{"id":12173,"date":"2015-10-31T03:00:00","date_gmt":"2015-10-31T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/10\/31\/a-esperanca-nao-decepciona-rom-55\/"},"modified":"2017-05-09T14:12:41","modified_gmt":"2017-05-09T17:12:41","slug":"a-esperanca-nao-decepciona-rom-55","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-esperanca-nao-decepciona-rom-55\/","title":{"rendered":"\u201cA esperan\u00e7a n\u00e3o decepciona\u201d (Rom 5,5)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Aos irm\u00e3os e irm\u00e3s cujas vidas est\u00e3o marcadas pelo sofrimento, <br \/>aos que j\u00e1 n\u00e3o conseguem vislumbrar uma centelha de esperan\u00e7a,<br \/>aos que experimentam cotidianamente a viol\u00eancia,<br \/>aos que deixaram de acreditar no amor e na bondade,<br \/>a todos os leigos e leigas que levam adiante com alegria a miss\u00e3o,<br \/>aos sacerdotes, di\u00e1conos, consagrados e consagradas<br \/>e aos irm\u00e3os bispos auxiliares,<br \/>que tanto auxiliam na minha miss\u00e3o na <br \/>Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>1.\u00a0\u00a0\u00a0 Pela terceira vez, dirijo-me aos irm\u00e3os e irm\u00e3s desta amada Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro atrav\u00e9s de uma Carta Pastoral. Tendo manifestado o que penso e sinto a respeito de minha miss\u00e3o como pastor desta parcela da Igreja de Deus\u00a0\u00a0 e tendo expressado a alegria da consagra\u00e7\u00e3o , volto-me agora para um tema que marcou a nossa vida neste ano: a esperan\u00e7a. \u00c9 um tema sempre atual e urgente. Por isso, ao chegar ao final deste tempo aben\u00e7oado, gostaria de deixar registrada esta minha reflex\u00e3o. Sou motivado pelo atual Plano Arquidiocesano de Pastoral, que a prop\u00f4s como refer\u00eancia evangelizadora para o Rio de Janeiro para este ano de 2015 (at\u00e9 a pr\u00f3xima festa da Unidade, vig\u00edlia de Cristo Rei). Sou, por\u00e9m, igualmente motivado por tudo que vejo e ou\u00e7o ao percorrer nossa cidade. S\u00e3o agora seis anos que me tornei carioca no cora\u00e7\u00e3o e na gratid\u00e3o pelo acolhimento que tive e que nunca deixou de existir. Ao contr\u00e1rio, o acolhimento do carioca a mim aumenta a cada dia. Sem merecer, agrade\u00e7o a cada um e a Deus que fez este povo t\u00e3o carinhoso e acolhedor. As minhas visitas \u00e0s Par\u00f3quias e celebra\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre para mim motivos de servir ainda mais a este querido povo de Deus que aqui caminha.<br \/>2.\u00a0\u00a0\u00a0 A esperan\u00e7a \u00e9 sempre um tema indispens\u00e1vel. Aprendemos desde crian\u00e7as que tudo pode ir embora exceto, exatamente, a esperan\u00e7a. Quando n\u00f3s a deixamos partir, de algum modo, abrimos m\u00e3o da pr\u00f3pria vida. A esperan\u00e7a, diz a sabedoria, \u00e9 a \u201c\u00faltima que morre\u201d. A nenhuma outra criatura, Deus cumulou de esperan\u00e7a. Se Ele a deu a n\u00f3s, seres humanos, \u00e9 porque, sem ela, n\u00e3o conseguiremos seguir nossas vidas nem buscar a Deus, fonte de toda esperan\u00e7a. <br \/>3.\u00a0\u00a0\u00a0 Historicamente, surgem tempos em que a esperan\u00e7a se torna um tema urgente. S\u00e3o momentos em que n\u00e3o conseguimos mais enxergar a t\u00e3o buscada luz no fim do t\u00fanel, momentos em que, direta ou indiretamente, dizemos n\u00e3o haver mais jeito. A guerra, a morte, a viol\u00eancia, o desrespeito ao ser humano, as brigas familiares, as separa\u00e7\u00f5es, tudo isso tende a levar embora a esperan\u00e7a. Isto ocorre, de maneira particular, neste tempo em que o mundo vive tantas incertezas diante das guerras, \u00eaxodos, migra\u00e7\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es e o nosso pa\u00eds enfrenta tantas situa\u00e7\u00f5es ca\u00f3ticas de confus\u00f5es, necessidades e questionamentos.<br \/>4.\u00a0\u00a0\u00a0 O que dizer, por exemplo, \u00e0 m\u00e3e cujo filho \u00e9 morto enquanto brincava na porta de casa, achando-se seguro? O que dizer aos familiares do idoso que falece na porta do hospital porque, ap\u00f3s longa peregrina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o consegue tratamento? O que dizer cada vez que os notici\u00e1rios apresentam um novo caso de corrup\u00e7\u00e3o, com valores que sequer podemos imaginar de t\u00e3o altos? O que dizer quando o testemunho dos batizados e batizadas n\u00e3o corresponde ao Evangelho que deveriam anunciar, antes de tudo, com a vida? Questionamentos que nos levam a pensar sobre que mundo est\u00e1 sendo constru\u00eddo e por que est\u00e1 sendo feito assim.<br \/>5.\u00a0\u00a0\u00a0 Estas s\u00e3o algumas perguntas que, no sil\u00eancio do cora\u00e7\u00e3o e na ora\u00e7\u00e3o, eu apresento \u00e0 minha consci\u00eancia de pastor e ao Deus que me chamou para esta miss\u00e3o. Diante de tantas ang\u00fastias, vem \u00e0 minha mente a preocupa\u00e7\u00e3o pela esperan\u00e7a. O sofrimento, por pior que seja, n\u00e3o pode matar a esperan\u00e7a. \u00c9 preciso continuar vivendo, caminhando, levando a vida para frente, ainda que marcada por cicatrizes existenciais que, a qualquer instante, haver\u00e3o de se manifestar como lembran\u00e7a de imensas dores. Sendo crist\u00e3o, batizado, consagrado e pastor desta cidade, tenho a esperan\u00e7a como uma de minhas maiores preocupa\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso deixar acesa a chama da esperan\u00e7a, por mais fr\u00e1gil que ela venha a ser. Ao findar o ano com este tema, a reflex\u00e3o e o an\u00fancio n\u00e3o podem terminar. \u00c9 esse meu desejo: sermos uma Igreja samaritana, em sa\u00edda, anunciando a alegria do Evangelho para as situa\u00e7\u00f5es de periferias existenciais, testemunhando a esperan\u00e7a com a\u00e7\u00f5es concretas.<br \/>6.\u00a0\u00a0\u00a0 A origem do Ano Arquidiocesano da Esperan\u00e7a encontra-se no 11\u00ba Plano de Pastoral, um Plano que solicitei providenciarem assim que cheguei ao Rio de Janeiro. Vigente de 2012 a 2016, o plano prop\u00f4s para cada ano uma das virtudes teologais, acompanhada sempre por um gesto concreto. Em 2013, ano dedicado \u00e0 F\u00e9, celebramos a Jornada Mundial da Juventude. Em 2014, ano dedicado \u00e0 Caridade, recolhemos 180 toneladas de alimentos para os irm\u00e3os do Haiti. Agora, em 2015, ano dedicado \u00e0 Esperan\u00e7a, fomos convidados a sair em miss\u00e3o e anunciar Jesus Cristo, origem e meta de nossa exist\u00eancia. Este gesto vai se concretizar depois da primeira visita e das tr\u00eas reuni\u00f5es e encontro nas par\u00f3quias, com uma bela novena de Natal, quando esperamos que se multipliquem os grupos de reflex\u00e3o ou c\u00edrculos b\u00edblicos em nossa Arquidiocese. E, com isso, j\u00e1 estaremos no \u201cAno do Jubileu da Miseric\u00f3rdia\u201d, convocado pelo Papa Francisco.