{"id":11779,"date":"2015-09-24T18:36:47","date_gmt":"2015-09-24T21:36:47","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/09\/24\/minha-mae-era-freira-foi-estuprada-e-eu-nasci-hoje-quero-contar-minha-historia-2\/"},"modified":"2017-05-31T15:52:25","modified_gmt":"2017-05-31T18:52:25","slug":"minha-mae-era-freira-foi-estuprada-e-eu-nasci-hoje-quero-contar-minha-historia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/minha-mae-era-freira-foi-estuprada-e-eu-nasci-hoje-quero-contar-minha-historia-2\/","title":{"rendered":"Minha m\u00e3e era freira, foi estuprada e eu nasci. Hoje quero contar minha hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/00 freira.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Um testemunho comovente que a protagonista, uma jovem de 22 anos, quis compartilhar com os leitores da Aleteia<\/p>\n<p>Este testemunho comovente chegou at\u00e9 n\u00f3s pelas redes sociais, como resposta ao artigo \u201cDeus quer a vida que vem de um estupro?\u201d. Agradecemos pela coragem da sua autora, que prefere permanecer no anonimato, e esperamos que este relato toque o cora\u00e7\u00e3o de quem o ler.<\/p>\n<p>Decidi escrever este testemunho depois de ter lido o artigo que voc\u00eas publicaram h\u00e1 alguns dias sobre os beb\u00eas concebidos em um estupro. J\u00e1 se passaram 3 anos desde que descobri que fui concebida dessa maneira, e \u00e9 a primeira vez que falo t\u00e3o extensamente sobre isso.<\/p>\n<p>No come\u00e7o, eu tentava neg\u00e1-lo (ou n\u00e3o pensar muito nisso), pois para mim a primeira impress\u00e3o foi de que eu n\u00e3o estava nos planos de ningu\u00e9m da minha fam\u00edlia, muito menos nos planos da minha m\u00e3e, de verdade! Ela havia planejado uma vida totalmente diferente da que tem agora comigo.<\/p>\n<p>Ela era uma religiosa consagrada no momento do estupro (havia feito os votos perp\u00e9tuos 5 anos antes do meu nascimento). Sei que ela era uma grande religiosa, e tinha (e ainda tem) a mesma mentalidade do Papa Jo\u00e3o Paulo II: dar protagonismo aos jovens dentro da Igreja.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas coisas que ainda desconhe\u00e7o sobre o que aconteceu, porque fiquei sabendo disso por meio de umas cartas velhas que escreveram para a minha m\u00e3e na \u00e9poca. Ela passou toda a gravidez longe do seu pa\u00eds, recebendo cartas da sua fam\u00edlia, do seu melhor amigo (um sacerdote, que \u00e9 meu padrinho de Batismo) e de algumas das suas irm\u00e3s de comunidade.<\/p>\n<p>Sinto que Deus come\u00e7ou a agir desde o come\u00e7o, por meio da madre superiora da congrega\u00e7\u00e3o, cuja \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o desde o princ\u00edpio foi proteger a minha m\u00e3e; ela, junto com a fam\u00edlia da minha m\u00e3e, havia pensado que o melhor seria afast\u00e1-la do seu ambiente para que ela pudesse tomar uma decis\u00e3o sem press\u00f5es, e tamb\u00e9m para proteger a comunidade de freiras. Ela decidiria se me daria em ado\u00e7\u00e3o e voltaria \u00e0 comunidade, ou deixaria o h\u00e1bito e se tornaria m\u00e3e.<\/p>\n<p>Sei que Deus se manifestou por meio das pessoas que estavam com a minha m\u00e3e naquele ent\u00e3o, e pude palpar como iam crescendo os sentimentos ao longo dos meses (eu n\u00e3o tinha as cartas escritas pela minha m\u00e3e, mas as respostas a elas).<\/p>\n<p>Li todas as cartas mais de uma vez, e minhas favoritas sempre foram 3. Cada uma tem alguns meses de diferen\u00e7a; as emo\u00e7\u00f5es de cada momento s\u00e3o diferentes, e acho que me ajudar\u00e3o a dar um testemunho melhor.<\/p>\n<p>Pude notar como, no come\u00e7o, tudo estava nublado para ela; havia sentimento de culpa (isso \u00e9 muito comum, pelo que entendi, entre as v\u00edtimas de estupro, ao achar que ele poderia ser evitado) e nenhuma solu\u00e7\u00e3o parecia ser a correta; na verdade, a \u00fanica resposta clara era confiar em Deus.<\/p>\n<p>Em uma das cartas, meu padrinho lhe escreveu o seguinte: \u201cMinha querida R., at\u00e9 hoje me atormenta a ideia de por que eu n\u00e3o estava l\u00e1 para defender voc\u00ea, e por que Deus permitiu que isso lhe acontecesse, mas encontrei um pouco de calma na Palavra de Deus, com a leitura de J\u00f3. Deus nos coloca \u00e0 prova para ver a nossa fidelidade. Sei que voc\u00ea sair\u00e1 bem desta, como sempre o faz!\u201d.