padre-vitor\/"},"modified":"2017-05-09T11:48:49","modified_gmt":"2017-05-09T14:48:49","slug":"beatificacao-de-padre-vitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/beatificacao-de-padre-vitor\/","title":{"rendered":"Beatifica\u00e7\u00e3o de Padre Vitor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e1bado \u00e0 tarde, dia 14 de novembro deste, foi beatificado o Padre Victor na cidade de Tr\u00eas Pontas, em Minas Gerais, Diocese da Campanha. Foi um momento memor\u00e1vel para a Igreja do Brasil. Devemos conservar no cora\u00e7\u00e3o, na mente e nos gestos esses sinais que a provid\u00eancia de Deus nos faz enxergar nos dias de hoje.<br \/>A hist\u00f3ria de Padre Francisco de Paula Victor, carinhosamente conhecido como Padre Victor, \u201ccampanhense-trespontano\u201d (segundo a excelente obra de seu bi\u00f3grafo Monsenhor Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio Lefort), come\u00e7a em um casar\u00e3o na Rua Direita da Campanha (MG) de 1827. Foi ali que ele nasceu no dia 12 de abril. O primeiro documento consta que ele foi batizado oito dias depois pelo padre Ant\u00f4nio Manoel Teixeira. Cidade mais antiga do Sul de Minas, \u00e0quela \u00e9poca a vila da Campanha da Princesa da Beira reunia fazendeiros em busca de ouro e seus escravos.<br \/> Victor nasceu escravo, mas n\u00e3o viveu como um. Veio ao mundo na casa de dona Marianna B\u00e1rbara Ferreira, que, de forma contr\u00e1ria \u00e0 \u00e9poca, tratava os escravos da casa com dignidade. Por Victor, o carinho foi maior ainda e ela se tornou sua madrinha. Sob sua tutela, ele aprendeu a ler, escrever, tocar piano, falar em franc\u00eas. Aprendeu at\u00e9 a sonhar.<br \/> Conta-se dessa \u00e9poca que Victor fazia o que pediam como um escravo, \u201cporque n\u00e3o era trabalho para ele\u201d. O grande Bispo de Mariana, o Servo de Deus Dom Ant\u00f4nio Ferreira Vi\u00e7oso, interferiu na medida do poss\u00edvel para que ele fosse tratado como aluno, e como a \u00e1gua que aos poucos fura a pedra, ao se formar no vetusto Semin\u00e1rio S\u00e3o Jos\u00e9, o desprezo dos colegas foi transformado em no m\u00ednimo respeito e muita admira\u00e7\u00e3o. \u201cFoi muito dif\u00edcil, mas ele superou com muita dignidade, com muita paci\u00eancia, humildade\u201d, finaliza o atual Bispo da Campanha, nosso vener\u00e1vel irm\u00e3o Dom Frei Diamantino Prata de Carvalho, OFM, que tanto lutou para esta Beatifica\u00e7\u00e3o. O jovem negro ex-escravo se tornava padre do clero de Mariana, primeira diocese de Minas totalmente desmembrada da ent\u00e3o Diocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro.<br \/> O primeiro campo de trabalho do novo sacerdote foi a sua cidade da Campanha. Depois. Padre Victor chegou \u00e0 pequena vila de Tr\u00eas Pontas em junho de 1852 para substituir o vig\u00e1rio da par\u00f3quia que havia morrido. Ironicamente, segundo consta no livro de Passarelli, a origem de Tr\u00eas Pontas est\u00e1 ligada a duas aldeias de negros fugitivos (quilombos), e para destru\u00ed-las, o governo da Capitania de Minas Gerais encarregou dois capit\u00e3es. Ap\u00f3s a miss\u00e3o conclu\u00edda, eles dividiram o territ\u00f3rio em lotes, de que tomaram posse.