{"id":12119,"date":"2015-10-27T12:21:00","date_gmt":"2015-10-27T14:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/10\/27\/cristaos-perseguidos-hoje\/"},"modified":"2017-06-02T10:08:55","modified_gmt":"2017-06-02T13:08:55","slug":"cristaos-perseguidos-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cristaos-perseguidos-hoje\/","title":{"rendered":"Crist\u00e3os perseguidos hoje"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ao findar o m\u00eas mission\u00e1rio e do ros\u00e1rio, tivemos aqui no Rio de Janeiro uma visita vinda do Oriente: Pe. Douglas Bazi, trazido pelos irm\u00e3os da organiza\u00e7\u00e3o \u201cAjuda \u00c0 Igreja que sofre\u201d. Foi um momento de reflex\u00e3o e de comprometimento muito grande. \u00c9 tamb\u00e9m ocasi\u00e3o de grandes perguntas sobre o nosso tempo diante da persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os.<br \/>Ele tem hoje 47 anos, uma voz tranquila e um olhar sereno. Ningu\u00e9m imagina assim a sua hist\u00f3ria, o sofrimento por que passou. O padre Douglas Bazi n\u00e3o gosta de falar de si mesmo. \u201cN\u00e3o sou nenhum her\u00f3i\u201d, diz ele, mas, no entanto, j\u00e1 sobreviveu a dois atentados \u00e0 bomba e esteve nove dias em cativeiro, no ano de 2006, em Bagd\u00e1, capital do Iraque. Capturaram-no em uma das principais avenidas da cidade. Jogaram-no dentro de um carro e o vendaram. Se tentasse ver para onde estava indo seria imediatamente morto. Os sequestradores queriam 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares de resgate. Raptar crist\u00e3os no Iraque pode ser bem lucrativo. Neste caso, n\u00e3o houve dinheiro. O padre Douglas acabou por ser libertado a troco de nada, mas as marcas desses dias terr\u00edveis ficaram para sempre. At\u00e9 hoje. At\u00e9 agora. \u00a0\u00a0\u00a0 <br \/> Foram nove dias sem comer nem beber \u00e1gua. Foram mais de 200 horas de supl\u00edcio, de tortura. Foi queimado com pontas de cigarro e muito agredido, a ponto de ter dentes e o nariz quebrado. Todo tempo algemado. O padre Douglas Bazi, quando se recorda desses dias em que a sua vida esteve por um fio, prefere se lembrar apenas das algemas. \u201cFoi o mais belo ros\u00e1rio que j\u00e1 rezei em toda a minha vida\u201d. Essas algemas, que foram colocadas para prender os seus movimentos, libertaram o seu esp\u00edrito. \u201cTinham exatamente dez argolas.\u201d Os torturadores podiam bater, queimar o corpo, gritar no ouvido, privar de comida e de \u00e1gua. Podiam at\u00e9 amea\u00e7ar sua vida, encostando \u2013 como fizeram tantas e tantas vezes \u2013 o cano de uma pistola em sua cabe\u00e7a. Fizeram isso tudo e nunca repararam, nem podiam reparar, que os dedos do padre Douglas iam acariciando as argolas das algemas, numa ora\u00e7\u00e3o ininterrupta de \u201cAve-Marias\u201d. Batiam em seu corpo, mas n\u00e3o podiam prender a sua alma.<br \/> Para este M\u00eas do Ros\u00e1rio n\u00e3o poder\u00edamos ter uma sugest\u00e3o mission\u00e1ria maior para a nossa ora\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio ao recordar gestos t\u00e3o marcantes e situa\u00e7\u00f5es dolorosas como estas. E saber que toda essa persegui\u00e7\u00e3o motivada apenas por quest\u00f5es de intoler\u00e2ncia religiosa.<br \/> O padre Douglas vive hoje em Ankawa. Ele \u00e9 um refugiado entre refugiados. Como milhares de crist\u00e3os, tamb\u00e9m precisou fugir de Mossul perante o avan\u00e7o dos jihadistas. Apesar de tudo o que j\u00e1 passou, dos dias de cativeiro, das bombas que ca\u00edram perto dele, da explos\u00e3o de morteiros junto \u00e0 igreja enquanto celebrava a Missa, das cicatrizes que guarda no corpo&#8230; Apesar de tudo isso, o padre Douglas tem apenas uma preocupa\u00e7\u00e3o: ajudar o povo a sobreviver a estes dias de prova\u00e7\u00e3o. \u201cEsta \u00e9 uma Igreja de sangue. Perten\u00e7o a uma Igreja que pode ser chamada de sangue. No meu pa\u00eds, se algu\u00e9m fizer um buraco para procurar petr\u00f3leo, vai descobrir sangue de crist\u00e3os. Por\u00e9m, o petr\u00f3leo \u00e9 mais caro do que o sangue dos m\u00e1rtires\u201d.