{"id":12083,"date":"2015-10-22T13:04:40","date_gmt":"2015-10-22T15:04:40","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/10\/22\/sobre-a-masculinidade-crista-1-de-3\/"},"modified":"2017-06-02T16:46:23","modified_gmt":"2017-06-02T19:46:23","slug":"sobre-a-masculinidade-crista-1-de-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sobre-a-masculinidade-crista-1-de-3\/","title":{"rendered":"Sobre a masculinidade crist\u00e3 (1 de 3)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Apresentamos o resumo e breves coment\u00e1rios sobre a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cFirmes em la Brecha\u201d, a respeito da masculinidade crist\u00e3, do Bispo de Phoenix, Arizona, Dom Thomas J. Olmsted<\/p>\n<p>Li com muita aten\u00e7\u00e3o e alegria a exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u201cFirmes em la Brecha\u201d, do bispo Thomas J. Olmsted, da Diocese de Phoenix, sobre a masculinidade, para os homens cat\u00f3licos. \u00c9 uma carta interessant\u00edssima e oportuna. Pode ser encontrada em ingl\u00eas aqui, e em espanhol aqui. Vale a pena fazer um pequeno resumo, para aqueles que n\u00e3o dominam o ingl\u00eas ou o espanhol, ou mesmo para os que n\u00e3o tiverem tempo para ler a \u00edntegra do texto \u2013 que n\u00e3o \u00e9 grande, tem cerca de 32 p\u00e1ginas. Desejo, ent\u00e3o, numa s\u00e9rie de pequenos textos (dos quais este \u00e9 o primeiro), abordar esta Carta.<\/p>\n<p>A partir da constata\u00e7\u00e3o das defec\u00e7\u00f5es de tantos cat\u00f3licos, que t\u00eam abandonado a vida eclesial para transformar-se em \u201cnones\u201d, ou seja, pessoas sem religi\u00e3o definida (\u201cnenhum\u201d, ou \u201cningu\u00e9m\u201d, seria a palavra em ingl\u00eas, que provoca um duplo sentido intraduz\u00edvel para o portugu\u00eas \u2013 vale dizer, ao declarar-se \u201cnone\u201d, algu\u00e9m empobrece a pr\u00f3pria identidade pessoal), ele lamenta os efeitos destas defec\u00e7\u00f5es para a presente gera\u00e7\u00e3o, bem como para as futuras gera\u00e7\u00f5es de homens, j\u00e1 que elas n\u00e3o ter\u00e3o nenhum referencial masculino crist\u00e3o no qual espelharem sua pr\u00f3pria caminhada. O bispo convoca, ent\u00e3o, os homens cat\u00f3licos a permanecerem \u201cfirmes na brecha\u201d (citando Ezequiel 22, 30) dos muros da vida crist\u00e3.<\/p>\n<p>A carta \u00e9 muito interessante na medida que pretende ser, a um s\u00f3 tempo, um encorajamento, um desafio e um chamado \u00e0 miss\u00e3o para os homens de sua diocese. Ele pretende, ent\u00e3o, propor aos homens crist\u00e3os tr\u00eas perguntas:<\/p>\n<p>1 \u2013 O que significa ser um homem cat\u00f3lico?<\/p>\n<p>2 \u2013 Como ama um homem cat\u00f3lico?<\/p>\n<p>3 \u2013 Por que a paternidade, adequadamente compreendida, \u00e9 t\u00e3o crucial para qualquer homem?<\/p>\n<p>Antes, no entanto, de encaminhar respostas a estas perguntas t\u00e3o importantes, o Bispo prop\u00f5e a medita\u00e7\u00e3o sobre tr\u00eas importantes contextos que, no seu entendimento, s\u00e3o cruciais para compreender tais respostas.<\/p>\n<p>O primeiro Contexto.<\/p>\n<p>O primeiro contexto \u00e9 o da chamada \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d. Relembrando a chamada \u201cGrande Comiss\u00e3o\u201d de Jesus para a evangeliza\u00e7\u00e3o (\u201cIde pelo mundo e evangelizai\u201d, Mt 28, 16-20), que nos deixou com o grande dever de anunciar a boa nova por todos os meios dispon\u00edveis (prega\u00e7\u00e3o, ensinamento, testemunho frutuoso e fiel da vida familiar, o celibato pelo Reino, os meios e outras artes colocadas a servi\u00e7o do Evangelho), a Carta reconhece que nossa cultura contempor\u00e2nea ainda est\u00e1 permeada por alguns grandes valores evang\u00e9licos e grecorromanos, que ainda cimentam a nossa vida comum \u2013 cita a \u201cjusti\u00e7a\u201d, a &#8216;igualdade\u201d, a \u201cvirtude\u201d, a \u201cdignidade humana\u201d, a \u201ccompaix\u00e3o\u201d, os \u201cdez mandamentos\u201d, a \u201cregra de ouro\u201d, o \u201chospital\u201d e a \u201cuniversidade\u201d, todos frutos de uma civiliza\u00e7\u00e3o que recebeu e p\u00f4s em pr\u00e1tica o Evangelho. Mas, diz ele, h\u00e1 cupins trabalhando sobre estas funda\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1, no entanto, resposta ao decl\u00ednio cultural fora de Jesus, que \u201cfaz novas todas as coisas\u201d. Assim, uma vez que Nosso Senhor prometeu que estar\u00e1 sempre conosco, chama-nos a permanecer confiantes, propor a nova evangeliza\u00e7\u00e3o enquanto permanecemos \u201cfirmes na brecha\u201d.<\/p>\n<p>O Segundo Contexto.<\/p>\n<p>O segundo contexto \u00e9 a vis\u00e3o, proposta por Francisco, da Igreja como \u201chospital de campanha\u201d, ou seja, como lugar de acolhimento aos feridos pela guerra ao pecado. Esta \u00e9 a proposta de Francisco: Curar a n\u00f3s mesmos e aos demais, que levam em si as feridas da Queda. Feridas f\u00edsicas e espirituais, como o v\u00edcio da pornografia, as drogas, o \u00e1lcool, a comida, os matrim\u00f4nios destru\u00eddos, pais ausentes, vidas familiares problem\u00e1ticas. \u201cComo \u00e9 in\u00fatil perguntar a um ferido se tem o colesterol ou o a\u00e7\u00facar altos. Deve-se curar suas feridas!\u201d (disse o Papa Francisco numa entrevista cuja \u00edntegra est\u00e1 aqui). A esta proposta de ver a Igreja como \u201chospital de campanha\u201d o Bispo de Phoenix acrescenta a sua pr\u00f3pria vis\u00e3o da Igreja como \u201cEscola de Combate\u201d, na qual aprendemos a nos revestir da \u201carmadura de Deus\u201d para resistir \u00e0s ins\u00eddias do Dem\u00f4nio (Ef\u00e9sios 6, 11). E prop\u00f5e que experimentemos, como homens crist\u00e3os, a alegria de sermos enviados para combater com Cristo.<\/p>\n<p>O Terceiro Contexto.<\/p>\n<p>O terceiro contexto proposto \u00e9 o de ver homens e mulheres como pessoas complementares, e n\u00e3o rivais. Muito oportuna esta proposta, num mundo que escolheu implementar a luta entre os sexos (ou entre os \u201cg\u00eaneros\u201d, como alguns gostam de dizer) como pr\u00f3ximo passo no caminho de uma suposta \u201cliberta\u00e7\u00e3o humana\u201d. Ele prop\u00f5e, ent\u00e3o, que a complementariedade da masculinidade e feminilidade s\u00e3o a chave para a maneira pela qual os seres humanos s\u00e3o imagem de Deus. Reconhecer os seres humanos como distintos e complementares \u00e9, portanto, honrar este dado essencial da cria\u00e7\u00e3o e do plano de Deus para n\u00f3s. Ap\u00f3s mostrar os avan\u00e7os cient\u00edficos no sentido de estabelecer, inclusive, diferen\u00e7as biol\u00f3gicas e hormonais entre homens e mulheres (exceptuadas, como confirma\u00e7\u00f5es \u00e0 regra, as situa\u00e7\u00f5es eventualmente patol\u00f3gicas), ele denuncia a \u201cideologia de g\u00eanero\u201d (aquela ideologia que tem como objetivo desalojar as diferen\u00e7as sexuais criadas por Deus, removendo o \u201cmasculino\u201d e o \u201cfeminino\u201d como meio normativo para compreender a pessoa humana, e, no seu lugar, colocar v\u00e1rias outras \u201ccategorias de sexualidade\u201d).<\/p>\n<p>Abro um par\u00eantese para sublinhar a import\u00e2ncia dessa discuss\u00e3o, inclusive terminol\u00f3gica, sobre a substitui\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de \u201csexo\u201d pela no\u00e7\u00e3o altamente ideologizada de \u201cg\u00eanero\u201d. Recentemente, numa discuss\u00e3o no meu trabalho a respeito da pertin\u00eancia da express\u00e3o \u201cviol\u00eancia de g\u00eanero\u201d como r\u00f3tulo para a viol\u00eancia familiar, eu escrevi o seguinte: \u201cSempre defendi que viol\u00eancia de g\u00eanero, como aprendi, s\u00f3 ocorria quando algu\u00e9m