<br \/>7.\u00a0\u00a0\u00a0 Algumas pessoas me perguntam por que tantos anos tem\u00e1ticos. De fato, tem crescido recentemente o h\u00e1bito de atribuir a determinado per\u00edodo do tempo um tema. Assim est\u00e1 ocorrendo em 2015. Para toda a Igreja, \u00e9 o Ano da Vida Consagrada. Para o Brasil, \u00e9 o Ano da Paz. Para o Rio de Janeiro, \u00e9 o Ano da Esperan\u00e7a. Tamb\u00e9m a sociedade civil apresenta diversos outros motivos para serem celebrados ao longo deste ano. Aprendi a ver cada uma dessas indica\u00e7\u00f5es como ajudas num tempo de incertezas. Em lugar de me assustar com tantas propostas, devo buscar integr\u00e1-las no sentido maior para a minha vida. Como consagrado, caminho na esperan\u00e7a, buscando dar minha contribui\u00e7\u00e3o para construir a paz. A liturgia da Igreja nos conduz e os temas dos dias, semanas, meses e anos nos ajudam a refletir sobre atitudes concretas que a Palavra di\u00e1ria alimenta.<br \/>8.\u00a0\u00a0\u00a0 Estes anos tem\u00e1ticos, bem sabemos, remetem \u00e0 experi\u00eancia b\u00edblica do jubileu. De tempos em tempos, o povo de Deus era convocado a rever toda a vida, recordando as origens e corrigindo os erros cometidos. O jubileu \u00e9 uma experi\u00eancia profundamente humana e divina. \u00c9 dom de Deus para o ser humano e para toda a sociedade. Por isso, convido cada irm\u00e3o e irm\u00e3 a se unir na celebra\u00e7\u00e3o de tantas motiva\u00e7\u00f5es. Todas elas nos impulsionam para a perman\u00eancia na esperan\u00e7a. E, sem d\u00favida, de uma certa maneira, este ano nos preparou para a viv\u00eancia desse momento mundial que est\u00e1 no centro das preocupa\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es do Papa Francisco: o Jubileu da Miseric\u00f3rdia, a iniciar-se no pr\u00f3ximo dia 8 de dezembro.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 nossa Esperan\u00e7a! <br \/>9.\u00a0\u00a0\u00a0 Nossa esperan\u00e7a tem um nome: Jesus Cristo (1 Tm 1,1). Nele, com Ele e por Ele, vivemos cada dia de nossa exist\u00eancia atravessando amarguras e celebrando alegrias. Os Evangelhos nos revelam um Jesus inquieto, que n\u00e3o aceita parar, que se recusa a permanecer fechado em si mesmo, pois, sendo Amor (1 Jo 4,17), tem incessantemente sua aten\u00e7\u00e3o voltada para todos n\u00f3s, especialmente nos momentos de dor (Lc 7,11ss; Mc 8,22ss; Mc 10,46ss; Jo 11,1-45). Ao olharmos as Escrituras, encontramos Jesus presente em todos os lugares (Mt 9,35; Jo 2,1ss; Jo 4,6ss), no meio de todas as pessoas (Mt 9,10-11; Lc 19,7), em todas as horas (Lc 4,42). Se lhe recomendam parar, mostra o caminho a seguir (Lc 4,43). Sua solidariedade com os desesperan\u00e7ados O leva para junto dos que, tombados \u00e0 margem da vida, precisam de for\u00e7as para se reerguer e continuar a caminhar. Os Evangelhos est\u00e3o repletos de vidas que encontram em Jesus for\u00e7as para se erguerem e cantarem louvores, seguindo-O na esperan\u00e7a e anunciando o Reino de Deus (Lc 18,35-43).<br \/>10.\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus \u00e9 a Ressurrei\u00e7\u00e3o e a Vida! \u00c9 a vit\u00f3ria sobre todos os limites para que o amor de Deus se manifeste em sua plenitude. N\u00f3s cremos no Ressuscitado, naquele que, amando-nos at\u00e9 o extremo (Jo 13,1), venceu o pecado e a morte, abrindo para n\u00f3s, de modo definitivo, o caminho da esperan\u00e7a. Por isso, fazendo nossas as palavras de S\u00e3o Pedro, repetimos, quando nos apresentam outras fontes onde buscarmos a esperan\u00e7a: \u201caonde iremos, Senhor, se s\u00f3 tu tens palavras de vida eterna?\u201d Por isso, com S\u00e3o Paulo, podemos cantar, ainda que em meio a muitas ang\u00fastias: \u201c\u00f3 morte, onde est\u00e1 tua vit\u00f3ria?\u201d (1 Cor 15,55). E, acrescentando nossas palavras: \u00d3 dor, onde est\u00e1 a tua for\u00e7a? \u00d3 desesperan\u00e7a, onde est\u00e1 teu fundamento?<br \/>11.\u00a0\u00a0\u00a0 O Ano Arquidiocesano da Esperan\u00e7a tem sido, portanto, tamb\u00e9m um tempo para nos voltarmos em dire\u00e7\u00e3o a Jesus Cristo. Tempo para come\u00e7armos ou recome\u00e7armos nossas vidas a partir Dele. Conscientes de que n\u00e3o nos quer apenas como servos, mas, acima de tudo, como amigos (Jo 15,13-15), sabemos onde colocamos nossa esperan\u00e7a (Sl 40,1). Podemos sofrer, passamos por ang\u00fastias, mas n\u00e3o somos derrotados (2 Cor 4,8-9). Em consequ\u00eancia, permane\u00e7amos sempre prontos a dar a raz\u00e3o de nossa esperan\u00e7a a quem nos pedir (1 Pd 3,15) e que o Deus da esperan\u00e7a nos cumule de toda alegria e paz em nossa f\u00e9, a fim de que, pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, a nossa esperan\u00e7a transborde (Rm 15,13). Alimentemos nossa esperan\u00e7a. Transmitamos nossa esperan\u00e7a. Diante de uma dura realidade de viol\u00eancia e incerteza como hoje, o cat\u00f3lico deve ser, baseado no encontro com Cristo Ressuscitado, testemunha da esperan\u00e7a!<\/p>\n<p>Alimentos para a esperan\u00e7a<br \/>12.\u00a0\u00a0\u00a0 Para se manter, a esperan\u00e7a necessita ser alimentada. \u00c9 como a chama de uma lamparina: pequena, \u00e0s vezes pouco valorizada diante de grandes luminares, mas cuja import\u00e2ncia se manifesta quando todas as outras formas de luzes j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o capazes de iluminar as escurid\u00f5es que aparecem no dia-a-dia. Podemos at\u00e9 exemplificar com os aparelhos eletr\u00f4nicos atuais. Eles nos permitem fazer muitas coisas. Necessitam, por\u00e9m, ser recarregados, alimentados. Caso contr\u00e1rio, quando mais precisarmos deles, n\u00e3o ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de nos ajudar.<br \/>13.