{"id":12175,"date":"2015-10-31T03:00:00","date_gmt":"2015-10-31T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/10\/31\/basilicas\/"},"modified":"2017-05-09T14:10:12","modified_gmt":"2017-05-09T17:10:12","slug":"basilicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/basilicas\/","title":{"rendered":"Bas\u00edlicas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p> Neste domingo de todos os santos mais uma bas\u00edlica \u00e9 instalada em nossa Arquidiocese. J\u00e1 escrevemos sobre as diferen\u00e7as entre igrejas, matrizes, santu\u00e1rios, bas\u00edlicas, assim como as v\u00e1rias obriga\u00e7\u00f5es de uma bas\u00edlica. Al\u00e9m daquilo que hoje sabemos que \u00e9 importante para a miss\u00e3o de uma bas\u00edlica seria interessante tamb\u00e9m discorrer sobre os conceitos hist\u00f3ricos que precedem inclusive ao uso crist\u00e3o do termo.<br \/>Uma bas\u00edlica como defini\u00e7\u00e3o antiga \u00e9 uma estrutura arquitet\u00f4nica de origem romana que antigamente tinha uma fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e jur\u00eddica. O seu nome prov\u00e9m do termo latino \u201cbasilica\u201d, que, por sua vez, deriva do grego \u201c\u03b2\u03b1\u03c3\u03b9\u03bb\u03b9\u03ba\u03ae\u201d (foneticamente, \u201cbasilik\u00e9\u201d), palavra que significa \u201cr\u00e9gia\u201d ou \u201creal\u201d e que \u00e9 uma elipse da express\u00e3o completa \u201cbasilik\u00e9 oik\u00eda\u201d, que significa \u201ccasa real\u201d. <br \/> Este tipo de edif\u00edcio servia originalmente para as transa\u00e7\u00f5es comerciais a grande escala, e ao mesmo tempo era como uma esp\u00e9cie de juizado. Sua origem se encontra na \u00e9poca da Rep\u00fablica de Roma (entre os anos 509 e 27 a.C.).\u00a0 Com o passar do tempo, foram sendo acrescentadas diversas mudan\u00e7as estruturais inclusive algumas durante a \u00e9poca crist\u00e3. Ser\u00e1 a planta adotada pelos edif\u00edcios religiosos crist\u00e3os da \u00e9poca paleocrist\u00e3. <br \/> A \u201cplanta basilical\u201d \u00e9 formada por uma nave central maior que as laterais, tanto na largura quanto na altura. Composta por 3 ou 5 naves, na central podem abrir-se galerias de janelas. O teto costumava ser plano e de madeira, at\u00e9 que, em uma posterior evolu\u00e7\u00e3o, foi constru\u00eddo de pedra.\u00a0 Ao longo do tempo, os dois lados curtos se modificaram e foi acrescentada uma \u00eaxedra semicircular a um dos lados. Na \u00e9poca de Trajano, esta modifica\u00e7\u00e3o foi feita dos dois lados, como no caso da Bas\u00edlica Ulpia (96 d.C.). <br \/> Este tipo de estrutura foi aproveitada pelo imperador Constantino como modelo para os primeiros centros de culto crist\u00e3os que ele mesmo fundou (S\u00e3o Pedro, do Vaticano, e S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, em Roma), e assim permaneceu at\u00e9 a atualidade.\u00a0 Isso se deve, especialmente, ao car\u00e1ter de assembleia da liturgia crist\u00e3 e ao fato de que este tipo de espa\u00e7o permite acolher grande quantidade de pessoas, estabelecendo a hierarquia que lhe corresponde, com os fi\u00e9is distribu\u00eddos na nave (ou nas naves) e quem preside a cerim\u00f4nia, no presbit\u00e9rio.<br \/> Em muitos casos, os pr\u00f3prios edif\u00edcios da Roma antiga foram transformados em recinto religioso oficial para a celebra\u00e7\u00e3o da liturgia.\u00a0 Depois que a Imp\u00e9rio Romano se tornou oficialmente crist\u00e3o, o termo \u201cbas\u00edlica\u201d foi utilizado tamb\u00e9m para referir-se a determinadas igrejas geralmente grandes ou importantes \u00e0s quais haviam outorgado ritos especiais e privil\u00e9gios em mat\u00e9ria de culto. Da\u00ed deriva um pouco o sentido usado hoje, tanto do ponto de vista arquitet\u00f4nico quanto religioso. <br \/> Hoje, esse t\u00edtulo \u00e9 outorgado pelo Santo Padre de acordo com algumas exig\u00eancias. S\u00f3 existem 4 bas\u00edlicas com o t\u00edtulo de \u201cbas\u00edlica maior\u201d, todas elas situadas na cidade de Roma: S\u00e3o Pedro, S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, Santa Maria a Maior e S\u00e3o Paulo Extramuros.