<br \/> \u00c0 \u00e9poca em que o padre negro chegava a Tr\u00eas Pontas, a vila reunia em sua maioria fazendeiros que faziam riqueza com o trabalho dos escravos. E se no Semin\u00e1rio de Mariana, onde Deus \u00e9 invocado todos os dias, a rea\u00e7\u00e3o em aceitar um padre negro foi dif\u00edcil, em Tr\u00eas Pontas ela poderia ter se tornado uma trag\u00e9dia.<br \/> \u201cEle tamb\u00e9m n\u00e3o foi bem recebido em Tr\u00eas Pontas\u201d, continua Dom Diamantino. \u201cO povo simples o aceitava bem, mas os \u201cgra\u00fados\u201d&#8230; Por exemplo, o Visconde de Boa Esperan\u00e7a falava: \u2018n\u00f3s pedimos um padre s\u00e1bio, um padre bom e manda aqui um \u201cneg\u00e3o\u201d\u2019. Mas, Padre Victor, foi para amar o povo e perdoar os inimigos\u201d.<br \/> E foi preciso muita sabedoria e persist\u00eancia para derrubar o grande preconceito que havia na \u00e9poca. Ele passou por agress\u00f5es, missas rezadas para uma igreja praticamente vazia, piadas ofensivas. Mas a bondade e a caridade que o religioso continuou a dedicar aos moradores da vila, apesar de todas as humilha\u00e7\u00f5es, pouco a pouco conquistou at\u00e9 os fazendeiros mais ricos da regi\u00e3o e ele passou a ser conhecido como o lend\u00e1rio padre negro de Tr\u00eas Pontas.<br \/> Desse per\u00edodo, tudo que se conta foi passado de fam\u00edlia a fam\u00edlia e todos os depoimentos foram reunidos na pesquisa hist\u00f3rica para o processo de beatifica\u00e7\u00e3o, que foi uma iniciativa de nosso saudoso e muito estimado Dom Alo\u00edsio Roque Oppermann, SCJ, que como Bispo Coadjutor da Campanha pediu o apoio dos bispos que formam o regional Leste 2 da CNBB para a abertura do processo e, na sua \u00faltima visita ad limina apostolorum, j\u00e1 como quinto Bispo Diocesano da Campanha, protocolou o processo na Congrega\u00e7\u00e3o da Causa dos Santos, em Roma. Muitos se lembram de sua voz grave e de sua personalidade r\u00edgida, justa, por\u00e9m bondosa. Padre Victor morava em um casar\u00e3o simples e vivia praticamente de doa\u00e7\u00f5es.<br \/> As crian\u00e7as o adoravam. Em determinado momento, Padre Victor resolveu profissionalizar a educa\u00e7\u00e3o e fundou uma escola, a primeira de Tr\u00eas Pontas. Ali reuniu filhos de gente simples e gente rica para aprender de professores que trouxe de fora e dele mesmo. Deu aulas no Col\u00e9gio Sagrada Fam\u00edlia at\u00e9 quando a sa\u00fade dele permitiu. Logo depois, iniciou a reforma da capela para se tornar a Igreja Matriz de Nossa Senhora D\u2019Ajuda, at\u00e9 hoje em p\u00e9 em Tr\u00eas Pontas, e onde est\u00e3o imunados seus restos mortais.<br \/> Mas para tornar esses planos realidade foi preciso muito dinheiro. Mesmo precisando investir nas duas obras, Padre Victor n\u00e3o diminuiu seu lado caridoso e continuou dando tudo o que tinha para todos. De repente, o dinheiro come\u00e7ou a faltar e as d\u00edvidas se acumularam.<br \/> Uma den\u00fancia foi feita ao Bispado de Mariana sobre os t\u00edtulos n\u00e3o pagos (ainda) pelo padre de Tr\u00eas Pontas, e Victor foi chamado a prestar contas ao bispo. Conta-se que ao chegar \u00e0 sala de Dom Vi\u00e7oso, seu velho padrinho, Victor colocou seu chap\u00e9u na parede e ele permaneceu dependurado, mas no lugar n\u00e3o havia gancho para segurar o chap\u00e9u.