{"id":12015,"date":"2015-10-17T03:00:00","date_gmt":"2015-10-17T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/10\/17\/canonizacao-dos-pais-de-santa-teresinha\/"},"modified":"2017-05-09T15:02:32","modified_gmt":"2017-05-09T18:02:32","slug":"canonizacao-dos-pais-de-santa-teresinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/canonizacao-dos-pais-de-santa-teresinha\/","title":{"rendered":"Canoniza\u00e7\u00e3o dos pais de Santa Teresinha"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Neste Domingo das Miss\u00f5es e dentro do momento em que se vive em Roma o S\u00ednodo sobre a Fam\u00edlia, o Papa Francisco canoniza 4 beatos, entre os quais os pais de Santa Teresinha.<br \/>Lu\u00eds Martin (1823-1894) e Z\u00e9lia Gu\u00e9rin (1831-1877) foram declarados bem-aventurados em 19 de outubro de 2008. A raz\u00e3o n\u00e3o foi por serem os pais de Santa Teresinha, mas por que se empenharam totalmente em fazer a vontade de Deus em qualquer situa\u00e7\u00e3o de suas vidas. Lu\u00eds e Z\u00e9lia, com suas vidas, nos ensinam que a santidade \u00e9 caminho para a esposa, o marido, os filhos, os colegas de trabalho e para a sexualidade. O santo n\u00e3o \u00e9 um super-homem, mas um homem verdadeiro. Dentro do contexto da Terceira Assembleia Geral do S\u00ednodo das Fam\u00edlias, o Papa Francisco apresenta os pais de Santa Teresinha como modelos de santidade a serem seguidos pelas fam\u00edlias hodiernas.<br \/> Se tanto amamos Teresinha de Lisieux, se tanto nos encanta sua santidade, devemos dizer que ela \u00e9 tamb\u00e9m fruto de seus pais, um casal que vivia o amor de Deus tanto na alegria como nas tristezas. As muitas cartas deixadas por Z\u00e9lia d\u00e3o testemunho deste colocar-se inteiramente nas m\u00e3os de Deus.<br \/> \u201cEu amo loucamente as crian\u00e7as e nasci para ter filhos\u201d, dizia Z\u00e9lia. Mas, contraditoriamente, esse lar n\u00e3o era para existir. Aos 20 anos, Lu\u00eds esteve na Su\u00ed\u00e7a para aprender o of\u00edcio de relojoeiro. Dirigiu-se ao Eremit\u00e9rio de S\u00e3o Bernardo, dos C\u00f4negos Regulares de Santo Agostinho, querendo ser monge. O Prior foi direto em n\u00e3o aceit\u00e1-lo e uma das raz\u00f5es era por ele n\u00e3o conhecer o latim. Lu\u00eds retorna a Alen\u00e7on e se dedica \u00e0 oficina de conserto de rel\u00f3gios.<br \/> J\u00e1 Z\u00e9lia Gu\u00e9rin desejava ser admitida entre as Irm\u00e3s de S\u00e3o Vicente de Paulo, em Alen\u00e7on. A Superiora n\u00e3o v\u00ea nela sinal de voca\u00e7\u00e3o. Decide, ent\u00e3o, aprender artes dom\u00e9sticas de bordados e confec\u00e7\u00f5es, abrindo pequeno neg\u00f3cio em Alen\u00e7on e indo de casa em casa \u00e0 procura de fregueses.<br \/> Lu\u00eds vive ardente espiritualidade alimentada no seio das Confer\u00eancias de S\u00e3o Vicente de Paulo, onde p\u00f4de se inserir no trabalho social e crist\u00e3o. As circunst\u00e2ncias o levaram a conhecer Z\u00e9lia Gu\u00e9rin, jovem de face di\u00e1fana e de sorriso doce e misterioso. Os dois se encontram e meses depois se casam, em 13 de julho de 1858. Z\u00e9lia est\u00e1 com 27 anos e inicia com Lu\u00eds um amor s\u00f3lido e dur\u00e1vel. Entre 1860 e 1873 nascem nove filhos, dos quais quatro morrem pouco depois do nascimento: Helena, Jos\u00e9, Jo\u00e3o Batista e Mel\u00e2nia Teresa.