\u00a0 As demais bas\u00edlicas ostentam o t\u00edtulo de \u201cbas\u00edlica menor\u201d, e existem cerca de 1.500 ao redor do mundo.<br \/> Nesse sentido temos muitas no Brasil e algumas aqui na cidade de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, neste domingo acrescida com a igreja dedicada ao seu padroeiro neste ano de 450\u00ba anivers\u00e1rio da sua funda\u00e7\u00e3o.<br \/> Todos n\u00f3s conhecemos a Bas\u00edlica Nacional de Aparecida. \u00c9 conhecida como Santu\u00e1rio Nacional de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o Aparecida e \u00e9 o maior templo religioso do Brasil. Est\u00e1 localizada na cidade de Aparecida, no interior do Estado de S\u00e3o Paulo, Brasil. <br \/>Entre as v\u00e1rias bas\u00edlicas existentes no Rio de Janeiro (Nossa Senhora de Lourdes, Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria e Imaculada Concei\u00e7\u00e3o) recordo a de Santa Teresinha do Menino Jesus, localizada na Tijuca. O local onde hoje se localiza era outrora uma mans\u00e3o, pertencente \u00e0 baronesa de Itacuru\u00e7\u00e1 (1851-1917), e que foi adquirida em leil\u00e3o, em 1921, por frades carmelitas descal\u00e7os da Prov\u00edncia de S\u00e3o Jos\u00e9, oriundos de Minas Gerais. No dia 16 de mar\u00e7o daquele ano, foi aberta ao culto uma capelinha, consagrada a Nossa Senhora do Carmo, constru\u00edda na antiga sala de visitas da mans\u00e3o. Em 30 de outubro de 1924, celebrou-se a primeira missa das rosas da santinha de Lisieux.<br \/> Com a crescente devo\u00e7\u00e3o do povo brasileiro \u00e0 ent\u00e3o vener\u00e1vel Teresinha (que seria canonizada em 17 de maio de 1925), os frades carmelitas respons\u00e1veis pela administra\u00e7\u00e3o do local decidiram dedicar a ela o templo que ali seria erguido. Em 15 de outubro de 1921, D. Sebasti\u00e3o Leme (1882-1942), bispo coadjutor do Rio, benzeu a pedra fundamental do novo templo, e em 1924 tiveram in\u00edcio as obras de constru\u00e7\u00e3o. Quis a Provid\u00eancia favorecer largamente essa funda\u00e7\u00e3o, que viria a ser a primeira igreja do mundo dedicada a Santa Teresinha, pois no ano seguinte j\u00e1 puderam ser celebradas no local as festas de canoniza\u00e7\u00e3o da Santa. A igreja foi inaugurada em 16 de julho de 1927, na solenidade de Nossa Senhora do Carmo.<br \/> O templo, em estilo rom\u00e2nico, possu\u00eda originalmente nove altares de m\u00e1rmore trabalhado em Carrara (dos quais restam hoje tr\u00eas). Os vitrais retratam os principais fatos da vida de Santa Teresinha. Na fachada, severa e imponente, est\u00e3o duas est\u00e1tuas, de Santa Teresa e de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, e sobre a luneta da porta central, um baixo-relevo trabalhado de Santa Teresinha e de Nossa Senhora do Carmo. A obra grandiosa, de r\u00e1pida execu\u00e7\u00e3o, \u00e9 resultado do esfor\u00e7o incans\u00e1vel dos frades carmelitas, da ajuda maci\u00e7a do povo brasileiro, que de diversas partes enviava seus donativos, e da ajuda que prestaram os senhores Francisco de Paula Lacerda de Almeida, Carlo Vieira Pinto, Jos\u00e9 B. Martins Castilho, Jer\u00f4nimo Mesquita Cahal e Manuel Alves Lures, entre outros benfeitores da ordem.<br \/> Em 1927, por bula do Papa Pio XI, a igreja foi elevada \u00e0 dignidade de Bas\u00edlica, tendo atendido todos os requisitos para tal. A \u00faltima das condi\u00e7\u00f5es \u2013 possuir rel\u00edquias de um m\u00e1rtir \u2013 foi satisfeita gra\u00e7as ao zelo e interesse do saudoso Frei Seraphim de Santa Teresa, Vig\u00e1rio Provincial da Ordem Carmelitana Descal\u00e7a no Brasil e primeiro Prior da Bas\u00edlica, que conseguiu com frades da Prov\u00edncia Romana da Igreja Santa Maria della Scala a imagem com as rel\u00edquias de S\u00e3o Justino \u2013 que se encontra exposta em um dos altares laterais da bas\u00edlica, abaixo da imagem da Virgem do Sorriso. No ato solene de inaugura\u00e7\u00e3o da Igreja com o t\u00edtulo de bas\u00edlica, D. Sebasti\u00e3o Leme levou a audi\u00eancia \u00e0s l\u00e1grimas ao falar do amor de Santa Teresinha por Jesus e ao pedir que a flor de Lisieux atendesse as preces dos que ali estavam e fosse ao encontro das necessidades de cada um. Em seguida, rezaram-se as ora\u00e7\u00f5es can\u00f4nicas de praxe e encerrou-se a cerim\u00f4nia, em meio \u00e0 como\u00e7\u00e3o de todos os presentes.