\u00a0\u00a0\u00a0 A esperan\u00e7a \u00e9 alimentada, pelo menos, de duas formas: na ora\u00e7\u00e3o e na a\u00e7\u00e3o. Entre a esperan\u00e7a e a ora\u00e7\u00e3o existe um forte elo. Por termos esperan\u00e7a no Deus da Esperan\u00e7a, colocamo-nos diante dele, em ora\u00e7\u00e3o. Uma das consequ\u00eancias da ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o fortalecimento da esperan\u00e7a. Homens e mulheres de esperan\u00e7a s\u00e3o tamb\u00e9m homens e mulheres que rezam, que n\u00e3o se fecham na autossufici\u00eancia e na prepot\u00eancia de se acharem capazes de tudo. Em meio a todas as criaturas, somente aos seres humanos o Criador deu a gra\u00e7a de rezar, de colocar-se diante dele, abrir-lhe o cora\u00e7\u00e3o e dele receber for\u00e7as para permanecer de p\u00e9, caminhando. Se queremos, pois, ser gente de esperan\u00e7a, criaturas que correspondem ao desejo do Criador, n\u00e3o deixemos de rezar. Dentre tudo com que o Criador nos cumulou, possivelmente rezar seja a atitude mais simples. Basta nos colocarmos diante daquele que j\u00e1 est\u00e1 junto a n\u00f3s. As diversas orienta\u00e7\u00f5es, os caminhos e m\u00e9todos para ora\u00e7\u00e3o querem ser ajudas para que cada pessoa, com sua personalidade e hist\u00f3ria de vida, consiga se colocar diante do Deus da Esperan\u00e7a. No entanto, mesmo sem conhecer o rico tesouro que a Igreja possui em termos de caminhos para a ora\u00e7\u00e3o, qualquer pessoa pode e deve se colocar diante de Deus. Tudo o mais o pr\u00f3prio Deus far\u00e1. Convido todos os queridos irm\u00e3os a se empenharem ainda mais, pessoalmente, em fam\u00edlia ou em comunidade, a viver uma vida de intensa ora\u00e7\u00e3o, que alimente em n\u00f3s a esperan\u00e7a.<br \/>14.\u00a0\u00a0\u00a0 Neste colocar-se diante de Deus, sabemos como \u00e9 importante a participa\u00e7\u00e3o sacramental! Pelo Batismo, saio das \u00e1guas lavado de toda desesperan\u00e7a. Torno-me, entre outros aspectos, uma pessoa de esperan\u00e7a, pois o Batismo me aponta para o futuro, levando-me a uma vida na f\u00e9 e na caridade. A Reconcilia\u00e7\u00e3o, que mais conhecemos como Confiss\u00e3o ou Penit\u00eancia, \u00e9 fonte de esperan\u00e7a na medida em que separa o pecador do pecado cometido. Quando o sacerdote, em nome de Cristo, absolve dos pecados, ele tamb\u00e9m est\u00e1 dizendo \u201ceu te restituo a esperan\u00e7a\u201d. Ao manifestar o amor misericordioso de Deus, o sacerdote nos leva a perceber que a esperan\u00e7a \u00e9 restitu\u00edda e o caminho deve ser retomado. O Ano do Jubileu da Miseric\u00f3rdia, que se aproxima, dever\u00e1 ser um belo momento de incrementarmos a celebra\u00e7\u00e3o do Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o e, com as v\u00e1rias iniciativas em nossas comunidades, levarmos tantas pessoas a fazerem a experi\u00eancia da miseric\u00f3rdia. <br \/>15.\u00a0\u00a0\u00a0 A Eucaristia \u00e9 o alimento da esperan\u00e7a! Com esta certeza, celebramos a Semana Eucar\u00edstica de 2015 e a Solenidade do Corpo e Sangue do Senhor. Assim motivados, realizamos as horas santas no Santu\u00e1rio Nacional da Adora\u00e7\u00e3o Perp\u00e9tua e nas demais comunidades, bem como a prociss\u00e3o, que juntos fizemos para testemunhar nossa f\u00e9 e nossa esperan\u00e7a. Agora nos reunimos \u00e0s v\u00e9speras de Cristo Rei para celebrar, na festa da Unidade, que \u201ca esperan\u00e7a n\u00e3o decepciona\u201d. Ao comungarmos, unimo-nos a Jesus e, nesta uni\u00e3o, percebemos que se fortalecem em n\u00f3s a F\u00e9, a Esperan\u00e7a e a Caridade. Este \u00e9 o grande efeito do banquete celestial, onde nos \u00e9 servido o melhor dos p\u00e3es, o P\u00e3o Divino: feito do mais simples e humilde p\u00e3o humano, um p\u00e3o sem fermento, temperos ou recheios, mas transubstanciado pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. No mist\u00e9rio da simplicidade do p\u00e3o humano, manifesta-se o amor d\u2019Aquele que se fez P\u00e3o do C\u00e9u. E, do mist\u00e9rio do P\u00e3o do C\u00e9u, decorrem nossa esperan\u00e7a e for\u00e7a para caminharmos em meio \u00e0s tribula\u00e7\u00f5es da vida. \u00c9 em torno da Eucaristia que nos unimos sempre e cada vez mais.<br \/>16.\u00a0\u00a0\u00a0 O Senhor Jesus n\u00e3o nos deixou, como memorial de sua Paix\u00e3o, algo complexo e, portanto, inating\u00edvel para muitos. Ao contr\u00e1rio, deixou-nos a Eucaristia, simples para ser consumida como express\u00e3o da profunda comunh\u00e3o entre Ele e n\u00f3s, simples para ser adorada por quem quer que seja, simples para ser levada aos enfermos e aos impedidos de participarem da celebra\u00e7\u00e3o do memorial do Senhor. Simples, enfim, como o Eterno e Todo-Poderoso \u00e9 simples. Como \u00e9 importante fazer com que os nossos irm\u00e3os enfermos ou idosos, que n\u00e3o podem se locomover, se sintam unidos \u00e0 comunidade atrav\u00e9s da presen\u00e7a da Eucaristia em seus leitos!<br \/>17.\u00a0\u00a0\u00a0 Dentre os textos b\u00edblicos que t\u00eam alimentado a ora\u00e7\u00e3o e a reflex\u00e3o dos cat\u00f3licos cariocas no Ano da Esperan\u00e7a, encontra-se um momento especial na vida do profeta Elias (1 Rs 19,1-8). O profeta, como sabemos, perdeu toda a esperan\u00e7a. Perseguido injustamente, tombou junto a uma grande \u00e1rvore e pediu a morte. Em meio \u00e0 sua desesperan\u00e7a, o Anjo do Senhor veio at\u00e9 ele, alimentou-o para que continuasse caminhando. O profeta imaginava que seu \u00fanico apoio seria a grande \u00e1rvore, mas seu verdadeiro apoio era o Senhor. O profeta imaginava que seu futuro seria a morte, mas seu verdadeiro futuro seria caminhar at\u00e9 a morada do Senhor, representada pelo Monte Horeb. O profeta imaginava que sua for\u00e7a viria do descanso \u00e0 sombra da grande \u00e1rvore, mas sua verdadeira for\u00e7a veio do alimento trazido pelo Anjo. <br \/>18.\u00a0\u00a0\u00a0 Nesta experi\u00eancia do profeta, os crist\u00e3os, desde cedo, enxergaram a Eucaristia, alimento para a esperan\u00e7a. Na persegui\u00e7\u00e3o ao profeta, podemos imaginar os diversos motivos para desanimar e, \u00e0 semelhan\u00e7a daquele homem que, pouco antes, se mostrava t\u00e3o corajoso e confiante (1 Rs 18-,1-39), podemos tamb\u00e9m desanimar e at\u00e9 pedir a morte. Em nossa vida, sempre haver\u00e1 momentos iguais a esse. Na imagem da grande \u00e1rvore, podemos enxergar os apoios aos quais nos agarramos na hora do desespero, iludindo-nos \u00e0s vezes com a apar\u00eancia de poder e for\u00e7a, como era o caso da grande \u00e1rvore. O Senhor nos conhece e compreende. Ele sabe de nossos sofrimentos e des\u00e2nimos. Sabe tamb\u00e9m que, nas horas mais dif\u00edceis, tendemos a nos apoiar no que surge de imediato. Entretanto, em seu amor, sem deixar de ser o Todo-Poderoso, Ele se manifesta simples, pequeno, fr\u00e1gil, carinhoso e atencioso. Atrav\u00e9s do Anjo, Ele cuidou do profeta. Alimentou-o pacientemente, fornecendo-lhe repetidas por\u00e7\u00f5es do alimento que revigora. Assim alimentado, o profeta se ergueu e caminhou at\u00e9 o local de Deus (Ex 19,20-20,26). Elias experimentou e nos mostra que Deus ama, compreende, alimenta e aguarda. Como n\u00e3o ter esperan\u00e7a?