<br \/> Constitu\u00edam um casal t\u00edpico da pequena burguesia francesa do s\u00e9culo XIX. Levam uma vida ordin\u00e1ria, \u00e9 verdade, mas Deus ocupa um lugar especial em sua vida pessoal e comunit\u00e1ria. Diariamente frequentavam a Missa da manh\u00e3: Deus antes de tudo! A filha Celina escreveu, mais tarde: \u201cQuando papai comungava, ele permanecia em sil\u00eancio na volta para casa\u201d. \u201cContinuo a conversar com Nosso Senhor\u201d, dizia. No meio das tristezas pela perda dos filhos, \u201ctudo aceitamos na serenidade e no abandono \u00e0 vontade de Deus\u201d. Ora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia duas vezes ao dia, ao toque do \u00c2ngelus ao meio-dia e \u00e0s 18h. Natal, Quaresma, P\u00e1scoa, os meses marianos de maio e outubro, o 15 de agosto ocupam um lugar central em sua vida, tocando profundamente suas filhas. Essa espiritualidade conjugal e familiar n\u00e3o os isolou dos outros, pelo contr\u00e1rio, refor\u00e7ou sua aten\u00e7\u00e3o a todos: dom\u00e9sticas, conhecidos, vizinhos.<br \/> A casa dos Martin era casa de caridade. Lu\u00eds recolhe um epil\u00e9ptico na rua e cuida de assisti-lo. N\u00e3o hesita em convidar \u00e0 mesa os mendigos encontrados na rua. Visita os anci\u00e3os. Ensina \u00e0s filhas a honrar o pobre e a trat\u00e1-lo como um igual. Teresa ser\u00e1 a mais sensibilizada por esse exemplo. Podemos afirmar que a doutrina da \u201cpequena via\u201d que fez de Teresinha Doutora da Igreja nasce do exemplo da vida de Lu\u00eds e Z\u00e9lia. Em seus escritos, Santa Teresinha mais vezes dir\u00e1: \u201cO bom Deus deu-me um pai e uma m\u00e3e mais dignos do C\u00e9u que da terra\u201d.<br \/> Lu\u00eds e Z\u00e9lia educavam suas filhas para que fossem santas. O desejo de santidade que ali se vivia impregnava toda a vida familiar. A santidade se manifesta nas etapas vividas pelo casal, etapas t\u00e3o semelhantes \u00e0s de um casal atual: casamento tardio, trabalho, dupla jornada de Z\u00e9lia entre a casa e a loja, ambos assumem a educa\u00e7\u00e3o das filhas. Foram consumidos por doen\u00e7as contempor\u00e2neas: o c\u00e2ncer de Z\u00e9lia e a doen\u00e7a neuropsiqui\u00e1trica de Lu\u00eds. Atravessam a guerra de 1870 entre Fran\u00e7a e Alemanha, as crises econ\u00f4micas, o drama da morte de Z\u00e9lia em 1877. Sozinho, Lu\u00eds deve criar e educar suas cinco filhas: Maria, Paulina, Le\u00f4nia, Celina e Teresa.<br \/> Lu\u00eds e Z\u00e9lia vivem o sofrimento, cada um a seu modo. Em dezembro de 1864 Z\u00e9lia descobre um c\u00e2ncer imposs\u00edvel de ser operado, que n\u00e3o lhe oferece nenhuma chance de cura. Z\u00e9lia aceita a morte com coragem heroica, trabalhando at\u00e9 a v\u00e9spera, a cada manh\u00e3 participando da Missa. Sua for\u00e7a era a exist\u00eancia das cinco filhas. Em agosto de 1877 seus seios s\u00e3o amputados. Preocupa-se, sobretudo, por Le\u00f4nia, meio doentinha. Carrega a cruz por 12 anos, at\u00e9 a morte aos 46 anos, em 28 de agosto de 1877.<br \/> A Paix\u00e3o de Lu\u00eds com todos esses acontecimentos \u00e9 enorme. A partir de novembro de 1877 passa a residir em Lisieux e, sucessivamente, entrega todas as filhas a Deus na vida consagrada: Paulina (1882), Maria (1886), Le\u00f4nia (1899), Teresa (1888) e depois Celina (1894).