<br \/> As Bas\u00edlicas j\u00e1 existentes nesta cidade maravilhosa agora se acrescenta a de S\u00e3o Sebasti\u00e3o \u2013 sucessora da hist\u00f3rica igreja da cidade, atual igreja matriz a h\u00e1 pouco declarado santu\u00e1rio, neste ano de 450 anos da cidade foi-lhe concedido pelo Santo Padre o t\u00edtulo de Bas\u00edlica Menor. No dia 17 de julho, a Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou o decreto que concede o t\u00edtulo \u00e0 Igreja que fica localizada no bairro Tijuca.\u00a0 Uma Bas\u00edlica Menor \u00e9 uma Igreja com o t\u00edtulo concedido pelo Papa, considerada importante por diferentes motivos, tais como: venera\u00e7\u00e3o que lhe devotam os crist\u00e3os, transcend\u00eancia hist\u00f3rica e beleza art\u00edstica de sua arquitetura e decora\u00e7\u00e3o. O Santu\u00e1rio S\u00e3o Sebasti\u00e3o, no Rio de Janeiro, \u00e9 administrado pelos Frades Capuchinhos, e foi declarado Santu\u00e1rio arquidiocesano neste ano, durante as comemora\u00e7\u00f5es pelo dia do padroeiro, em 20 de janeiro. O templo possui especial valor afetivo para os cariocas (assim foi declarado pela Prefeitura Municipal), pois possui a guarda de tr\u00eas s\u00edmbolos importantes para a cidade: o marco de funda\u00e7\u00e3o, os restos mortais do fundador da cidade, Est\u00e1cio de S\u00e1, e a imagem hist\u00f3rica de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, padroeiro da Cidade do Rio de Janeiro que teria sido trazida por ele.<br \/> A Igreja de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, situada na Tijuca, Rio de Janeiro, foi inaugurada em 15 de agosto de 1931. Ela sucede a que antes estava no Morro do Castelo, que foi edificada em 1567, e reconstru\u00edda por Salvador de S\u00e1 em 1583. Para esse local foram transportados o que chamamos de \u201cRel\u00edquias Hist\u00f3ricas da Cidade\u201d: os restos mortais do fundador da cidade do Rio de Janeiro, Est\u00e1cio de S\u00e1, morto em 1567; o marco zero da cidade fundada em 1565, e a pequena imagem de S\u00e3o Sebasti\u00e3o de 1563 (sic). <br \/> Em 1842, a Igreja de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Castelo fora entregue aos cuidados dos frades capuchinhos. Essa igreja sobreviveu at\u00e9 1922 quando foi demolida juntamente com o Morro do Castelo. Embora com isso o Rio de Janeiro tenha perdido uma das partes de sua hist\u00f3ria antiga, muitas coisas foram transferidas para a atual igreja da Tijuca. <br \/> A Igreja de S\u00e3o Sebasti\u00e3o dos Capuchinhos foi elevada a par\u00f3quia em 9 de janeiro de 1947 pelo Cardeal Arcebispo Dom Jaime de Barros C\u00e2mara. No dia 8 de junho, instalou-se a nova par\u00f3quia de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Antigo Castelo tendo como primeiro p\u00e1roco o Frei Jacinto de Palazzolo, Ofmcap. Foi conservada aos capuchinhos a guardiania das \u201cRel\u00edquias Hist\u00f3ricas da Cidade do Rio de Janeiro. <br \/> Para esta nova Bas\u00edlica, a de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, lugar de grande devo\u00e7\u00e3o de todo o povo carioca, aonde se encontra a imagem original trazida por Est\u00e1cio de S\u00e1, queremos que este sinal lit\u00fargico e sacramental, de unidade desta Igreja Bas\u00edlica Santu\u00e1rio com a S\u00e9 de Pedro reafirme a nossa unidade com o Santo Padre e o nosso compromisso de fazer mais conhecido, amado e seguido o santo fundador de nossa cidade, S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Que o santo m\u00e1rtir guerreiro continue protegendo nossa cidade contra a peste, a fome e a guerra e interceda ao Senhor par que nos d\u00ea a paz!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo de todos os santos mais uma bas\u00edlica \u00e9 instalada em nossa Arquidiocese. J\u00e1 escrevemos sobre as diferen\u00e7as entre igrejas, matrizes, santu\u00e1rios, bas\u00edlicas, assim como as v\u00e1rias obriga\u00e7\u00f5es de uma bas\u00edlica. 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