<br \/>19.\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m n\u00f3s, diante do Senhor Sacramentado, reconhecemos que \u201cEle nos amou at\u00e9 o fim\u201d (Jo 13,1), n\u00e3o nos entregando algo, mas dando-se a si mesmo em alimento, for\u00e7a para permanecer caminhando, ainda que tudo ao redor nos empurre para o des\u00e2nimo e a desist\u00eancia. Pela Eucaristia, o Senhor cuida de seu povo. Ela \u00e9 p\u00e3o para os fracos e para os que se acham fortes; para os pecadores e para os que reconhecem que necessitam perseverar na santidade; para os enfermos e os sadios; para que os abatidos se revigorem e os fortalecidos assim permane\u00e7am. A Eucaristia \u00e9, portanto, alimento da esperan\u00e7a!<br \/>20.\u00a0\u00a0\u00a0 A esperan\u00e7a \u00e9 igualmente alimentada pela a\u00e7\u00e3o. Talvez algu\u00e9m considere estranho que eu assim me manifeste, pois costumamos dizer o contr\u00e1rio. Dizemos que a esperan\u00e7a alimenta a a\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 verdade, mas \u00e9 igualmente verdade que cada ato de amor, de caridade, de perd\u00e3o e de an\u00fancio do Evangelho produz, entre seus efeitos, o fortalecimento da esperan\u00e7a em quem o pratica. \u00c9 certo que nem sempre conseguimos fazer tudo que gostar\u00edamos e precisar\u00edamos. Reconhe\u00e7o que nem sempre temos condi\u00e7\u00f5es de ser os evangelizadores que desejamos. Lembro, por\u00e9m, que, se a dist\u00e2ncia entre o sonho e a realidade \u00e9 demasiada, podemos come\u00e7ar com pequenos passos. Se n\u00e3o desanimarmos e dermos estes poucos passos, a esperan\u00e7a se fortalece. E, assim como o profeta Elias, que caminhou quarenta dias e quarenta noites at\u00e9 o monte de Deus, tamb\u00e9m n\u00f3s caminhamos na pr\u00e1tica do amor, da caridade e no an\u00fancio do Evangelho. Os omissos e os inertes assassinam a esperan\u00e7a. Tenho visto, por\u00e9m, que a a\u00e7\u00e3o, como consequ\u00eancia do Evangelho que acontece em tantos lugares da Arquidiocese, tamb\u00e9m em momentos dif\u00edceis, alimenta a esperan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o de nosso povo.<\/p>\n<p>Esperan\u00e7a e Miss\u00e3o<br \/>21.\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 por isso que eu me alegro tanto ao ver como temos correspondido com generosidade atrav\u00e9s do gesto concreto do Ano da Esperan\u00e7a que se liga \u00e0 miss\u00e3o. Como j\u00e1 mencionei antes, na estrutura do 11\u00ba Plano de Pastoral de nossa Arquidiocese, cada ano foi dedicado a uma virtude teologal, com um gesto concreto. No Ano da Esperan\u00e7a, sa\u00edmos em miss\u00e3o (saliento que esta atitude deve ser permanente). Desde sua origem, a Igreja sempre se reconheceu em sa\u00edda, em movimento, em miss\u00e3o. Neste caminhar, ao longo dos s\u00e9culos, alguns momentos colocaram a miss\u00e3o num destaque ainda maior. Estamos vivendo um desses per\u00edodos hist\u00f3ricos em que a miss\u00e3o se torna mais que uma indica\u00e7\u00e3o pastoral. Ela se torna urg\u00eancia, fazendo-nos deixar de lado tudo mais para atend\u00ea-la, pois ela pede aten\u00e7\u00e3o imediata. Al\u00e9m deste ano, em que se escolheu uma parcela da par\u00f3quia para as reuni\u00f5es e visitas, a nossa proposta \u00e9 que a cada ano uma outra parte seja visitada e a ela anunciada a esperan\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o em Cristo Jesus. E assim, se estabele\u00e7a uma continuidade em nossa Arquidiocese, fazendo eco ao pedido do documento de Aparecida: sermos a miss\u00e3o permanente.<br \/>22.\u00a0\u00a0\u00a0 Dores, incertezas, conflitos, solid\u00e3o e tantas outras situa\u00e7\u00f5es de sofrimento imploram aos cat\u00f3licos que saiam de seus confortos pastorais, joguem as redes mais longe (Lc 5,4, NMI 1), avancem rumo \u00e0s periferias existenciais , express\u00e3o t\u00e3o cara ao Papa Francisco, e anunciem a beleza da Esperan\u00e7a que brota do Evangelho. Como pastor, n\u00e3o deixo de me angustiar ao reconhecer que todo ser humano tem direito a ouvir o an\u00fancio do Evangelho. Se o Evangelho n\u00e3o for aceito, ficarei triste e preocupado, imaginando novas formas de apresent\u00e1-lo. Entretanto, angustio-me bem mais com o Evangelho que n\u00e3o \u00e9 apresentado. Lembro que n\u00e3o seremos cobrados pela aceita\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o do Evangelho. Seremos cobrados por o termos anunciado ou n\u00e3o (Mc 19,15-16). Exorto, pois, o cora\u00e7\u00e3o de cada diocesano para que, impregnado pelo ardor mission\u00e1rio, responda com generosidade a este apelo, hoje e sempre!<br \/>23.\u00a0\u00a0\u00a0 Neste tempo em que estou no Rio de Janeiro, aprendi que o carioca se alegra em ser crist\u00e3o, em participar da Igreja e, nela e com ela, anunciar o Evangelho. Agrade\u00e7o a Deus a vigorosa a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria desenvolvida em diversas frentes, desde os que generosamente se dispuseram a permanecer algum tempo em outros locais, at\u00e9 os que, h\u00e1 d\u00e9cadas, v\u00eam participando do que chamamos de miss\u00f5es populares. S\u00e3o formas diferentes de viver o mesmo an\u00fancio da Boa Nova. Meu sonho de pastor \u00e9 que todas essas formas se integrem cada vez mais, que se revigore nos cat\u00f3licos o desejo de animar outros a viver a miss\u00e3o, que todos os lares sejam visitados e que o Evangelho, enfim, seja anunciado, especialmente a quem dele est\u00e1 distante. \u00c9 o que sempre tenho dito: os diversos carismas a servi\u00e7o da comunidade devem se conjugar na unidade! Unidade na diversidade! Todos os diversos dons conjugados na mesma dire\u00e7\u00e3o! \u201cQue todos sejam um\u201d!<br \/>24.\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00f3s, os crist\u00e3os, colocamos nossa esperan\u00e7a na vida eterna. Temos plena consci\u00eancia de que \u201cn\u00e3o temos aqui morada permanente\u201d (Hb 13,14; 2 Cor 5,1) e que, se nossa esperan\u00e7a se limita apenas a esta vida, somos dignos de pena (1 Cor 15,19). Nosso sonho est\u00e1 al\u00e9m de tudo que nossos olhos podem ver e nossas m\u00e3os podem tocar (1 Cor 2,9). Isto, por\u00e9m, n\u00e3o nos isenta da responsabilidade pelas realidades deste mundo. Ao contr\u00e1rio, nos insere muito diretamente nas alegrias e esperan\u00e7as de todas as pessoas, sobretudo das que sofrem (GS 1). Neste ano em que celebramos o cinquenten\u00e1rio de encerramento do Conc\u00edlio Vaticano II e a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral \u201cGaudium et Spes\u201d, somos convocados a sair em miss\u00e3o, na certeza de que, buscando e anunciando a vida eterna, nossos cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o voltados para o alto, mas nossos p\u00e9s est\u00e3o enraizados no ch\u00e3o da vida. A nossa presen\u00e7a no mundo deve ser cada vez mais efetiva e, de modo especial, nestes tempos de tantas incertezas e desesperan\u00e7as. Ao anunciarmos a esperan\u00e7a, n\u00f3s o fazemos tamb\u00e9m com atitudes concretas de nossas vidas.