{"id":12224,"date":"2015-11-05T16:27:22","date_gmt":"2015-11-05T18:27:22","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/11\/05\/por-que-o-papa-veste-branco\/"},"modified":"2017-05-31T16:23:14","modified_gmt":"2017-05-31T19:23:14","slug":"por-que-o-papa-veste-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/por-que-o-papa-veste-branco\/","title":{"rendered":"Por que o papa veste branco?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/00 san-pio-v.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>A hist\u00f3ria de uma tradi\u00e7\u00e3o que, entre teologia e lenda, volta \u00e0 lembran\u00e7a neste ano jubilar dominicano<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele n\u00e3o quer renunciar ao h\u00e1bito branco. Nem mesmo agora, que acaba de ser eleito papa. Michele Ghislieri, cujo nome de batismo era Antonio antes da profiss\u00e3o religiosa como frade dominicano, se tornou o 224\u00ba sucessor de S\u00e3o Pedro e adotou o nome de Pio V. Estamos em 1566. Pio V decide que o branco da veste escolhida por S\u00e3o Domingos de Gusm\u00e3o para a Ordem dos Pregadores ser\u00e1 tamb\u00e9m a cor da veste dos papas.<\/p>\n<p>Pelo menos \u00e9 o que diz uma tradi\u00e7\u00e3o. Na verdade, S\u00e3o Pio V simplesmente continuou usando o h\u00e1bito branco da sua ordem sob as vestes papais como sinal n\u00e3o s\u00f3 de afeto pela sua fam\u00edlia religiosa, mas tamb\u00e9m como sinal de humildade: apesar da autoridade de que o recobriam as vestes papais, ele ainda continuava sendo um humilde frade.<\/p>\n<p>Outra tradi\u00e7\u00e3o, bastante difundida no s\u00e9culo XVIII e relatada por Filippo Bonanni em sua obra \u201cA Sagrada Hierarquia explicada em seus h\u00e1bitos civis e eclesi\u00e1sticos\u201d (Roma, 1720), diz que o uso da veste branca pelos papas deriva do aparecimento de uma pomba branca no momento do mart\u00edrio de S\u00e3o Fabiano (L\u2019Osservatore Romano, 14 de julho de 2010).<\/p>\n<p>Independentemente das lendas e tradi\u00e7\u00f5es, o uso da veste branca pelos pont\u00edfices \u00e9 muito antigo: o mesmo Bonanni menciona o seu uso pelo papa V\u00edtor III, eleito em 1086.<\/p>\n<p>O tratado de liturgia \u201cRationale divinorum officiorum\u201c, que Guglielmo Durando escreveu por volta de 1286, traz a interpreta\u00e7\u00e3o considerada mais completa da cor das vestes papais: o branco remete \u00e0 pureza e \u00e0 santidade de vida, enquanto o vermelho simboliza o sacrif\u00edcio e o Sangue de Cristo derramado por n\u00f3s.<\/p>\n<p>O primeiro cerimonial pontif\u00edcio que aborda sistematicamente as vestes do papa \u00e9 o redigido por Greg\u00f3rio X entre 1272 e 1273, ao passo que a codifica\u00e7\u00e3o precisa faz parte do cerimonial escrito por Agostino Patrizi- Piccolomini e Giovanni Burcardo no final do s\u00e9culo XV. Este \u00faltimo cerimonial disp\u00f5e que o papa rec\u00e9m-eleito, vestido de branco, deve receber o manto pontif\u00edcio vermelho do cardeal prior dos di\u00e1conos, mantendo a estola de acordo com a sua ordem de perten\u00e7a (ou sem estola, caso o eleito n\u00e3o tenha nem mesmo a ordem diaconal). Assim revestido, com a mitra na cabe\u00e7a e sentado ao trono pontif\u00edcio no mesmo lugar da sua elei\u00e7\u00e3o, o novo papa deve receber, segundo este cerimonial, a promessa de obedi\u00eancia dos cardeais (L\u2019Osservatore Romano, 14 de julho de 2010). Com algumas diferencia\u00e7\u00f5es pontuais (o papa Francisco, por exemplo, n\u00e3o se sentou ao trono, mas recebeu em p\u00e9 a homenagem dos cardeais), esse rito foi preservado at\u00e9 tempos recentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/0 cappella-san-pio-v.jpg\" border=\"0\" align=\"right\" \/>A Capela de S\u00e3o Pio V<\/p>\n<p>E quanto a S\u00e3o Pio V? Quem visita o mosteiro de Santa Sabina no Aventino, a sede da Ordem dos Dominicanos, pode ver a capela de S\u00e3o Pio V na sala da qual partiu o cardeal Ghislieri para se tornar papa. Elevando-se o olhar, contempla-se a imagem s\u00f3bria do papa asceta, protagonista da Contrarreforma, a quem devemos o catecismo e a reforma do brevi\u00e1rio e do Missal Romano, vestido de branco e ajoelhado diante de um crucifixo. O frade e pont\u00edfice costumava beijar aquele crucifixo todas as noites, menos em uma, da qual se conta que um milagre aconteceu: a imagem do Cristo Crucificado teria afastado as pernas do beijo de S\u00e3o Pio V porque algu\u00e9m tinha colocado veneno contra o papa sobre o crucifixo!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/0 san-pio-v-e-langelo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Ou assim diz a lenda\u2026<\/p>\n<p>Na parede oposta da capela, S\u00e3o Pio V conversa com um anjo, que lhe mostra a cena de uma batalha naval. Em ora\u00e7\u00e3o, o papa aguardava not\u00edcias da batalha de Lepanto, entre os ex\u00e9rcitos do cristianismo e os otomanos isl\u00e2micos, em 7 de outubro de 1571. Foi quando Pio V teve uma vis\u00e3o de coros de anjos ao redor do trono da Virgem Sant\u00edssima com o Menino Jesus no colo e, na m\u00e3o, a coroa do ros\u00e1rio. Ap\u00f3s o evento milagroso, ao meio-dia, o papa deu ordens para que todos os sinos de Roma soassem em festa. S\u00f3 dois dias depois \u00e9 que um mensageiro trouxe a not\u00edcia confirmando o triunfo das for\u00e7as crist\u00e3s. Em 7 de outubro, foi institu\u00edda a festa de Santa Maria da Vit\u00f3ria, transformada depois na festa do Santo Ros\u00e1rio. Desde ent\u00e3o, ao meio-dia, reza-se o \u00e2ngelus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de uma tradi\u00e7\u00e3o que, entre teologia e lenda, volta \u00e0 lembran\u00e7a neste ano jubilar dominicano Ele n\u00e3o quer renunciar ao h\u00e1bito branco. Nem mesmo agora, que acaba de ser eleito papa. Michele Ghislieri, cujo nome de batismo era Antonio antes da profiss\u00e3o religiosa como frade dominicano, se tornou o 224\u00ba sucessor de S\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-12224","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12224","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12224"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12224\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27066,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12224\/revisions\/27066"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}