{"id":11542,"date":"2015-09-04T18:12:19","date_gmt":"2015-09-04T21:12:19","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/09\/04\/vence-a-indiferenca-e-conquista-a-paz-2\/"},"modified":"2017-05-09T16:30:51","modified_gmt":"2017-05-09T19:30:51","slug":"vence-a-indiferenca-e-conquista-a-paz-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/vence-a-indiferenca-e-conquista-a-paz-2\/","title":{"rendered":"\u201cVence a indiferen\u00e7a e conquista a paz\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos no Brasil o Ano da Paz! Aqui no Rio tivemos um simp\u00f3sio sobre a justi\u00e7a e paz com o Cardeal Turkson. Foi lan\u00e7ado nestes dias o tema do pr\u00f3ximo Dia Mundial da Paz. A procura e busca da paz aparecem a cada instante como desejo das pessoas de boa vontade. Eis um tema sempre atual. <br \/> As not\u00edcias locais, nacionais e internacionais nos questionam sobre o que fazer diante de tanta viol\u00eancia, que n\u00e3o poupa sequer as crian\u00e7as e faz fechar as fronteiras dos pa\u00edses. N\u00e3o se v\u00ea rea\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses diante de tantas atrocidades. Apenas a voz do Papa Francisco, e, consequentemente, da Igreja, ecoa por esses rinc\u00f5es perdidos do mundo a procura de um tempo diferente. O homem continua sendo inimigo do pr\u00f3prio homem e destruindo-se mutuamente. <br \/> Diante de tanto \u00f3dio e indiferen\u00e7a, o simp\u00f3sio internacional na PUC sobre a cultura da paz e da justi\u00e7a diante de um mundo em conflito nos faz tomar atitudes concretas. Os questionamentos do Cardeal Turkson em seus v\u00e1rios pronunciamentos nos colocam a caminho de poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es. Come\u00e7amos por n\u00f3s mesmos. Como, na grande cidade, encontrar a presen\u00e7a de Deus e levar a cultura do encontro e da paz? Diante de tantas situa\u00e7\u00f5es calamitosas, continuaremos a nos silenciar como se nada tivesse acontecendo?<br \/> N\u00f3s iniciamos cada ano com o Dia Mundial da Paz, institu\u00eddo pelo Beato Papa Paulo VI no dia 8 de dezembro de 1967, com vistas a come\u00e7ar no primeiro dia de janeiro de 1968. \u00c9 um dos frutos do Conc\u00edlio Vaticano II. <br \/>A data \u00e9 muito prop\u00edcia, pois toca, a nosso ver, tr\u00eas pontos deveras especiais: 1) o in\u00edcio de um novo ano, no qual as pessoas costumam fazer votos de grandes realiza\u00e7\u00f5es aos seus semelhantes. Ora, nada melhor do que desejar paz, que \u00e9 a tranquilidade da ordem, no dizer de Santo Agostinho de Hipona (s\u00e9culo V); 2) \u00e9 o Dia de Nossa Senhora, celebrada sob o t\u00edtulo mais antigo que a Igreja lhe reconheceu: o de M\u00e3e de Deus (Theot\u00f3kos), definido j\u00e1 no ano de 431, no Conc\u00edlio de \u00c9feso, e que, a partir de 1917 passou a ser invocada pelo Papa Bento XV tamb\u00e9m como a Rainha da Paz, tendo em vista tantos problemas da humanidade, mas especialmente a Primeira Grande Guerra de 1914 a 1918; 3) o Ano Novo \u00e9 tempo de renascimento interior, pois no dia 25 de dezembro o Menino Deus, Pr\u00edncipe da Paz, vem at\u00e9 n\u00f3s e nos traz o desejo da reconcilia\u00e7\u00e3o com Ele mesmo e com os irm\u00e3os e irm\u00e3s, de modo que importa, para bem celebrarmos o Santo Natal e o Ano Bom, a prepara\u00e7\u00e3o interior, especialmente por meio da Confiss\u00e3o Sacramental em nossas par\u00f3quias. <br \/> Em vista de tudo isso, j\u00e1 h\u00e1 motivos suficientes para come\u00e7armos a pensar no Dia Mundial da Paz de 1\u00ba de janeiro de 2016 com o tema: \u201cVence a indiferen\u00e7a, conquista a Paz\u201d. Afinal, como j\u00e1 se tem alertado em muitas outras vezes, n\u00f3s vivemos a chamada \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a\u201d e perdemos o nosso senso de perten\u00e7a ao grande universo com os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, os seres humanos, e, por conseguinte, com o restante de toda a obra criada, conforme relembra a enc\u00edclica Laudato Si\u2019. Parece que somos autossuficientes e n\u00e3o dependemos de ningu\u00e9m, nem nos interessa a dor ou a alegria alheia. Voltamos ao velho chav\u00e3o: \u201cCada um por si e Deus por todos\u201d, esquecendo-nos de que, diariamente, rezamos (ou ao menos dever\u00edamos rezar) a Ora\u00e7\u00e3o do Senhor, na qual n\u00e3o dizemos \u201cPai meu\u201d, mas, sim, \u201cPai Nosso\u201d. Da\u00ed decorre que temos irm\u00e3os e irm\u00e3s a zelar e, ao contr\u00e1rio de Caim (cf. Gn 4,1-16), precisamos entender que somos respons\u00e1veis por eles em suas gl\u00f3rias e desventuras, dizendo \u201cn\u00e3o\u201d ao individualismo. <br \/> Natural de Gana, na \u00c1frica, o Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, que esteve entre n\u00f3s, \u00e9 atualmente o presidente do Pontif\u00edcio Conselho de Justi\u00e7a e Paz no Vaticano. Foi convidado por n\u00f3s e pela PUC do Rio de Janeiro para proferir confer\u00eancias sobre a quest\u00e3o da justi\u00e7a e da paz. O Cardeal Turkson tem uma importante atua\u00e7\u00e3o no documento do Papa sobre a ecologia, a Laudato Si\u2019, pois \u00e9 uma pessoa que trabalha com bastante conhecimento nessa \u00e1rea.