{"id":12179,"date":"2015-11-03T12:01:26","date_gmt":"2015-11-03T14:01:26","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/11\/03\/nem-todo-ouro-reluz\/"},"modified":"2017-05-09T13:53:39","modified_gmt":"2017-05-09T16:53:39","slug":"nem-todo-ouro-reluz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nem-todo-ouro-reluz\/","title":{"rendered":"Nem todo ouro reluz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"> Ele compra tudo. At\u00e9 a consci\u00eancia. At\u00e9 a dignidade. S\u00f3 n\u00e3o garante a plenitude eterna. Muitos dos seus dependentes j\u00e1 cruzaram meu caminho em tempos de vacas magras. Prestativos, sol\u00edcitos, olhares \u00e1vidos de aten\u00e7\u00e3o e carentes de amor, eram at\u00e9 solid\u00e1rios e sabiam partilhar da pr\u00f3pria pobreza. Amigos, poder-se-ia dizer. Gente simples, cheia de sonhos, que as agruras dos tempos dif\u00edceis me permitiram conhecer.<br \/> Engordaram seus rebanhos. Cruzam ainda meu caminho de quando em vez. Cad\u00ea o sorriso? Cad\u00ea a simplicidade de uma rela\u00e7\u00e3o sem preconceitos, sem interesses, mas que partilhava naturalmente projetos, ambi\u00e7\u00f5es, sonhos e ilus\u00f5es? Cad\u00ea a amizade para sempre, o bom-dia cordial, o oi-como-vai, o abra\u00e7o fraterno, a m\u00e3o estendida?<br \/> H\u00e1 rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es. Mas ainda bem que existem estas. Por conseguinte, as encontro quase semanalmente, n\u00e3o em clubes sociais, nem na esfera pol\u00edtica ou na associa\u00e7\u00e3o comercial, ou mesmo na cooperativa rural da cidade. As exce\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o capazes de um abra\u00e7o na hora da paz de nossas liturgias dominicais.<br \/> Por conta disso, eis que entre n\u00f3s se levanta uma corrente de energia maior, amizade aut\u00eantica, capaz de agradecer pelo passado de priva\u00e7\u00f5es, de sorrir por suas lembran\u00e7as, de reconhecer nele o fogo cristalizador de uma prova\u00e7\u00e3o divina. A necessidade partilhada, a solidariedade, fraternidade pura e desinteressada foram a escola que forjou amigos, n\u00e3o companheiros de infort\u00fanios apenas.<br \/> Ou Deus ou o dinheiro. Ou a confian\u00e7a serena no provedor da vida ou a submiss\u00e3o humilhante ao provedor da morte, das desgra\u00e7as m\u00faltiplas que esfacelam e trituram qualquer sinal de dignidade, brio na cara, vergonha mesmo.<br \/> Dinheiro n\u00e3o \u00e9 um mal, mas um bem necess\u00e1rio. A quest\u00e3o \u00e9 coloc\u00e1-lo no devido lugar. \u00c9 tamb\u00e9m senhor, pois proporciona a concretiza\u00e7\u00e3o de muitos sonhos, o alcance de uma vida digna, a realiza\u00e7\u00e3o dos projetos n\u00e3o somente pessoais, mas principalmente aqueles que visam o bem comum. Riqueza partilhada, bem planejada e administrada justamente \u00e9 a meta de um mundo mais santo, humano. Acima dele e de seu poder est\u00e1 o Plano de Amor estabelecido pelo Senhor de tudo, aquele que nos deu tudo o que temos, tudo o que somos.<br \/> Falta ao mundo essa vis\u00e3o do provedor maior. \u201cN\u00e3o se pode servir a dois Senhores\u201d. O endeusamento do poder gerado e alimentado pela for\u00e7a do capital \u00e9 hoje a maior desgra\u00e7a da sociedade, seja ela capitalista ou n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 o regime que dita as normas da conviv\u00eancia humana, mas sua maneira de submiss\u00e3o a essas normas. Qualquer mandamento ou constitui\u00e7\u00e3o humana, sem Deus, \u00e9 jugo, grilh\u00e3o da escravizante a\u00e7\u00e3o do poder monet\u00e1rio. Precisamos definir: ou um, ou outro.<br \/> A globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica colocou o dinheiro como fonte de todas as benesses. Pode at\u00e9 ser, no plano material. Mas h\u00e1 o custo social, ou, na linguagem crist\u00e3, a pr\u00e1tica da fraternidade universal. Sonho aparentemente ut\u00f3pico, mas poss\u00edvel de ser real. N\u00e3o sem antes restituir ao cora\u00e7\u00e3o de todos os povos o conhecimento e respeito \u00e0 \u00fanica fonte de vida plena: Deus. Sem a magnitude de seu poder, sem a submiss\u00e3o aos seus projetos, sem o respeito a seus mandamentos, nada somos, nada temos. Esse \u00e9 o grande dilema dos que constroem seus pedestais com a solidez de suas posses materiais, quando mais consistente e valiosa \u00e9 a riqueza dos bens espirituais. Esta n\u00e3o se aufere com cifras, n\u00fameros, pesos ou medidas especulativas, pois que a dimens\u00e3o divina \u00e9 infinita. Ele \u00e9 Soberano, Senhor dos C\u00e9us e da Terra. Oferece-nos um tesouro sem qualquer corros\u00e3o ou vulnerabilidade como aqueles que aqui amealhamos. Pois sua riqueza n\u00e3o pesa no bolso, mas no cora\u00e7\u00e3o. Possui a vol\u00e1til e impalp\u00e1vel leveza da alma submissa ao Amor do Pai. Esse nenhum dinheiro compra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele compra tudo. At\u00e9 a consci\u00eancia. At\u00e9 a dignidade. S\u00f3 n\u00e3o garante a plenitude eterna. Muitos dos seus dependentes j\u00e1 cruzaram meu caminho em tempos de vacas magras. Prestativos, sol\u00edcitos, olhares \u00e1vidos de aten\u00e7\u00e3o e carentes de amor, eram at\u00e9 solid\u00e1rios e sabiam partilhar da pr\u00f3pria pobreza. Amigos, poder-se-ia dizer. 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