{"id":11605,"date":"2015-09-14T14:05:58","date_gmt":"2015-09-14T17:05:58","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/09\/14\/o-naufragio-da-humanidade\/"},"modified":"2017-05-09T16:19:52","modified_gmt":"2017-05-09T19:19:52","slug":"o-naufragio-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-naufragio-da-humanidade\/","title":{"rendered":"O naufr\u00e1gio da humanidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"> O cen\u00e1rio era belo, paradis\u00edaco como em qualquer praia. Mas uma mancha incomum bailava ao sabor das ondas, como que embalada carinhosamente num ber\u00e7o de ninar. Seria o que imaginavam os guardi\u00f5es daquela fronteira? Para espanto, indigna\u00e7\u00e3o e triste constata\u00e7\u00e3o dos fatos, era mesmo o que seus olhos teimavam denunciar e seus cora\u00e7\u00f5es relutavam: o corpo de uma crian\u00e7a que o mar devolvia ao seu leg\u00edtimo habitat. Hoje o mundo todo contempla essa cena com indigna\u00e7\u00e3o e assombro: o corpo do menino Aylan Shenu , tr\u00eas anos, \u201cvomitado\u201d pelas ondas de um mar j\u00e1 enojado de tanto sangue que suas \u00e1guas sepultam.<\/p>\n<p> Lembrei-me de outro menino. Diferentemente deste, cujos pais sonhavam vencer o mar e encontrar um mundo diferente, uma terra bendita, o outro queria apenas transportar aquele mar para um buraco que seu dedinho fizera na areia. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, por ali passava um homem santo, preocupado em entender os mist\u00e9rios de Deus e decifr\u00e1-los a seus ouvintes. \u201cQue fazes, menino?\u201d \u2013 interrogou Agostinho. \u201cEstou a colocar o mar dentro desse buraco\u201d, respondeu a crian\u00e7a. \u201cMas n\u00e3o v\u00eas que isso \u00e9 imposs\u00edvel\u201d. Ao que o menino retorquiu: \u201cMais imposs\u00edvel \u00e9 explicar os mist\u00e9rios de Deus apenas por palavras\u201d. Dessa li\u00e7\u00e3o Santo Agostinho concluiu: \u201cAssim s\u00e3o os mist\u00e9rios da religi\u00e3o: quem pretenda compreend\u00ea-los, deslumbra-se; quem se obstina em explica-los, perde totalmente a f\u00e9\u201d. Ou, no dizer do ap\u00f3stolo: f\u00e9 sem obras \u00e9 morta; no m\u00ednimo, tamb\u00e9m causa v\u00f4mitos.<\/p>\n<p> Esse \u00e9 o paradoxo que estamos vivendo. O embate entre as grandes religi\u00f5es do mundo deixou de lado a pr\u00e1tica de seus ensinamentos. Por um lado aterrorizam, matam, estupram, chicoteiam, espoliam povos inteiros, independentemente de seus credos ou ra\u00e7as, para impor suas leis ditas religiosas. Por outro, na\u00e7\u00f5es de identidade crist\u00e3 fecham suas portas, torcem o nariz para seus \u201cinvasores\u201d e exigem de seus governantes a defesa de seus patrim\u00f4nios, territ\u00f3rios, empregos, etc. Seu maior argumento, no entanto, foge da preocupa\u00e7\u00e3o material: \u201cA maioria deles n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3, mas mu\u00e7ulmana\u201d, deixou escapar o primeiro-ministro h\u00fangaro Viktor Orban, \u201ccujo governo est\u00e1 terminando uma cerca de arame farpado na fronteira de seu pa\u00eds com a S\u00e9rvia para impedir a entrada de novos clandestinos\u201d (Veja). Tentam colocar o mar num pequeno buraco ou, como dizemos por aqui, tapam o Sol com peneira.<\/p>\n<p> A quest\u00e3o maior \u00e9 esta. Quem v\u00ea o sol se deixa ofuscar. A grandeza de Deus na hist\u00f3ria humana \u00e9 maior que nossas picuinhas terrenas. Ele est\u00e1 acima das nossas contradi\u00e7\u00f5es e radicalismos religiosos. Ele n\u00e3o criou os males que afligem, mas sempre nos apontou outros caminhos. Basta fazermos uso das \u00e2ncoras que seus ensinamentos nos deixaram, seja qual for a religi\u00e3o que professamos. Todas nos ensinam a ter f\u00e9, esperan\u00e7a, amor e caridade. Qualquer embarca\u00e7\u00e3o sob amea\u00e7a de naufr\u00e1gio usa quatro \u00e2ncoras para se estabilizar, aguardar o fim da tempestade e ancorar vitoriosa num porto seguro. O mundo se esquece desse princ\u00edpio b\u00e1sico de sobreviv\u00eancia; usar as quatro \u00e2ncoras: f\u00e9, esperan\u00e7a, amor e caridade. A continuar nesse ritmo, radicalismo de um lado e ego\u00edsmo do outro, a morte de inocentes n\u00e3o mais ser\u00e1 manchete globalizada, pois nem ela estampar\u00e1 nossos jornais e revistas para recordar nossos cen\u00e1rios outrora paradis\u00edacos. A manchete que nunca leremos pode ser esta: O naufr\u00e1gio da humanidade!\u00a0 Porque, se acontecer, o mundo ter\u00e1 chegado ao seu fim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cen\u00e1rio era belo, paradis\u00edaco como em qualquer praia. Mas uma mancha incomum bailava ao sabor das ondas, como que embalada carinhosamente num ber\u00e7o de ninar. Seria o que imaginavam os guardi\u00f5es daquela fronteira? 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