<\/p>\n<p>Ler sobre isso, em um primeiro momento, foi como um balde de \u00e1gua fria. Acho que todos n\u00f3s gostamos de pensar que fomos planejados e amados (ou pelo menos amados) desde o primeiro momento, mas a realidade \u00e9 que, mesmo que no come\u00e7o n\u00e3o seja assim, ou que em muitos casos nunca seja assim, Deus sim nos ama desde o momento em que nos planeja neste mundo. Demorei muito para compreender isso, mas o segredo foi segurar na m\u00e3o de Deus para compreender que tudo isso tinha um prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Conforme o tempo ia passando, pude notar que as pessoas que nos cercavam tinham muito carinho por mim, e me levavam em considera\u00e7\u00e3o em cada situa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. J\u00e1 n\u00e3o era s\u00f3 o bem da minha m\u00e3e, mas tamb\u00e9m o meu, porque no come\u00e7o foi dif\u00edcil de entender, as decis\u00f5es que ela tomaria tamb\u00e9m me afetariam. Todos come\u00e7avam a nos ver como uma fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Uma religiosa lhe enviou um cart\u00e3o com o seguinte texto: \u201cQuerida R., espero que voc\u00ea se encontre bem. Rezo sempre por voc\u00ea e por esta criatura que est\u00e1 no seu ventre. Pobrezinha, ela n\u00e3o tem culpa de nada, \u00e9 uma inocente que n\u00e3o tem por que pagar pelos erros de outros. Querida R., for\u00e7a!\u201d.<\/p>\n<p>Nesse momento, compreendi tudo, e tenho certeza de que minha m\u00e3e tamb\u00e9m come\u00e7ou a superar sua depress\u00e3o na \u00e9poca em que esse cart\u00e3o chegou. E eu pensei: \u201cBem, \u00e9 isso, sou filha de um estupro. Posso ficar me lamentando por ser um acidente, ou posso agradecer a Deus cada dia por ter me permitido viver e crescer com uma grande m\u00e3e\u201d.<\/p>\n<p>Ler esse pequeno cart\u00e3o foi como voltar a nascer. Conforme fui crescendo, descobri os planos que Deus havia preparado para mim, e agora que sei de onde venho, tenho muito mais vontade de realizar isso, porque sinto que Ele me deu uma oportunidade que \u00e9 negada a milh\u00f5es de beb\u00eas todos os dias.<\/p>\n<p>Finalmente chegou o dia do meu nascimento, em dezembro de 1993. Cheguei totalmente saud\u00e1vel, gra\u00e7as a Deus e \u00e0 minha m\u00e3e, que tamb\u00e9m esteve em perfeito estado de sa\u00fade. Meu padrinho escreveu este pequeno texto naquele dia: \u201cQuerida R., obrigado. Obrigado porque hoje voc\u00ea disse \u2018sim\u2019 \u00e0 vida\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso dizer que a\u00ed tudo se tornou mais f\u00e1cil, porque ainda restavam muitas coisas complicadas, entre elas pedir \u00e0 Santa S\u00e9 a dispensa dos votos religiosos, explicando os motivos que a obrigavam a isso.<\/p>\n<p>Mas Deus n\u00e3o permite um mal sem tirar um bem dele. Depois do meu nascimento, minha m\u00e3e conseguiu um emprego na Confer\u00eancia Episcopal do meu pa\u00eds, chegando, depois de alguns anos, a ser a respons\u00e1vel nacional da \u00e1rea da juventude. Deus n\u00e3o permitiu que ela se afastasse da sua op\u00e7\u00e3o de trabalhar pelos outros, pelos jovens, mesmo n\u00e3o sendo do jeito que ela imaginou no come\u00e7o.<\/p>\n<p>Eu cresci nesse ambiente, com jovens pr\u00f3ximos de Deus, que n\u00e3o tinham vergonha da sua f\u00e9, que seguiam Jesus e amavam Maria; por isso mesmo, hoje sou uma jovem apaixonada pela minha f\u00e9 e pela minha Igreja.<\/p>\n<p>Para concluir, s\u00f3 me resta agradecer a Deus pela oportunidade que Ele me deu, primeiramente de chegar a este mundo, e depois, de crescer ao lado de uma m\u00e3e que nunca considerou o aborto como uma op\u00e7\u00e3o. N\u00e3o foi nada f\u00e1cil, sobretudo para ela, mas todas as noites n\u00f3s nos colocamos nas m\u00e3os de Deus e pedimos a intercess\u00e3o de todos aqueles que j\u00e1 partiram, entre eles a superiora do convento.<\/p>\n<p>Aprendemos tudo juntas. Acho que ser somente n\u00f3s duas faz com que tenhamos um v\u00ednculo especial, e penso que a maneira como eu cheguei \u00e0 sua vida faz que o amor que ela tem por mim seja especial, por todas as situa\u00e7\u00f5es pelas quais ela teve de passar para chegar onde estamos agora.<\/p>\n<p>Espero que este testemunho seja \u00fatil para aquelas mulheres que, como minha m\u00e3e, est\u00e3o neste momento decidindo o futuro dos seus filhos. Por favor, nunca pensem no aborto! Deus tem um amor especial por voc\u00eas, e grandes planos para as crian\u00e7as que v\u00eam a este mundo sem ser desejadas; e para as m\u00e3es, Ele tem uma grande recompensa por terem dito \u201csim\u201d \u00e0 vida, mesmo que esta vida tenha vindo de uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o triste.<\/p>\n<p>E \u00e0s pessoas que foram concebidas em um estupro: por favor, honrem a Deus cada dia da sua vida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um testemunho comovente que a protagonista, uma jovem de 22 anos, quis compartilhar com os leitores da Aleteia Este testemunho comovente chegou at\u00e9 n\u00f3s pelas redes sociais, como resposta ao artigo \u201cDeus quer a vida que vem de um estupro?\u201d. 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