<\/p>\n<p>Nossa esperan\u00e7a mission\u00e1ria n\u00e3o tem limites<br \/>25.\u00a0\u00a0\u00a0 Por isso, n\u00e3o tenho me cansado de repetir, como o Papa Francisco, a urgente necessidade de irmos \u00e0s periferias existenciais. Penso que devamos refletir bastante sobre o que o Santo Padre nos quer dizer com esta express\u00e3o t\u00e3o rica em significado. Os exemplos e as concretiza\u00e7\u00f5es destas periferias existenciais s\u00e3o in\u00fameros, pois nelas est\u00e3o todos os que, marcados por suas dores, sonhos, lutas e esperan\u00e7as, encontram-se afastados de Jesus Cristo e da Igreja. Num mundo de profundas transforma\u00e7\u00f5es, j\u00e1 n\u00e3o conseguem enxergar a import\u00e2ncia de irem at\u00e9 uma comunidade eclesial e, ali, com Jesus Cristo, recuperar as for\u00e7as e perseverar caminhando em meio \u00e0s tribula\u00e7\u00f5es e alegrias da vida. Por isso, j\u00e1 n\u00e3o basta mais sermos uma Igreja que apenas acolhe. Precisamos ser tamb\u00e9m uma Igreja que sai ao encontro. Precisamos ser uma Igreja em sa\u00edda (EG 20-24). Mantemos a consci\u00eancia e as atitudes de acolhimento. Enriquecemos, por\u00e9m, nossa a\u00e7\u00e3o evangelizadora com as atitudes mission\u00e1rias. Somos uma Igreja que, ao mesmo tempo, acolhe os que v\u00eam e sai em busca dos que n\u00e3o v\u00eam, dos que est\u00e3o distantes. <br \/>26.\u00a0\u00a0\u00a0 Mesmo reconhecendo a dificuldade em indicar quais sejam as periferias existenciais (imposs\u00edvel enumerar todas), pois, na indica\u00e7\u00e3o, diversas realidades ser\u00e3o deixadas de fora, gostaria de recordar algumas que, no cotidiano de minha vida de pastor, tenho encontrado. A elas, dedico minha ora\u00e7\u00e3o e para elas pe\u00e7o a carinhosa aten\u00e7\u00e3o pastoral dos cat\u00f3licos individualmente, dos grupos, associa\u00e7\u00f5es e comunidades. A cada cumprimento nas portas das Igrejas, cada um que se achega sempre traz consigo uma dor ou um ferimento em sua vida e em sua exist\u00eancia. S\u00e3o tantos que nos impelem ainda mais a ser sinais de esperan\u00e7a para este nosso querido povo!<br \/>27.\u00a0\u00a0\u00a0 Neste ano em que a Igreja realizou o S\u00ednodo sobre a Fam\u00edlia, recentemente conclu\u00eddo, n\u00e3o posso deixar de reconhecer na fam\u00edlia uma dessas periferias existenciais. Reconhe\u00e7o todo o trabalho feito pela Pastoral Familiar, pelos movimentos e por todos, enfim, que se dedicam \u00e0 defesa e \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. Penso, no entanto, que, ao se tratar da fam\u00edlia, nunca se ter\u00e1 feito o suficiente. N\u00e3o fomos criados para o isolamento, mas para o conv\u00edvio, a rela\u00e7\u00e3o fraterna e amorosa e, como bem sabemos, \u00e9 na fam\u00edlia que isso tudo \u00e9 aprendido. <br \/>28.\u00a0\u00a0\u00a0 Reconhe\u00e7o que, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, a estrutura familiar vem se transformando como resultado de outras transforma\u00e7\u00f5es pelas quais o mundo tem passado. Preocupo-me, entretanto, com a dissemina\u00e7\u00e3o, consciente ou n\u00e3o, de que a fam\u00edlia, constitu\u00edda conforme a cria\u00e7\u00e3o de Deus, seja uma realidade apenas hist\u00f3rica e, por isso mesmo, secund\u00e1ria, irrelevante e at\u00e9 desnecess\u00e1ria. N\u00e3o creio estar julgando quem quer que seja pela hist\u00f3ria de suas vidas e pelos caminhos encontrados para enfrentar o que a realidade, algumas vezes t\u00e3o dura, apresenta a cada um. Consciente da condi\u00e7\u00e3o irrenunci\u00e1vel da fam\u00edlia, estou convicto de que devemos, incansavelmente, trabalhar para que todas as fam\u00edlias permane\u00e7am caminhando no amadurecimento de sua voca\u00e7\u00e3o de escolas de amor e f\u00e9. Tenho clareza de que \u00e9 meu dever, como crist\u00e3o e pastor do rebanho, proteger, defender e promover a fam\u00edlia como realidade desejada pelo Criador. N\u00e3o fosse assim, por que, ao se encarnar, o Verbo de Deus o fez exatamente no seio de uma fam\u00edlia? Sejamos, pois, uma Igreja sempre mais atenta \u00e0 fam\u00edlia, a todas as fam\u00edlias e a cada fam\u00edlia, em especial \u00e0s que est\u00e3o sofrendo, seja qual for o motivo. Sejamos cada vez mais uma Igreja que vai ao encontro das fam\u00edlias, uma Igreja, portanto, esperan\u00e7a para as fam\u00edlias. As discuss\u00f5es, as exposi\u00e7\u00f5es, as reuni\u00f5es dos grupos de estudos no S\u00ednodo durante as tr\u00eas semanas de outubro demonstraram, de um lado, a necessidade de fortalecer a fam\u00edlia, e de outro, a proximidade da Igreja com todas as v\u00e1rias e mult\u00edplices situa\u00e7\u00f5es familiares hoje, al\u00e9m da busca de caminhos de cura para as feridas abertas.<br \/>29.\u00a0\u00a0\u00a0 Uma segunda periferia existencial que muito tem chamado minha aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a juventude. Tamb\u00e9m aqui eu me alegro com tantas experi\u00eancias significativas de presen\u00e7a da Igreja junto aos jovens. Alegro-me ao ver a coragem e a generosidade de tantos jovens buscando a consagra\u00e7\u00e3o, em suas mais diversas formas, e, assim, o servi\u00e7o a Deus e ao pr\u00f3ximo. Como me alegro ao escutar belas experi\u00eancias de jovens animados pelo Evangelho e que d\u00e3o um bel\u00edssimo testemunho de vida em meio a essa grande cidade! A cada momento, aben\u00e7oo os jovens que, criativamente, encontram recursos para retiros e momentos de forma\u00e7\u00e3o, os jovens que dedicam seu tempo a cuidar dos abandonados, dos esquecidos, dos largados nas ruas de nossa cidade. Estes jovens s\u00e3o o bra\u00e7o estendido do amor misericordioso do Cristo Bom Samaritano. Sinto-me bem em meio aos jovens. Com eles, eu me alegro. Com eles, eu aprendo a manter nos olhos e no cora\u00e7\u00e3o o brilho da esperan\u00e7a. Neles, eu percebo o chamado do Senhor a nunca perder a esperan\u00e7a. Agora que, mesmo com dificuldades, nos organizamos para participar da Jornada Mundial da Juventude em Crac\u00f3via, na Pol\u00f4nia, vejo o entusiasmo juvenil que sabe vencer obst\u00e1culos e continua dando testemunho de que, mesmo com tantas express\u00f5es jovens, caminham unidos e na fraternidade.