{"id":12084,"date":"2015-10-22T13:07:18","date_gmt":"2015-10-22T15:07:18","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/10\/22\/sobre-a-masculinidade-crista-2-de-3\/"},"modified":"2017-06-02T16:46:11","modified_gmt":"2017-06-02T19:46:11","slug":"sobre-a-masculinidade-crista-2-de-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sobre-a-masculinidade-crista-2-de-3\/","title":{"rendered":"Sobre a masculinidade crist\u00e3 (2 de 3)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos o resumo e breves coment\u00e1rios sobre a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cFirmes en la Brecha\u201d, a respeito da masculinidade crist\u00e3, do Bispo de Phoenix, Arizona, Dom Thomas J. Olmsted<\/p>\n<p>Brasilia, 22 de Outubro de 2015 (ZENIT.org) Paulo Vasconcelos Jacobina | 41 visitas<\/p>\n<p>O assunto da masculinidade, e em especial da masculinidade crist\u00e3, \u00e9 da maior import\u00e2ncia na atualidade. Diante das propostas educacionais, jur\u00eddicas e culturais que envolvem a chamada \u201cteoria\u201d ou \u201cideologia\u201d de g\u00eanero, nada mais interessante do que repropor a vis\u00e3o crist\u00e3 sobre a masculinidade. E \u00e9 com este olhar que estamos estudando a presente Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>A Carta, ap\u00f3s colocar muito bem o contexto em que deve dar-se a compreens\u00e3o da masculinidade crist\u00e3 nos dias correntes, passa a encaminhar as respostas \u00e0s tr\u00eas perguntas colocadas pelo texto, a saber:<\/p>\n<p>1 \u2013 O que significa ser um homem cat\u00f3lico?<\/p>\n<p>2 \u2013 Como ama um homem cat\u00f3lico?<\/p>\n<p>3 \u2013 Por que a paternidade, adequadamente compreendida, \u00e9 t\u00e3o crucial para qualquer homem?<\/p>\n<p>A Primeira Pergunta.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira pergunta o Bispo lembra que pela primeira vez na hist\u00f3ria o ser humano est\u00e1 t\u00e3o confuso, ou t\u00e3o arrogante, que busca determinar por si mesmo sua pr\u00f3pria masculinidade e feminilidade. E ousa lembrar a frase de Pilatos, quando nos apresenta Jesus macerado, ferido, um simples campon\u00eas de Nazar\u00e9 que \u00e9, no entanto, completamente Deus e completamente homem: \u201cEcce homo\u201d (eis o homem, em latim). Pilatos n\u00e3o sabia a dimens\u00e3o de sua frase: estava apresentando algu\u00e9m que, ademais de ser Deus, era plenamente homem: veio ao mundo para entregar a si mesmo por completo. E aqui est\u00e1, segundo a Carta, o que representa a masculinidade por completo: cada homem cat\u00f3lico deve estar preparado para manter-se firme na brecha, entrar em combate espiritual, defender a mulher, as crian\u00e7as e os demais, inclusive eventualmente com a entrega da pr\u00f3pria vida, contra as ins\u00eddias e a maldade do Dem\u00f4nio. Nada parecido, portanto, com as sombras e fraudes de masculinidade que nos s\u00e3o apresentados no mundo contempor\u00e2neo, pelas celebridades, atletas, l\u00edderes pol\u00edticos, artistas, homens de neg\u00f3cios e outros: nenhum atributo f\u00edsico, massa muscular, intelig\u00eancia, sagacidade ou talento, pr\u00eamios, conquistas e derrotas pode nos mostrar o que \u00e9 de fato um homem, sen\u00e3o Jesus, que se doa a n\u00f3s incessantemente na Eucaristia, fazendo-nos participar do seu amor como Esposo, e de sua paternidade generosa e vivificante..