{"id":11590,"date":"2015-09-11T17:21:56","date_gmt":"2015-09-11T20:21:56","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/09\/11\/e-bonito-dizer-que-jesus-e-o-senhor-mais-exigente-e-ouvir-o-que-ele-tem-a-dizer\/"},"modified":"2017-05-31T14:58:55","modified_gmt":"2017-05-31T17:58:55","slug":"e-bonito-dizer-que-jesus-e-o-senhor-mais-exigente-e-ouvir-o-que-ele-tem-a-dizer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/e-bonito-dizer-que-jesus-e-o-senhor-mais-exigente-e-ouvir-o-que-ele-tem-a-dizer\/","title":{"rendered":"\u00c9 bonito dizer que Jesus \u00e9 o Senhor, mais exigente \u00e9 ouvir o que ele tem a dizer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Reflex\u00f5es de Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa, Arcebispo Metropolitano de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/p>\n<p>O conhecimento progressivo de Jesus provocou muitas interroga\u00e7\u00f5es no cora\u00e7\u00e3o de seus disc\u00edpulos. At\u00e9 hoje as opini\u00f5es se dividem em torno dele, na cont\u00ednua procura do relacionamento com Deus. Mesmo as pessoas que n\u00e3o professam a f\u00e9 s\u00e3o de algum modo tocadas pela sua presen\u00e7a e pela for\u00e7a de suas palavras. Os primeiros disc\u00edpulos do Senhor, homens simples, vindos do mundo do trabalho, com suas expectativas interiores tantas vezes confusas inclusive pelos limites da pr\u00f3pria pr\u00e1tica religiosa, tiveram que aprender, pouco a pouco, para superar a vis\u00e3o de um messias triunfalista e acolher o Senhor que era enviado pelo Pai, cujo itiner\u00e1rio passava pelo mist\u00e9rio da dor, sempre presente e sempre incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p>Depois do contato com multid\u00f5es que os cercavam, chega a hora da verdade, com crises que se sucederam, atrav\u00e9s das quais Jesus os conduz ao aprofundamento do ato de f\u00e9 (Cf. Mc 8, 27-35). Para alguns, cuja opini\u00e3o os pr\u00f3prios disc\u00edpulos recolheram e levaram a Jesus, este era Jo\u00e3o Batista ressurgido, quem sabe, Elias, ou algum dos profetas. Hoje ele \u00e9 considerado s\u00e1bio, revolucion\u00e1rio, at\u00e9 escritor, sem ter redigido um livro sequer! Jesus \u00e9 por muitos acolhido na beleza de suas palavras testemunhadas pelos Evangelhos, mas o que se seguiu a ele, a Igreja, nem sempre encontra aceita\u00e7\u00e3o, talvez por culpa dos pr\u00f3prios crist\u00e3os. Mas \u00e9 fato que Jesus Cristo intriga a todos que dele ouvem falar ou que se aproximam para conhec\u00ea-lo de perto. Pedro, em nome de seus irm\u00e3os, marcado pela pr\u00f3pria hist\u00f3ria de fragilidades e incertezas, mas corajoso para dar o primeiro passo, proclama a verdade da f\u00e9: \u201cTu \u00e9s o Messias\u201d. Ele \u00e9 chamado Cristo, Filho do Deus Vivo, \u00e9 reconhecido como Senhor, Salvador, aquele que devia vir ao mundo.<\/p>\n<p>O processo vivido por Pedro \u00e9 muito semelhante ao nosso. \u00c9 bonito dizer que Jesus \u00e9 o Senhor, mais exigente \u00e9 ouvir o que ele tem a dizer, quando escancara o cora\u00e7\u00e3o, quem sabe, animado pela prontid\u00e3o da resposta de Pedro: \u201cE come\u00e7ou a ensinar-lhes que era necess\u00e1rio o Filho do Homem sofrer muito, ser rejeitado pelos anci\u00e3os, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, depois de tr\u00eas dias, ressuscitar. Falava isso abertamente\u201d (Mc 8, 31-32). Sofrimento, Cruz, incompreens\u00f5es, persegui\u00e7\u00e3o e julgamento, enfermidades, inc\u00f4modos de todo tipo, tudo fica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de quem quiser! N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser crist\u00e3o para \u201ctopar\u201d com estes muitos trope\u00e7os a cada dia. No entanto, justamente no mais profundo da experi\u00eancia humana cotidiana, l\u00e1 dentro do mist\u00e9rio da dor, \u00e9 que Deus entra, dizendo que \u201c\u00e9 necess\u00e1rio\u201d! \u00c9 que voc\u00ea pode dar tantas coisas a Deus e ao pr\u00f3ximo, come\u00e7ando de sua fam\u00edlia, para chegar depois \u00e0s situa\u00e7\u00f5es mais dolorosas e absurdas desta terra. S\u00f3 l\u00e1 dentro da experi\u00eancia da dor, quando, mais forte do que outras vozes, ressoa a voz de Deus e voc\u00ea consegue dizer sim, transformando a dor em amor. Ali, naquela que chamei \u201chora da verdade\u201d, voc\u00ea se torna plenamente homem ou mulher, assume suas pr\u00f3prias responsabilidades, aceita n\u00e3o se apoiar nas muletas dos elogios ou do bom humor passageiro, numa palavra, amadurece! Voc\u00ea se transforma em disc\u00edpulo verdadeiro, podendo repetir um dos c\u00e2nticos do Servo Sofredor, e proclamar: \u201cO Senhor Deus abriu-me os ouvidos, e eu n\u00e3o fiquei revoltado, para tr\u00e1s n\u00e3o andei. Apresentei as costas aos que me queriam bater, ofereci o queixo aos que me queriam arrancar a barba e nem desviei o rosto dos insultos e dos escarros. O Senhor Deus \u00e9 o meu aliado por isso jamais ficarei derrotado, fico de rosto impass\u00edvel, duro como pedra, porque sei que n\u00e3o vou me sentir um fracassado\u201d (Is 50, 5-7).