<br \/>30.\u00a0\u00a0\u00a0 Preocupo-me, no entanto, com os jovens que n\u00e3o descobriram a alegria da f\u00e9, do encontro com Jesus Cristo e com a Igreja. Entriste\u00e7o-me diante das not\u00edcias, quase di\u00e1rias, de jovens atingidos pelas drogas e por outras formas de viol\u00eancia. Rezo incessantemente por aqueles que esta mesma viol\u00eancia levou embora deste mundo, como se um ser humano fosse produto descart\u00e1vel que se destroi num estalar de dedos. A cada dia as not\u00edcias de jovens que morrem marcam nossa cidade, aos quais acrescento aqueles que n\u00e3o s\u00e3o noticiados. Na Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco encontrou-se com um pequeno grupo de oito jovens, que, tendo passado por situa\u00e7\u00f5es sofridas, estavam buscando um novo rumo para suas vidas. O Papa os ouviu atentamente e, a cada momento, repetia a esses jovens e aos poucos adultos que estavam na mesma sala, uma frase que me marcou: \u201cNunca mais a morte!\u201d Lembro-me, ent\u00e3o, do brilho nos olhos daqueles oito jovens ao ouvir este clamor pela vida e pela esperan\u00e7a. Sentiram-se \u00e0 vontade diante do Santo Padre, falaram de suas vidas, suas dores e, acima de tudo, de sua f\u00e9 e sua esperan\u00e7a. Lembrando-me daquele momento e, recordando toda a Jornada Mundial da Juventude, eu me pergunto o que mais podemos fazer para acolher e saborear a esperan\u00e7a que transborda de cada jovem? Percorrendo a cidade, vendo jovens nas mais diversas situa\u00e7\u00f5es, eu me indago o que mais deve ser feito para que tamb\u00e9m estes jovens, que me parecem t\u00e3o distantes de Jesus Cristo e da Igreja, tenham pelo menos a chance de ouvir falar do amor de Deus, da f\u00e9 e da esperan\u00e7a?<br \/>31.\u00a0\u00a0\u00a0 Por fim, na certeza de que n\u00e3o conseguirei esgotar a lista das periferias existenciais, lembro-me dos prediletos de Jesus, para os quais o Papa Francisco tem chamado tanto nossa aten\u00e7\u00e3o: os pobres. A F\u00e9 me ensinou a ver em cada um deles o pr\u00f3prio Senhor Crucificado. Esta \u00e9 a consci\u00eancia da Igreja (Sd 178, DAp 393). Esta deve ser a consci\u00eancia de cada crist\u00e3o e mesmo de quem, n\u00e3o professando a f\u00e9 crist\u00e3, tem o cora\u00e7\u00e3o aberto para tudo que \u00e9 humano. Por tr\u00e1s de cada pessoa desfigurada pela mis\u00e9ria, h\u00e1 um ser humano e, atrav\u00e9s de cada ser humano, somos convidados a ver o Cristo, Senhor Crucificado. Sinto-me pequeno diante das expectativas que muitas vezes s\u00e3o colocadas sobre mim, pedindo-me ajuda. N\u00e3o deixarei nunca de estar ao lado dos mais pobres, dos sofredores, dos humildes e humilhados. N\u00e3o desanimarei de aben\u00e7o\u00e1-los e de convocar toda a Igreja do Rio de Janeiro a ser uma Igreja samaritana, que interrompa seu caminhar a fim de se dedicar ao ser humano que encontrar jogado na estrada, \u00e0s vezes na margem, \u00e0s vezes no meio do caminho, \u00e0 vista de todos, que, por\u00e9m, continuam passando, seguindo suas vidas. N\u00e3o podemos nos acostumar com a vis\u00e3o de pessoas abandonadas pelas ruas e pra\u00e7as! N\u00e3o podemos nos acostumar com a viol\u00eancia entre n\u00f3s! Ao me deparar com os jovens que me assaltaram duas vezes aqui no Rio de Janeiro, o meu olhar de pastor foi de sentir uma grande preocupa\u00e7\u00e3o com a vida e a hist\u00f3ria desses adolescentes e jovens t\u00e3o cedo j\u00e1 na senda do crime. Todos com hist\u00f3rias de sofrimento e abandono, e tamb\u00e9m influenciados por uma sociedade de consumo que os leva a buscar n\u00e3o s\u00f3 a droga, mas bens ef\u00eameros que logo se esvaem.<br \/>32.\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o posso aceitar que existam pessoas sem teto, sem emprego, sem acesso ao m\u00ednimo necess\u00e1rio para a preserva\u00e7\u00e3o ou recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e tudo mais a que todo ser humano tem direito. N\u00e3o posso aceitar que, diante de tanta pen\u00faria, se desviem quantias inimagin\u00e1veis, numa corrente de corrup\u00e7\u00e3o e de irresponsabilidade diante da sociedade e, mais ainda, diante de Deus. N\u00e3o estou assustado s\u00f3 por que s\u00e3o altos os valores que circulam nas teias da corrup\u00e7\u00e3o. Uma \u00fanica moeda desviada de seu destino, que \u00e9 o bem comum, j\u00e1 \u00e9 motivo suficiente para a indigna\u00e7\u00e3o de quem se importa com a pr\u00f3pria consci\u00eancia e com os demais seres humanos. \u00c9 por isso que se fortalece em mim a certeza de que nosso tempo necessita de um choque de solidariedade, do impacto causado pelo bem que se pratica, pelo servi\u00e7o desinteressado e pela ren\u00fancia a pactuar com o mal. Se a maldade humana, em nossos dias, assume tamb\u00e9m a forma da corrup\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deixemos que, junto aos grandes valores financeiros levados embora, retirem tamb\u00e9m de n\u00f3s a esperan\u00e7a de que \u00e9 poss\u00edvel construir um mundo de justi\u00e7a, honestidade, solidariedade e paz.<\/p>\n<p>Esperan\u00e7a e Miseric\u00f3rdia<\/p>\n<p>33.\u00a0\u00a0\u00a0 Ao meditar sobre a esperan\u00e7a, n\u00e3o posso deixar de enxergar a forte conex\u00e3o entre ela e a Miseric\u00f3rdia. Desde agora, imagino quanto bem o Ano Santo da Miseric\u00f3rdia que se aproxima far\u00e1 aos crist\u00e3os e ao mundo todo, que dela tanto precisam. As incertezas diante da vida e do futuro levam os cora\u00e7\u00f5es a se fecharem em si mesmos, levam as consci\u00eancias a responderem \u00e0 viol\u00eancia, ao individualismo e \u00e0 indiferen\u00e7a com igual medida (EG 54). Nosso tempo precisa transcender o imediatismo das solu\u00e7\u00f5es, que, \u00e0 semelhan\u00e7a de quem instintivamente reage \u00e0s agress\u00f5es, acredita poder resolver tudo atrav\u00e9s da for\u00e7a e da destrui\u00e7\u00e3o. O Papa Francisco nos alerta de que nosso mundo teria se esquecido at\u00e9 mesmo da palavra perd\u00e3o (MV 10). Fico pensando se j\u00e1 nos demos conta da gravidade desta advert\u00eancia que o Santo Padre nos fez. Precisamos come\u00e7ar com a experi\u00eancia do perd\u00e3o entre n\u00f3s. Somos perdoados no Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o e chamados a ser sinais de perd\u00e3o m\u00fatuo. Quantos rancores e vingan\u00e7as ainda existem entre n\u00f3s! A Igreja \u00e9 chamada a ser sinal de tempos novos. Que o Jubileu da Miseric\u00f3rdia nos fa\u00e7a enxergar e experimentar estes tempos novos!