<br \/> Triste com sua desorganiza\u00e7\u00e3o financeira, Padre Victor voltou para Tr\u00eas Pontas com uma decis\u00e3o dr\u00e1stica: iria pedir demiss\u00e3o da par\u00f3quia j\u00e1 que um grande mal havia feito (sem querer) para aquela comunidade. Os moradores se espantaram com a possibilidade de perder o p\u00e1roco querido e resolveram fazer algo.<br \/> Conta-se que em uma noite se reuniram todos na porta da casa do padre e lhe entregaram um envelope com todas as suas d\u00edvidas quitadas. O povo mesmo reuniu dinheiro para isso e o fizeram prometer que n\u00e3o deixaria Tr\u00eas Pontas.<br \/> Ali, naquela cidade bonita do aben\u00e7oado Sul de Minas, solo sagrado que germina santos para a Igreja Cat\u00f3lica, Padre Victor permaneceu por 53 anos at\u00e9 deixar este mundo, com odores p\u00fablicos de santidade. Morreu, piamente, no dia 23 de setembro de 1905 ap\u00f3s ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Sua escola formou pessoas importantes para a regi\u00e3o, como o primeiro bispo da Campanha, o Conde Dom Jo\u00e3o de Almeida Ferr\u00e3o, e o m\u00e9dico Samuel Lib\u00e2nio (que hoje d\u00e1 nome ao hospital de Pouso Alegre &#8211; MG).<br \/> Para a beatifica\u00e7\u00e3o foi necess\u00e1rio comprovar um milagre. Este, realizado por intercess\u00e3o de Padre Victor, foi de uma mulher que segundo a medicina era imposs\u00edvel ter filhos. Tempos acorrendo sua intercess\u00e3o, eis que ela conseguiu engravidar e tudo isso se deu pelas b\u00ean\u00e7\u00e3os do futuro beato Padre Vitor.<br \/> O Papa Francisco assinou o decreto de beatifica\u00e7\u00e3o de Padre Victor no dia 5 de junho de 2015. A cerim\u00f4nia contou com a presen\u00e7a do nosso amado irm\u00e3o, o Vener\u00e1vel Angelo, Cardeal da Santa Igreja Romana Amato, Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para os Santos, no dia 14 de novembro p.p., cerca de uma semana antes do Dia da Consci\u00eancia Negra \u2013 j\u00e1 que o religioso foi exemplo de quem venceu as barreiras do preconceito.<br \/> Quero, genuflexo, diante da santidade do presb\u00edtero Francisco de Paula Victor, pedir a sua intercess\u00e3o e patroc\u00ednio para todos os padres do nosso tempo, para que, seguindo o seu exemplo eloquente de desprendimento, de amor aos mais pobres, de generosidade, de doa\u00e7\u00e3o de si em favor dos mais desfavorecidos, sejamos, dentro do Ano da Miseric\u00f3rdia que est\u00e1 para se iniciar, presb\u00edteros como a imagem aprovada apresenta Padre Victor: um presb\u00edtero que vive e gasta a sua vida pelo an\u00fancio da Palavra de Deus, carregando a Cruz de Cristo e anunciando-a como caminho bonito e virtuoso de se santificar neste mundo para ganhar o c\u00e9u. <br \/> Que o exemplo do Padre campanhense-trespontano nos ensine a virtude da miseric\u00f3rdia, do servi\u00e7o generoso e de gastar nossa vida com Cristo, por Cristo e em Cristo e em favor da Igreja e de todos os fi\u00e9is batizados. <br \/> Beato Padre Victor, rogai por n\u00f3s!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No s\u00e1bado \u00e0 tarde, dia 14 de novembro deste, foi beatificado o Padre Victor na cidade de Tr\u00eas Pontas, em Minas Gerais, Diocese da Campanha. 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