<\/p>\n<p>O Bispo nos prop\u00f5e, ent\u00e3o, dez santos como modelos de masculinidade, de virilidade, para que elejamos como companheiros de caminhada crist\u00e3, apontando a virtude em que se destacam e o respectivo pecado ou v\u00edcio que podem nos ajudar a vencer:<\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9 (Confian\u00e7a em Deus \u2013 Ego\u00edsmo)<\/p>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Batista (Humildade \u2013 Arrog\u00e2ncia)<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo (Ader\u00eancia \u00e0 Verdade \u2013 Mediocridade)<\/p>\n<p>S\u00e3o Miguel Arcanjo (Obedi\u00eancia a Deus \u2013 Libertinagem e Rebeldia)<\/p>\n<p>S\u00e3o Bento (Ora\u00e7\u00e3o y Devo\u00e7\u00e3o a Deus \u2013 Apatia)<\/p>\n<p>S\u00e3o Francisco de Assis (Felicidade \u2013 Moralismo)<\/p>\n<p>S\u00e3o Tom\u00e1s Moro (Integridade \u2013 Duplicidade de \u00c2nimo)<\/p>\n<p>Beato Pier Giorgio Frassati (Castidade \u2013 Lux\u00faria)<\/p>\n<p>S\u00e3o Josemaria Escriv\u00e1 (Aud\u00e1cia \u2013 Temor Mundano)<\/p>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II (Defesa dos mais Fracos \u2013 Passividade)<\/p>\n<p>Lembrando o testemunho recente dos vinte e um irm\u00e3os coptos decapitados numa praia eg\u00edpcia por sua f\u00e9 crist\u00e3, a Carta nos prop\u00f5e nada menos que a santidade como meta de nossa vida crist\u00e3 na gra\u00e7a, e o mart\u00edrio como horizonte para nossa prepara\u00e7\u00e3o, e a de nossos filhos e netos.<\/p>\n<p>Assim, diz a Carta, a nossa identidade masculina n\u00e3o nos vem pela nossa imagem social, pela boa opini\u00e3o que os outros possam ter de n\u00f3s, ou mesmo de nossas carreiras, posses,hobbies, esportes, afilia\u00e7\u00f5es, roupas, tatuagens, casas e carros, ou quaisquer outras formas contempor\u00e2neas de identidade pessoal. A nossa identidade reflete simplesmente a identidade de Cristo, que recebemos em nosso batismo. Diz a Gaudium et Spes, 22: \u201cCristo, novo Ad\u00e3o, na pr\u00f3pria revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua voca\u00e7\u00e3o sublime\u201d. E, como ele, somos desafiados a vencer as tr\u00eas grandes tenta\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m a ele foram propostas: 1. a concupisc\u00eancia da carne, 2. A cobi\u00e7a e a ambi\u00e7\u00e3o de poder, e 3. o orgulho e a autossufici\u00eancia. A Carta prop\u00f5e que a luta contra estas tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es centrais, atrav\u00e9s do autodom\u00ednio conquistado pela gra\u00e7a de Deus, \u00e9 exatamente o que nos faz homens. N\u00e3o se trata de imaginar que um dia esta luta ser\u00e1 vencida por n\u00f3s, e a partir de ent\u00e3o seremos homens. Trata-se de perceber que \u00e9 exatamente na luta, nas suas vit\u00f3rias e quedas, no combate interior de uma vida comprometida com Deus que o homem se transforma num receptor de amor e coragem capaz detransmiti-las para os outros \u2013 ningu\u00e9m pode dar o que n\u00e3o tem. Curiosamente \u2013 e muito coerentemente \u2013 a Carta nos prop\u00f5e ningu\u00e9m menos que Maria Sant\u00edssima como modelo da pessoa que, havendo recebido integralmente o amor de Deus em si, foi capaz de doar-se aos outros de forma t\u00e3o plena. Mas, diz ele, n\u00e3o h\u00e1 caminho curto para a santidade: somente a ora\u00e7\u00e3o, a vida sacramental e a intimidade com o amor e a miseric\u00f3rdia de Deus nos dar\u00e3o as \u201carmas seguras\u201d para este combate espiritual de que nos fala S\u00e3o Paulo na Carta aos Ef\u00e9sios, 6, 11-17. Ser homem \u00e9 estar firme na brecha com coragem, seguran\u00e7a e confian\u00e7a nos recursos infinitos de Deus.