<br \/>34.\u00a0\u00a0\u00a0 Desde j\u00e1 desejo que, no Rio de Janeiro, o Ano da Miseric\u00f3rdia e o Ano da Esperan\u00e7a estejam de tal forma unidos que n\u00e3o se perceba o t\u00e9rmino de um e o in\u00edcio do outro, pois s\u00f3 a Miseric\u00f3rdia \u00e9 capaz de romper as cadeias da desesperan\u00e7a. Desejo que a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, vivida ao longo de 2015, suscite ainda mais nos cora\u00e7\u00f5es cariocas o sonho de testemunhar e construir miseric\u00f3rdia, acolhendo cada pessoa como quem acolhe o pr\u00f3prio Senhor (Mt 25,31-46), abrindo portas para a convers\u00e3o, para a transforma\u00e7\u00e3o das mentes e dos cora\u00e7\u00f5es. As indica\u00e7\u00f5es concretas j\u00e1 foram dadas para vivermos juntos o Ano Santo da Miseric\u00f3rdia no Rio de Janeiro. Por\u00e9m, gostaria de lembrar que a miseric\u00f3rdia n\u00e3o pode esperar indica\u00e7\u00f5es nem aguardar prazos. A Miseric\u00f3rdia \u00e9 dom de Deus e, por isso mesmo, sua urg\u00eancia \u00e9 sempre v\u00e1lida e cont\u00ednua. Se foi necess\u00e1rio que o Papa nos convocasse a um Ano Santo da Miseric\u00f3rdia, n\u00e3o ser\u00e1 por que nos esquecemos disso?<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria de esperan\u00e7a<br \/>35.\u00a0\u00a0\u00a0 Neste ano, a cidade de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro celebra 450 anos. Marcada por belezas e mazelas, esta cidade \u00e9 um convite \u00e0 esperan\u00e7a. Lembro-me do que sobre ela falou S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, ao mencionar a beleza da arquitetura de Deus e da arquitetura humana (frase famosa do querido Papa ao ver esta nossa bela cidade!). As belezas naturais, aproximando mar e montanha, s\u00e3o para mim um chamado cont\u00ednuo a colocar minha esperan\u00e7a no Criador de tudo isso. As belezas criadas pela m\u00e3o humana n\u00e3o me deixam esquecer que, por tr\u00e1s delas, \u00e9 o Deus da Intelig\u00eancia e da Criatividade que est\u00e1 agindo. Agora, especialmente, que a cidade passa por tantas mudan\u00e7as, vejo a rea\u00e7\u00e3o de muitos que aguardam com esperan\u00e7a que tudo poder\u00e1 ser melhor.<br \/>36.\u00a0\u00a0\u00a0 Em meio a tudo isso, vejo a beleza maior desta cidade, beleza que, para mim, \u00e9 tamb\u00e9m fonte de esperan\u00e7a: o povo carioca, um povo que n\u00e3o se abate diante de agudas formas de sofrimento, que n\u00e3o se desconcerta diante de esc\u00e2ndalos nem desanima de ser feliz e de ajudar a ser feliz. Este povo que na Jornada Mundial da Juventude, h\u00e1 dois anos atr\u00e1s, enfrentou medos e inseguran\u00e7as, abrindo as portas das casas como sinal da abertura dos cora\u00e7\u00f5es. Certamente, todos j\u00e1 me ouviram mencionar este fato, que tanto me marcou. Se agora eu o repito, \u00e9 por que, de diversas maneiras, \u00e9 isso que o carioca faz diariamente, ainda que sem o grande impacto da Jornada. <br \/>37.\u00a0\u00a0\u00a0 Todos sabem que fala forte ao meu cora\u00e7\u00e3o percorrer a cidade, estar nas comunidades e visitar as pessoas. J\u00e1 se consolidou, com a gra\u00e7a de Deus, a Trezena de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, per\u00edodo em que, tendo comigo a imagem do Santo Padroeiro, percorro a cidade, entrando onde for preciso, sem discriminar quem quer que seja. Pelo olhar humano, n\u00e3o levo muito. Levo apenas a imagem de um santo. Contudo, pelo olhar da F\u00e9, levo comigo a esperan\u00e7a. Na imagem daquele jovem soldado que, em nome da F\u00e9, n\u00e3o temeu enfrentar o pecado e conclamar os pecadores \u00e0 convers\u00e3o, eu me empenho por fortalecer a esperan\u00e7a em todos os cariocas. Se, \u00e0s vezes, o carro com a imagem do querido S\u00e3o Sebasti\u00e3o necessita acelerar a velocidade, nem por isso as pessoas deixam de fazer o sinal da cruz, de elevar seus olhos e seus cora\u00e7\u00f5es aos c\u00e9us, pedindo for\u00e7a e esperan\u00e7a. E eu termino cada dia da Trezena bendizendo a Deus pela gra\u00e7a de ter podido partilhar este dom da esperan\u00e7a com os cariocas. Se, diariamente, levo um pouco da esperan\u00e7a de Deus, com certeza recebo muito mais desta mesma esperan\u00e7a, t\u00e3o presente, por exemplo, sob as l\u00e1grimas de tristeza da m\u00e3e a quem devolveram o corpo sem vida do filho; t\u00e3o presente no sorriso do idoso, que, naquele momento da visita, se esquece de que est\u00e1 abandonado em local apto apenas para se guardar detritos; presente tamb\u00e9m nos jovens sob medidas socioeducativas, que realizam apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas como sinal de que podem fazer muito mais em suas vidas; presente, enfim, nos enfermos que colocam suas for\u00e7as no Deus da Esperan\u00e7a, mesmo que os m\u00e9dicos lhes tenham dito nada mais poderem fazer. <br \/>38.\u00a0\u00a0\u00a0 Este \u00e9 o Rio de Janeiro, Rio do Redentor, Rio de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, de Nossa Senhora da Penha, cujo m\u00eas estamos a terminar, e de todos os santos e santas de Deus, Rio do carioca lutador, persistente, esperan\u00e7oso, alegre, sens\u00edvel e, como disse antes, acolhedor. Se neste ano celebramos quatro s\u00e9culos e meio de funda\u00e7\u00e3o, \u00e9 porque temos a certeza de que h\u00e1 um caminho longo a percorrer para que as mazelas n\u00e3o encubram as belezas, para que as dores n\u00e3o levem embora a esperan\u00e7a. E n\u00f3s o faremos porque a esperan\u00e7a circula em nossas veias.<\/p>\n<p>Somos um povo de esperan\u00e7a<br \/>39.\u00a0\u00a0\u00a0 Sim! Fazemos parte de uma hist\u00f3ria repleta de esperan\u00e7a e de gente que testemunhou intensamente esta esperan\u00e7a que vem de Deus. Abra\u00e3o a viveu \u201ccontra toda esperan\u00e7a\u201d (Rm 4,18). Deixou a seguran\u00e7a de sua terra natal, acolheu a promessa de posteridade, j\u00e1 estando na velhice e com a esposa est\u00e9ril, levou o filho para oferecer a Deus na confian\u00e7a de que este mesmo Deus proveria a v\u00edtima para o sacrif\u00edcio (Gn 12,1-9;15,5-7;22,1-13). Mois\u00e9s n\u00e3o temeu conduzir o povo rumo ao mar, na esperan\u00e7a de que n\u00e3o pereceria nas m\u00e3os do fara\u00f3 (Ex 14,1-22). Davi n\u00e3o temeu reconhecer seu pecado e, na esperan\u00e7a, clamar pelo perd\u00e3o divino (2 Sm 12,1-13). Nestes tr\u00eas exemplos, uma hist\u00f3ria repleta de testemunhos da esperan\u00e7a, repleta de homens e mulheres que tiveram muitos motivos para n\u00e3o crer nem ter esperan\u00e7a, mas que, perseverando, abriram as portas para que o Mist\u00e9rio de Deus se manifestasse em toda a sua grandeza.