deixava de fazer uma boa concord\u00e2ncia sint\u00e1tica entre o sujeito e o predicado. Ela tinha, ent\u00e3o, tr\u00eas facetas: a viol\u00eancia de g\u00eanero, de n\u00famero e de grau. Nestes casos, o erro sint\u00e1tico que violentava o g\u00eanero merecia uma anota\u00e7\u00e3o em vermelho e um grande desconto na nota da prova de portugu\u00eas. N\u00e3o se confundia, por\u00e9m, com sexo. Os seres vivos tinham sexo, as palavras tinham g\u00eanero. Por exemplo, a palavra \u201con\u00e7a\u201d, de g\u00eanero gramatical feminino, podia perfeitamente designar eventualmente um animal de sexo masculino. A confus\u00e3o, no caso, entre ontologia e gram\u00e1tica n\u00e3o parece colaborar com a clareza, mas com a ideologiza\u00e7\u00e3o da discuss\u00e3o.\u201d Combatamos com todo o nosso fervor a viol\u00eancia sexual, dom\u00e9stica, familiar, de opress\u00e3o, enfim, tudo isto \u00e9 deplor\u00e1vel. Mas certas categorias, como o g\u00eanero e sua carga de indefini\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica n\u00e3o facilitam o debate, simplesmente criam uma suspei\u00e7\u00e3o irrespond\u00edvel sobre todos os indiv\u00edduos de sexo masculino. E at\u00e9 contra os de sexo feminino que ousarem n\u00e3o admitir simplesmente a pauta dos ide\u00f3logos de g\u00eanero\u201d.<\/p>\n<p>A Ideologia de \u201cG\u00eanero\u201d e a masculinidade crist\u00e3.<\/p>\n<p>Ainda sob este terceiro contexto, a Carta exorta os crist\u00e3os a \u201cabra\u00e7ar mais profundamente a beleza e a riqueza da diferen\u00e7a sexual e defend\u00ea-la contra as falsas ideologias\u201d, citando uma fala do Papa Francisco numa recente alocu\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica das quartas-feiras (15 de abril de 2015), em que o amado Papa trata de diferen\u00e7a e complementariedade entre os sexos. A Carta destaca o seguinte trecho da fala do Papa, cuja \u00edntegra pode ser encontrada aqui:<\/p>\n<p>\u201cPergunto-me se a chamada teoria do gender n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m express\u00e3o de uma frustra\u00e7\u00e3o e resigna\u00e7\u00e3o, que visa cancelar a diferen\u00e7a sexual porque j\u00e1 n\u00e3o sabe confrontar-se com ela. Sim, corremos o risco de dar um passo atr\u00e1s. Com efeito, a remo\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a \u00e9 o problema, n\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, para resolver as suas problem\u00e1ticas de rela\u00e7\u00e3o, o homem e a mulher devem falar mais entre si, ouvir-se e conhecer-se mais, amar-se mais. Devem tratar-se com respeito e cooperar com amizade.\u201d<\/p>\n<p>Muito bem proposto, muito bem abordado o tema, pelo Bispo James Olmsted. Talvez a identidade masculina seja a bola da vez, na luta cultural contempor\u00e2nea. Oportuno tratar mais profundamente sobre ela. Precisamos sempre nos lembrar de que \u201cvirilidade\u201d tem a mesma raiz que \u201cvirtude\u201d, e n\u00e3o que \u201capetite\u201d, \u201cinclina\u00e7\u00e3o\u201d, \u201clibido\u201d ou \u201ctend\u00eancia\u201d. \u00c9 o car\u00e1ter, e n\u00e3o simplesmente o eventual desejo, que define um homem de verdade.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos textos trataremos das perguntas que a Carta prop\u00f5e, e das respostas que encaminha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Zenit<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresentamos o resumo e breves coment\u00e1rios sobre a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cFirmes em la Brecha\u201d, a respeito da masculinidade crist\u00e3, do Bispo de Phoenix, Arizona, Dom Thomas J. Olmsted Li com muita aten\u00e7\u00e3o e alegria a exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u201cFirmes em la Brecha\u201d, do bispo Thomas J. 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