{"id":11710,"date":"2015-09-21T12:31:14","date_gmt":"2015-09-21T15:31:14","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/09\/21\/os-sonhos-do-farao\/"},"modified":"2017-05-09T16:07:57","modified_gmt":"2017-05-09T19:07:57","slug":"os-sonhos-do-farao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/os-sonhos-do-farao\/","title":{"rendered":"Os sonhos do Fara\u00f3"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos de crise n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o se pensar ou falar das vacas magras. E, preocupantemente, dos seus sete anos de domina\u00e7\u00e3o e devasta\u00e7\u00e3o sobre as pastagens terrenas. A hist\u00f3ria \u00e9 velha. Est\u00e1 no primeiro livro b\u00edblico, ilustrando um tempo de amarguras e desola\u00e7\u00e3o que se abateu sobre o Egito Antigo. Houve um sonho, uma esp\u00e9cie de premoni\u00e7\u00e3o que deixou preocupado o pr\u00f3prio fara\u00f3, por n\u00e3o entender com clareza o significado do pr\u00f3prio sonho.<br \/> Nas pris\u00f5es do imp\u00e9rio estava um injusti\u00e7ado, um pobre escravo tra\u00eddo e vendido pelos irm\u00e3os, que nada mais fazia a n\u00e3o ser aguardar os des\u00edgnios de Deus sobre sua vida. Atento \u00e0 sua voz interpretava os sinais dos tempos e esfor\u00e7ava-se para decifrar seus mist\u00e9rios. Eis que essa sua faculdade de sintonia com os mist\u00e9rios chegou aos ouvidos do fara\u00f3, cujos sonhos nenhum m\u00e1gico ou s\u00e1bio do Egito conseguia lhe dar uma explica\u00e7\u00e3o convincente. Sete vacas magras devoravam sete vacas gordas; sete espigas magras e ressequidas devoravam outras sete grossas e cheias.<br \/> As explica\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9, o jovem prisioneiro esquecido nas pris\u00f5es, convenceram o fara\u00f3: teriam pela frente sete anos de fartura e bonan\u00e7a, que seriam sucedidos por mais sete de muita fome, escassez na lavoura e nos meios produtivos, que poriam em risco n\u00e3o s\u00f3 o imp\u00e9rio, mas toda uma vasta regi\u00e3o da Terra. Era preciso encher os celeiros, economizar ao menos metade dos anos de prosperidade e assim vencer os anos de dificuldades. Ah, bendito Jos\u00e9, tornou-se o primeiro ministro de um pa\u00eds que soube se precaver! \u201cTendo acabado os sete anos de abund\u00e2ncia que houve no Egito, os sete anos de mis\u00e9ria come\u00e7aram, assim como o tinha predito Jos\u00e9. A fome assolou todos os pa\u00edses, mas havia p\u00e3o em toda a terra do Egito\u201d (Gen 41, 53-54).\u00a0 <br \/> Acontece que, em tempos de vacas gordas, engorda-se tamb\u00e9m a ambi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 cegueira maior que o ofuscamento do poder, do prazer, da vida f\u00e1cil e benfazeja. A voz prof\u00e9tica da pondera\u00e7\u00e3o e da prud\u00eancia \u00e9 soterrada nas pris\u00f5es do comodismo, do individualismo. \u201cVamos comer e beber, nos fartar com as alegrias do mundo e suas riquezas, enquanto podemos, enquanto ainda \u00e9 tempo!\u201d \u2013 pensam aqueles que se julgam senhores e diretores do lucro f\u00e1cil, da colheita sem muito esfor\u00e7o. Afundam-se e se esbaldam com os resultados de um trabalho aben\u00e7oado, fruto positivo de um esfor\u00e7o em conjunto, nunca m\u00e9rito apenas pessoal, individual. Colheita farta \u00e9 d\u00e1diva dos c\u00e9us. Sem us\u00e1-la com crit\u00e9rios, partilha justa e reservas futuras, torna-se fonte de disc\u00f3rdias, principio de maldi\u00e7\u00f5es.<br \/> O que era b\u00ean\u00e7\u00e3o, fonte de alegria, se transforma. O ouro vira p\u00f3. Da rosa sobram os espinhos. A figueira secou, a fonte idem. Ou, como bem disse um pol\u00edtico brasileiro: \u201cN\u00e3o se tira leite de vaca morta\u201d. \u201cEnt\u00e3o, o que diremos\u201d \u2013 perguntava sempre o ap\u00f3stolo Paulo diante dos impasses. Uma de suas cl\u00e1ssicas respostas sobrepuja qualquer momento de dificuldades terrenas: \u201cSe Deus \u00e9 por n\u00f3s, quem ser\u00e1 contra n\u00f3s\u201d. Seja qual o momento que atravessamos, de vacas gordas ou magras, tenhamos sempre presente a prote\u00e7\u00e3o e predile\u00e7\u00e3o divina por seu povo amado. Dificuldades existem e existir\u00e3o sempre. Faz parte dessa travessia. Ouro puro, pedra preciosa s\u00f3 ser\u00e3o valiosos quando moldados no fogo, lapidados pela paci\u00eancia do bom artes\u00e3o e colocados no tesouro do bem comum. Tal riqueza desconhece os dissabores das crises mundanas. Porque essas passam com o tempo, mas nos celeiros do Reino prevalecem as espigas fartas e maravilhosas daqueles que se deixaram podar no tempo de priva\u00e7\u00f5es. Apresentar\u00e3o frutos em abund\u00e2ncia na colheita definitiva. Esse \u00e9 o sonho do nosso Rei.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de crise n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o se pensar ou falar das vacas magras. E, preocupantemente, dos seus sete anos de domina\u00e7\u00e3o e devasta\u00e7\u00e3o sobre as pastagens terrenas. A hist\u00f3ria \u00e9 velha. Est\u00e1 no primeiro livro b\u00edblico, ilustrando um tempo de amarguras e desola\u00e7\u00e3o que se abateu sobre o Egito Antigo. 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