<\/p>\n<p>A Carta, ent\u00e3o, prop\u00f5e sete pr\u00e1ticas para que um homem cat\u00f3lico possa manter-se pronto para o combate e firme na brecha: cinco di\u00e1rias e duas semanais ou mensais. S\u00e3o elas:<\/p>\n<p>1. Ora\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, ao menos o Pai Nosso, a Ave Maria e o Gl\u00f3ria ao Pai, al\u00e9m das ora\u00e7\u00f5es antes e depois de cada refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2. Exame di\u00e1rio de consci\u00eancia \u00e0 hora de dormir.<\/p>\n<p>3. Frequ\u00eancia \u00e0 missa, ao menos uma vez por semana.<\/p>\n<p>4. Ler a B\u00edblia, sozinhos e de prefer\u00eancia em fam\u00edlia.<\/p>\n<p>5. Santificar domingos e festas, com Deus, com a comunidade e com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>6. Confessar-se com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>7. Manter uma fraternidade com outros crist\u00e3os. N\u00e3o h\u00e1 amigos, nos diz o Bispo, como os amigos em Cristo.<\/p>\n<p>\u00c9 um projeto de vida e tanto. Certamente capaz de construir verdadeiros homens crist\u00e3os, capazes de resistir firme na brecha.<\/p>\n<p>A Segunda Pergunta.<\/p>\n<p>A segunda pergunta \u00e9 \u201ccomo ama um homem cat\u00f3lico\u201d? A Carta prop\u00f5e que, embora a palavra \u201camor\u201d tenha sofrido tantos e t\u00e3o graves desgastes, amar n\u00e3o \u00e9 um acidente na vida do homem crist\u00e3o: \u00e9 o pr\u00f3prio centro de sua miss\u00e3o. Amar-nos uns aos outros, como jesus nos amou, \u00e9 o novo mandamento que ele nos d\u00e1 (Jo\u00e3o 15, 12). E o nosso Bispo resgata, curiosamente, um personagem cinematogr\u00e1fico que, de certa forma transformou-se no modelo de masculinidade da contemporaneidade: o agente secreto 007, James Bond. E ele diz, num trocadilho intraduz\u00edvel para o portugu\u00eas: n\u00e3o \u00e9 ir\u00f4nico que James Bond nunca tenha constru\u00eddo v\u00ednculos ou la\u00e7os permanentes? (a palavra \u201cBond\u201d, em ingl\u00eas, significa exatamente \u201cv\u00ednculo\u201d ou \u201cla\u00e7o\u201d). Ora, o verdadeiro amor crist\u00e3o nos liga, em primeiro lugar a Deus, e em seguida aos outros. E nos liga sempre de modo incondicional e completo, \u00c9 sempre um la\u00e7o de doa\u00e7\u00e3o, de entrega aos outros. \u00c9 neste sentido, diz ele, que n\u00e3o h\u00e1 amor a Deus que n\u00e3o seja, por isto mesmo, religi\u00e3o, no sentido etimol\u00f3gico da palavra: areligi\u00e3o \u00e9 uma religa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 neste sentido que a Carta condena aquilo que se conhece como \u201cmachismo\u201d, no sentido de dureza, fechamento, apossamento ego\u00edsta do outro, falta de emo\u00e7\u00f5es. A Exorta\u00e7\u00e3o denuncia o machismo como uma m\u00e1scara delgada que cobre um medo interior dos verdadeiros relacionamentos, dos la\u00e7os que v\u00eam das aut\u00eanticas rela\u00e7\u00f5es. Por tr\u00e1s de tal m\u00e1scara, est\u00e1 apenas um homem ferido e estancado num medo adolescente de vulnerabilidade, talvez aprendido numa inf\u00e2ncia sem amor que agora \u00e9 repetido como um ciclo. N\u00e3o h\u00e1 verdadeira masculinidade no machismo.<\/p>\n<p>A Carta prop\u00f5e ent\u00e3o os tr\u00eas amores que identificam o verdadeiro homem crist\u00e3o: o amor de amigo, o amor de esposo e o amor de pai. Sobre estes temas, e sobre a terceira pergunta, falaremos no pr\u00f3ximo texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Zenit<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuamos o resumo e breves coment\u00e1rios sobre a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cFirmes en la Brecha\u201d, a respeito da masculinidade crist\u00e3, do Bispo de Phoenix, Arizona, Dom Thomas J. 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