<br \/> A convite da Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS), o padre Douglas Bazi, sacerdote caldeu do Iraque, est\u00e1 no Brasil para dividir suas experi\u00eancias de \u201crefugiado entre os refugiados\u201d, como ele mesmo diz. No Rio de Janeiro ele teve no \u00faltimo s\u00e1bado, dia 24, um momento de ora\u00e7\u00e3o e testemunho na Igreja de S\u00e3o Jos\u00e9 da Lagoa, no domingo a Santa Missa dominical, na Capela do Corcovado, (dia 25).<br \/> A visita tem como objetivo alertar os crist\u00e3os do Ocidente sobre a realidade da \u201cIgreja de sangue\u201d, maneira como padre Douglas se refere \u00e0 parcela da Igreja existente naquela regi\u00e3o. Durante a sua visita, o monumento do Cristo Redentor ser\u00e1 iluminado com a cor vermelha das 18h \u00e0s 19h, em mem\u00f3ria dos m\u00e1rtires que doaram suas vidas pelo Evangelho e por todos os crist\u00e3os perseguidos no mundo. <br \/> Atualmente, padre Douglas cuida de mais de 100 fam\u00edlias no campo de refugiados em Erbil, norte do Iraque, onde a &#8216;Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre&#8217; construiu casas e escolas e ajuda a manter os refugiados para que tenham uma vida o mais pr\u00f3ximo do normal. <br \/> A breve passagem do Padre Douglas Bazi pelo Rio de Janeiro, durante este final de semana, se transformou no evento \u201cM\u00e1rtires de hoje: perseguidos, mas nunca esquecidos\u201d \u2014 ocasi\u00e3o para partilhar com os cariocas sobre o trabalho que o Padre tem realizado no Iraque.<br \/> Eis algumas frases do Padre Douglas Bazi: \u201cDurante 100 anos meu povo sofreu oito momentos de viol\u00eancia contra eles. Em quatro ocasi\u00f5es foram obrigados a sa\u00edrem do pa\u00eds ou da cidade\u201d. \u201cNossa comunidade est\u00e1 constitu\u00edda por quatro pontos: Jesus, o Papa, o Bispo e o sacerdote. Por isso, quando querem atacar come\u00e7am pelo sacerdote, porque assim atacam a base\u201d, assegurou o padre. \u201cO problema do Oriente M\u00e9dio n\u00e3o \u00e9 a disputa pelo petr\u00f3leo, mas a briga entre os sunitas e xiitas que disputam territ\u00f3rio. Isso \u00e9 o \u00fanico que lhes preocupa\u201d.<br \/> Diante de fatos t\u00e3o marcantes e que nos fazem pensar sobre a nossa sociedade hodierna e seu futuro, rezemos, pois, por estes crist\u00e3os, para que continuem, mesmo na di\u00e1spora, reunidos em comunidades de cem em cem para que n\u00e3o morra a sua tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica. Que o seu exemplo nos ajude a ajudar os que mais sofrem para professar a f\u00e9 cat\u00f3lica e, principalmente, nos ajude a vivermos com coer\u00eancia nossa f\u00e9 cat\u00f3lica. Em tempos de crescimento da intoler\u00e2ncia em nosso pa\u00eds, nos ajude a ver o que evitar para construirmos um mundo mais justo e mais humano. Estamos em meio a esse grande vendaval: ainda n\u00e3o vemos tudo claramente, mas sabemos que as pessoas sofrem e s\u00e3o martirizadas. Pe\u00e7amos as luzes do Esp\u00edrito Santo para caminharmos na f\u00e9 e no di\u00e1logo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao findar o m\u00eas mission\u00e1rio e do ros\u00e1rio, tivemos aqui no Rio de Janeiro uma visita vinda do Oriente: Pe. Douglas Bazi, trazido pelos irm\u00e3os da organiza\u00e7\u00e3o \u201cAjuda \u00c0 Igreja que sofre\u201d. 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