<\/p>\n<p> H\u00e1 op\u00e7\u00f5es a serem feitas pelo crist\u00e3o diante dos desafios da vida. Vale come\u00e7ar pela disposi\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o. Aceitar ser servo, antes de pretender mandar em tudo e em todos, justamente num mundo que desgasta pela competi\u00e7\u00e3o e pela corrida pelas primeiras posi\u00e7\u00f5es, com os frutos que constatamos na crise em que nos encontramos. Ser servo significa tomar iniciativas de servi\u00e7o e solidariedade, quando tudo mostra justamente o contr\u00e1rio, com pessoas que buscam a qualquer pre\u00e7o salvar a pr\u00f3pria pele. Pedro, o ap\u00f3stolo a que foi confiado o primado, quando Jesus come\u00e7a a falar de cruz, assusta-se e precisa ser repreendido, por pensar as coisas de um modo t\u00e3o humano que o afasta de Deus.<\/p>\n<p> Chamar de Cruz, reconhecer a misteriosa presen\u00e7a do Senhor em todas as dificuldades, sem exce\u00e7\u00e3o, \u00e9 ato da intelig\u00eancia da f\u00e9 de quem procura ver o rumo dos acontecimentos e n\u00e3o apenas o quadro limitado dos problemas, que parecem ser maiores do que nossa capacidade para enfrent\u00e1-los. Trata-se de n\u00e3o perder tempo, mas reconhecer sempre, logo e com alegria a presen\u00e7a misteriosa e fecunda de Jesus, na sua entrega at\u00e9 o abandono, experimentada na Cruz.<\/p>\n<p>Diante da Cruz, descobri-la em seus dois sentidos, voltada para o alto e para a eternidade e aberta para acolher as outras pessoas. Dois amores devem se encontrar no cora\u00e7\u00e3o de quem professa a f\u00e9 crist\u00e3: amar a Deus com todas as for\u00e7as, toda a intelig\u00eancia e todo o afeto, amar o pr\u00f3ximo com o amor que vem do pr\u00f3prio Deus, com a medida o amor de Cristo.<\/p>\n<p> Estas escolhas exigentes foram expressas de modo profundo por Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, numa medita\u00e7\u00e3o, que tenho a alegria de compartilhar: \u201cTenho um s\u00f3 esposo sobre a terra: Jesus crucificado e abandonado. N\u00e3o tenho outro Deus sen\u00e3o Ele. Nele est\u00e1 todo o para\u00edso com a Trindade e toda a terra com a humanidade. Por isso, o que \u00e9 seu \u00e9 meu e nada mais. Sua \u00e9 a dor universal, portanto \u00e9 minha. Sairei pelo mundo buscando-o em cada instante da minha vida. O que me faz mal \u00e9 meu. Minha \u00e9 a dor que me perpassa no presente. Minha, a dor das almas ao meu lado. Meu tudo aquilo que n\u00e3o \u00e9 paz, g\u00e1udio, belo, am\u00e1vel, sereno&#8230; Assim, pelos anos que me restam, sedenta de dores, de ang\u00fastias, de desesperos, de separa\u00e7\u00f5es, de ex\u00edlios, de abandonos, de dilacera\u00e7\u00f5es&#8230; de tudo aquilo que \u00e9 Ele, e Ele \u00e9 a dor. Assim, enxugarei a \u00e1gua da tribula\u00e7\u00e3o em muitos cora\u00e7\u00f5es vizinhos e, pela comunh\u00e3o com meu esposo onipotente, nos cora\u00e7\u00f5es distantes. Passarei como fogo que consome tudo o que deve cair e deixa em p\u00e9 somente a Verdade. Mas \u00e9 preciso ser como ele, Ser ele no momento presente da vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Zenit<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00f5es de Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa, Arcebispo Metropolitano de Bel\u00e9m do Par\u00e1 O conhecimento progressivo de Jesus provocou muitas interroga\u00e7\u00f5es no cora\u00e7\u00e3o de seus disc\u00edpulos. At\u00e9 hoje as opini\u00f5es se dividem em torno dele, na cont\u00ednua procura do relacionamento com Deus. Mesmo as pessoas que n\u00e3o professam a f\u00e9 s\u00e3o de algum modo tocadas pela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-11590","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11590"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11590\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26846,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11590\/revisions\/26846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}