<br \/> Relendo sua vida familiar \u00e0 luz do Amor Misericordioso, em 1896, Teresinha relembra a entrada no Carmelo nos bra\u00e7os de \u201cseu Rei\u201d e nunca imaginaria que poucos dias ap\u00f3s a tomada do h\u00e1bito seu querido pai \u201cdeveria beber a mais amarga, a mais humilhante de todas as ta\u00e7as\u201d. \u201cOs tr\u00eas anos de mart\u00edrio de Papai me parecem os mais am\u00e1veis, os mais frutuosos de toda a nossa vida. Eu n\u00e3o os trocaria por nada, por nenhum \u00eaxtase ou revela\u00e7\u00e3o este tesouro que deve provocar uma santa inveja nos Anjos da Corte Celeste\u201d.<br \/> Pouco antes da doen\u00e7a, Lu\u00eds escreveu \u00e0s tr\u00eas filhas carmelitas: \u201cDevo dizer-vos, minhas queridas filhas, que sou obrigado a agradecer e fazer-vos agradecer ao bom Deus, porque eu sinto que nossa fam\u00edlia, apesar de t\u00e3o humilde, tem a honra de ser privilegiada por nosso ador\u00e1vel Criador\u201d.<br \/> \u00c9 verdade que Deus cumulou de b\u00ean\u00e7\u00e3os e gra\u00e7as o lar de Lu\u00eds e Z\u00e9lia. \u00c9 mais verdade, por\u00e9m, que ambos abriram suas vidas ao dom de Deus, dele fazendo participar intensamente suas filhas.<br \/> Eles foram canonizados neste domingo, 18 de outubro, coincidindo com o S\u00ednodo da Fam\u00edlia e no Dia Mundial das Miss\u00f5es. Francisco tornou oficial esse fato em um consist\u00f3rio ordin\u00e1rio p\u00fablico celebrado no dia 27 de junho. <br \/> O Santo Padre j\u00e1 havia reconhecido, em mar\u00e7o deste ano, o segundo milagre que abriria as portas para a canoniza\u00e7\u00e3o dos pais de Santa Teresinha: foi a cura inexplic\u00e1vel de uma menina chamada Carmem.<br \/> Carmem nasceu com uma hemorragia cerebral que lhe afetava os pulm\u00f5es e o cora\u00e7\u00e3o. Agora ela est\u00e1 curada e sem sequelas. A cura foi fruto de um pedido de intercess\u00e3o \u2013 insistente e fervoroso \u2013 feito pela m\u00e3e de Carmem ao casal Louis e Maria Azelia Martin.<br \/> Com essas canoniza\u00e7\u00f5es, o Papa explicita a import\u00e2ncia da santidade dessa fam\u00edlia crist\u00e3 como um caminho concreto para a crise da fam\u00edlia hoje.<br \/>Este M\u00eas das Miss\u00f5es come\u00e7ou com a festa da co-padroeira das miss\u00f5es, conhecida como Santa Teresa do Menino Jesus. Marie-Fran\u00e7oise Th\u00e9r\u00e8se Martin nasceu em 1873 e faleceu em 1897. Ela foi canonizada em 1925 e tornada Doutora da Igreja em 1997. Embora nunca tenha sa\u00eddo do Mosteiro das Carmelitas Descal\u00e7as de Lisieux, \u00e9 considerada a Patrona das Miss\u00f5es. <br \/> Em 18 de mar\u00e7o, o Papa validou a recupera\u00e7\u00e3o de uma menina doente na Espanha como um milagre atribu\u00eddo \u00e0 intercess\u00e3o dos pais da santa. Louis Martin e Z\u00e9lie Gu\u00e9rin, mortos em 1894 e 1877, aos 71 e aos 46 anos, respectivamente, foram beatificados em 2008. Eles tiveram nove filhos, dos quais quatro faleceram ainda jovens, e cinco meninas ingressaram na vida religiosa. Casados em julho de 1858, eles compartilharam 19 anos de vida conjugal.<br \/> Assim sendo, queremos pedir a intercess\u00e3o deste t\u00e3o nobre casal a todas as fam\u00edlias do mundo inteiro, para que vivamos a santidade que Deus tanto nos pede.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste Domingo das Miss\u00f5es e dentro do momento em que se vive em Roma o S\u00ednodo sobre a Fam\u00edlia, o Papa Francisco canoniza 4 beatos, entre os quais os pais de Santa Teresinha.Lu\u00eds Martin (1823-1894) e Z\u00e9lia Gu\u00e9rin (1831-1877) foram declarados bem-aventurados em 19 de outubro de 2008. 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