<br \/>40.\u00a0\u00a0\u00a0 Olho com carinho para cariocas cuja vida foi um semear de esperan\u00e7a. Refiro-me \u00e0 querida Odetinha e ao jovem Guido Sch\u00e4ffer, ambos em processo para reconhecimento oficial da santidade. Uma crian\u00e7a e um jovem, dois cariocas e uma esperan\u00e7a: fazer deste mundo um lugar para Deus. Na pureza dos cora\u00e7\u00f5es, estes dois jovens cariocas representam todos os demais que se empenham por fazer o mesmo. Recordo tamb\u00e9m do casal Jer\u00f4nimo e Z\u00e9lia, fluminenses que deram exemplo de uma fam\u00edlia crist\u00e3 e unida em tempos dif\u00edceis, que ser\u00e3o tamb\u00e9m modelos para nossas fam\u00edlias hoje. Com a gra\u00e7a de Deus, todos ser\u00e3o levados aos altares e, com a intercess\u00e3o deles, muitos outros cariocas seguir\u00e3o o mesmo caminho. Olhar estas vidas que conseguiram transbordar a esperan\u00e7a deve ser para n\u00f3s um est\u00edmulo a viver assim tamb\u00e9m. Com esses exemplos, neste dia em que celebramos a Solenidade de Todos os Santos, recordo a todos a voca\u00e7\u00e3o universal \u00e0 santidade. \u00c9 esse o nosso caminho, \u00e9 essa nossa voca\u00e7\u00e3o comum: somos chamados \u00e0 santidade!<br \/>41.\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 verdade que alguns de nossos antepassados na f\u00e9 sentiram o peso da vida e se deixaram envolver pelo des\u00e2nimo. O profeta Elias, j\u00e1 antes mencionado, \u00e9 um exemplo de que, em meio \u00e0s tribula\u00e7\u00f5es da vida, cansamo-nos e pensamos em desistir. No entanto, lembremo-nos sempre de que Elias encontrou for\u00e7as para chegar ao Monte de Deus. Outro exemplo \u00e9 o profeta Jeremias. Humilhado em raz\u00e3o de sua fidelidade a Deus, reconheceu-se, por\u00e9m, imensamente envolvido pelo Deus da Esperan\u00e7a e, apesar das humilha\u00e7\u00f5es, cantou louvores a Deus (Jr 20,7-13). Na proclama\u00e7\u00e3o do salmista, encontro a profiss\u00e3o de esperan\u00e7a de toda criatura, que, tendo esperado no Senhor, pode cantar alegres hinos de louvor (Sl. 40,1-3).<br \/>42.\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o mencionar o Ap\u00f3stolo Paulo, ele que eleva um dos mais bonitos cantos de esperan\u00e7a, ao dizer que, embora atribulados de todos os lados, n\u00e3o desanimamos, embora soframos e at\u00e9 nos verguemos, n\u00e3o nos deixamos quebrar (2 Cor 4,8s). \u00c9 o mesmo Paulo que nos transmite o segredo para vivermos na esperan\u00e7a, partilhando-a uns com os outros: consolados pelo Deus da Esperan\u00e7a, devemos nos consolar e fortalecer uns aos outros (2 Cor 1,3-4).<br \/>43.\u00a0\u00a0\u00a0 Se a vida nos apresenta mil motivos para n\u00e3o termos esperan\u00e7a, temos um motivo para mant\u00ea-la: Jesus Cristo. Caminhando em meio ao povo daquele tempo, Jesus semeou esperan\u00e7a. Sua fama se espalhava por todas as regi\u00f5es (Mt 4,24;9,31), de modo que, desiludidos de tudo mais, os sofredores viam nele a raz\u00e3o de sua esperan\u00e7a. Por isso, n\u00e3o temiam gritar \u201cFilho de Davi, tem piedade de mim\u201d, mesmo que lhes tentassem impedir (Mt 9,27;15,22;20,30-31; Mc10,47-48). A esperan\u00e7a \u00e9 mais forte que todas as press\u00f5es em contr\u00e1rio, que todos os empecilhos que desejam colocar, que todos os gritos que intentam abafar. \u201cA esperan\u00e7a n\u00e3o decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado (Rm 5,1), e \u201cDeus n\u00e3o nos deu um esp\u00edrito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria\u201d (2 Tm 1,7). <br \/>44.\u00a0\u00a0\u00a0 Neste Ano Arquidiocesano da Esperan\u00e7a, em que, unidos a toda a Igreja que celebra o Ano da Vida Consagrada, unidos tamb\u00e9m \u00e0 Igreja no Brasil, que celebra um Ano dedicado \u00e0 Paz, renovemos nossa consagra\u00e7\u00e3o, tenha ela a forma que tiver, buscando construir sempre mais a paz e, com isso, irradiar a esperan\u00e7a. N\u00e3o deixemos que as dores dobrem nossas cabe\u00e7as nem endure\u00e7am nossos cora\u00e7\u00f5es. Contemplemos o Crucificado, que, em meio a tantas dores, entregou-se confiante nas m\u00e3os do Pai (Lc 23,46). Sejamos uma Igreja que, na esperan\u00e7a, olha para frente e, conscientes de que o futuro pertence ao Cristo Glorioso que h\u00e1 de vir para julgar os vivos e os mortos, repitamos com a vida e sem cansar o convite da Igreja: \u201cVem, Senhor Jesus! Maranatha! \u201d (Ap 22,17)<\/p>\n<p>Senhor Jesus, <br \/>ao olharmos nosso mundo, ficamos assustados(as). <br \/>S\u00e3o muitas as dores! <br \/>S\u00e3o muitos os sofrimentos! <br \/>H\u00e1 pessoas que deixaram de acreditar em si mesmas, na vida e em V\u00f3s. <br \/>H\u00e1 pessoas que se tornaram prisioneiras do consumo, das solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis e imediatas, nem percebendo que geralmente s\u00e3o falsas. <br \/>Elas j\u00e1 n\u00e3o conseguem perceber a beleza da fraternidade, a alegria da caridade, o sabor da partilha, o perfume do conv\u00edvio e a grandeza de crer. <br \/>Ajudai-nos, Jesus, a testemunhar a esperan\u00e7a! <br \/>Inundai-nos com a vossa esperan\u00e7a <br \/>para transmitirmos a todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s, <br \/>em especial os que est\u00e3o sofrendo. <br \/>Jesus, Senhor da Esperan\u00e7a, fazei-nos servos e testemunhas da esperan\u00e7a. <br \/>Am\u00e9m!<\/p>\n<p>S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, 1 de novembro de 2015, <br \/>Solenidade de Todos os Santos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos irm\u00e3os e irm\u00e3s cujas vidas est\u00e3o marcadas pelo sofrimento, aos que j\u00e1 n\u00e3o conseguem vislumbrar uma centelha de esperan\u00e7a,aos que experimentam cotidianamente a viol\u00eancia,aos que deixaram de acreditar no amor e na bondade,a todos os leigos e leigas que levam adiante com alegria a miss\u00e3o,aos sacerdotes, di\u00e1conos, consagrados e consagradase aos irm\u00e3os bispos auxiliares,que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-12173","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12173"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21884,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12173\/revisions\/21884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}