{"id":11675,"date":"2015-09-17T16:04:54","date_gmt":"2015-09-17T19:04:54","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/09\/17\/o-temor-filial-de-deus\/"},"modified":"2017-05-09T16:15:49","modified_gmt":"2017-05-09T19:15:49","slug":"o-temor-filial-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-temor-filial-de-deus\/","title":{"rendered":"O temor filial de Deus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre o temor de Deus e o amor a Deus. Ambos s\u00e3o dons do Divino Esp\u00edrito Santo. Um \u00e9 o come\u00e7o do relacionamento interpessoal com a divindade, o outro \u00e9 a imers\u00e3o no oceano da dile\u00e7\u00e3o divina. O temor conduz a evitar o mal, o amor leva a praticar o bem. Quando se age, por\u00e9m, somente no interesse pr\u00f3prio, pelo medo de um castigo eterno, a generosa entrega ao Criador se esvai. Existe uma diferen\u00e7a entre abominar o que desagrada a Deus por causa dos eventuais castigos pelo desprezo de um dos dez mandamentos e am\u00e1-lo porque Ele merece todo o afeto de um cora\u00e7\u00e3o filial. O crist\u00e3o procura neste caso se submeter e agradar a Deus n\u00e3o movido pelo receio de uma puni\u00e7\u00e3o devida a uma m\u00e1 a\u00e7\u00e3o, mas porque Ele merece ser amado sobre todas as coisas. Ent\u00e3o, como bem ensinou S\u00e3o Jo\u00e3o, \u201cno amor n\u00e3o h\u00e1 medo; o amor perfeito antes expulsa o medo, porque o medo traz consigo uma afli\u00e7\u00e3o; e quem tem medo, n\u00e3o \u00e9 perfeito no amor\u201d (1 Jo 4,18). Deste modo, o crist\u00e3o teme ofender a Deus n\u00e3o porque Ele pode castigar, mas porque O ama, sendo Ele infinitamente am\u00e1vel. Da\u00ed a distin\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica entre o arrependimento de um pecado por atri\u00e7\u00e3o na qual prevalece o temor da penalidade e a contri\u00e7\u00e3o perfeita na qual impera a dile\u00e7\u00e3o. A contri\u00e7\u00e3o perfeita leva o pecador a se arrepender de suas faltas porque Deus \u00e9 aquele que, unicamente, merece ser amado sobre todas as coisas, sendo El infinitamente am\u00e1vel. Entretanto, o temor reverencial do Ser Supremo produz efeitos magn\u00edficos dos quais resulta o progresso no amor, que tende a envolver a vida do crist\u00e3o.\u00a0 Com efeito, o temor inspira uma vigil\u00e2ncia cont\u00ednua para fugir de tudo que desagrada ao Todo Poderoso Senhor. Induz a se tomar precau\u00e7\u00f5es para, nem de longe, ofender Aquele que se ama. Obst\u00e1culos s\u00e3o afastados. Todos os liames que podem prender \u00e0s ilus\u00f5es terrenas ficam alijados. O mundo e seus ef\u00eameros prazeres \u00e9 que passam a ser temidos. A sensualidade, o dem\u00f4nio e suas insidias s\u00e3o vencidos. O crist\u00e3o passa a perceber que o temor servil \u00e9 pr\u00f3prio dos escravos, enquanto o amor verdadeiro \u00e9 a porta da aut\u00eantica liberdade. No af\u00e3 de contentar a Deus j\u00e1 n\u00e3o o incomodam os trabalhos, os sacrif\u00edcios, mesmo porque o amor tudo supera.\u00a0 O que se esquece muitas vezes \u00e9 que h\u00e1 tr\u00eas fontes do temor.\u00a0\u00a0 Se este vem de Deus a quem se teme perder \u00e9 isto uma prova de que \u00e9 temor louv\u00e1vel e abrir\u00e1 as portas para o amor.\u00a0 Se vem da imagina\u00e7\u00e3o mal dominada, precisa ser logo banido e a ele n\u00e3o se deve dar aten\u00e7\u00e3o alguma. Se vem do dem\u00f4nio, todo cuidado \u00e9 pouco, pois gerar\u00e1 o desespero. O meio para purificar o temor \u00e9 a confian\u00e7a inabal\u00e1vel em Deus, ao qual se deve abandonar inteiramente, entregando-se filialmente nas Suas m\u00e3os poderosas.\u00a0 Ent\u00e3o o dem\u00f4nio desaparece. Passa a reinar, t\u00e3o somente, o amor, \u00e2ncora certa de salva\u00e7\u00e3o. Entretanto, entre as consequ\u00eancias saud\u00e1veis do temor de Deus est\u00e1 o anseio do crist\u00e3o de se mortificar, corajosamente se dispondo a impedir tudo que o pudesse afastar de seu Senhor. Foge das ocasi\u00f5es de pecado n\u00e3o se deixando levar pelas sugest\u00f5es do espirito do mal. Deste modo, o temor \u00e9 contrapeso ao relaxamento espiritual e oferece ocasi\u00e3o a atos amorosos daquele que reverencia a Deus porque O quer amar. Eis porque diz a B\u00edblia: \u201cO temor de Deus \u00e9 o in\u00edcio da sabedoria\u201d. (Pv 9,10). O crist\u00e3o vai se tornando cada vez mais d\u00f3cil, mesmo porque sente ainda mais intensamente a prote\u00e7\u00e3o de um Deus que \u00e9 justo, mas sumamente misericordioso e desejoso de ser amado em plenitude. Vai se operando a passagem do temor para o amor. A alma se abre completamente para a esperan\u00e7a e esta a lan\u00e7a no mar da dile\u00e7\u00e3o divina. O Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 o amor eterno entre o Pai e o Filho, toma o governo da vida do crist\u00e3o que nunca deixa de reverenciar filialmente a Deus, mas faz do amor a atmosfera de sua exist\u00eancia. Ele se torna a cada instante mais unido a seu Criador. Bem escreveu S\u00e3o Paulo: \u201cAquele que adere a Deis (por amor) se torna um com Ele\u201d. Ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 lugar para temor algum. Deus come\u00e7a a reinar numa alma a qual, sob a inspira\u00e7\u00e3o do temor filial, atingiu a perfei\u00e7\u00e3o do amor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre o temor de Deus e o amor a Deus. Ambos s\u00e3o dons do Divino Esp\u00edrito Santo. Um \u00e9 o come\u00e7o do relacionamento interpessoal com a divindade, o outro \u00e9 a imers\u00e3o no oceano da dile\u00e7\u00e3o divina. O temor conduz a evitar o mal, o amor leva a praticar o bem. 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