<br \/> A ag\u00eancia do Vaticano nos fala sobre o an\u00fancio do Dia Mundial da Paz 2016: \u201cA paz deve ser conquistada: n\u00e3o \u00e9 um bem que se obt\u00e9m sem esfor\u00e7os, sem convers\u00e3o, sem criatividade e sem dial\u00e9tica. Trata-se de sensibilizar e formar o sentido de responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s graves quest\u00f5es que afligem a fam\u00edlia humana, como o fundamentalismo e seus massacres, as persegui\u00e7\u00f5es por causa da f\u00e9 e de perten\u00e7a \u00e9tnica, as viola\u00e7\u00f5es da liberdade e dos direitos dos povos, o abuso e a escravid\u00e3o das pessoas, a corrup\u00e7\u00e3o e o crime organizado, as guerras que causam o drama dos refugiados e dos emigrantes for\u00e7ados\u201d. <br \/> Mais: \u201cA mensagem de 2016 pretende ser um ponto de partida para todas as pessoas de boa vontade, em particular aquelas que atuam na educa\u00e7\u00e3o, na cultura e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, para que ajam, cada uma segundo suas pr\u00f3prias possibilidades e de acordo com as melhores aspira\u00e7\u00f5es, para constru\u00edrem juntas um mundo mais consciente e misericordioso e, portanto, mais livre e mais justo\u201d. <br \/> \u00c9 certo que as nossas sociedades, tanto urbanas, sobretudo das metr\u00f3poles, e tamb\u00e9m as rurais, mudaram muito com a escalada da viol\u00eancia nos \u00faltimos tempos, de modo que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais reciprocidade nas pessoas; elas falam com as outras n\u00e3o raras vezes precavidas de poderem estar sendo v\u00edtimas de um golpe estelionat\u00e1rio ou mesmo de um \u201cestudo\u201d para serem futuramente assaltadas ou sequestradas. Nem os mais idosos escapam. Isso gera desconfian\u00e7a, medo e a consequente falta de caridade. A cultura da cordialidade brasileira, conhecida at\u00e9 no exterior, parece demasiadamente amea\u00e7ada, sem que haja uma resposta \u00e0 altura. <br \/> Tudo isso sem falar nos conflitos de guerras espalhados pelo mundo, nos quais centenas de milhares de pessoas j\u00e1 perderam suas vidas, dentre elas fam\u00edlias inteiras inocentes e alheias aos problemas causados por disputas de poder, sejam de que tipos forem, sempre t\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0 paz que Cristo nos veio trazer. Vez ou outra s\u00e3o reacesos de problemas antigos ou alimentados novos, de modo que o pr\u00f3prio Papa Francisco chegou a falar que estamos no contexto de uma 3\u00aa Guerra Mundial, tamanha a for\u00e7a da viol\u00eancia que testemunhamos nos nossos tempos. Tempos de grandes avan\u00e7os cient\u00edfico-tecnol\u00f3gicos, mas ausentes, n\u00e3o poucas vezes, de humanidade, de caridade, de amor ao pr\u00f3ximo, o que gera a frieza para com o semelhante e a indiferen\u00e7a para com o mal. <br \/> Tamb\u00e9m falta paz aos setores mais fr\u00e1geis das nossas sociedades em diversas partes do mundo, de modo que na recente Enc\u00edclica Laudato Si\u2019 Francisco repete muitas vezes o dilema dos mais pobres. Ele o faz n\u00e3o apenas para relembrar chav\u00f5es que possam inspirar a odiosa luta de classes, mas, sim, para sustentar a op\u00e7\u00e3o preferencial, por\u00e9m n\u00e3o exclusiva nem excludente, para com aqueles que n\u00e3o t\u00eam voz e nem vez em um mundo marcado pela busca incessante do lucro e do poder. Aquele que nada produz \u00e9 relegado \u00e0 cultura do descarte. Est\u00e3o aqui, como sempre recorda o Santo Padre, as crian\u00e7as indefesas no ventre materno, tidas por alguns como meros amontoados de c\u00e9lulas, mas n\u00e3o uma vida humana como todas as outras. Da\u00ed, a viol\u00eancia do aborto a amea\u00e7\u00e1-las ainda antes de verem a luz do dia; os idosos sozinhos, que tanto fizeram pela humanidade, vivem quais prisioneiros de guerra em alguns pa\u00edses, com medo de irem ao m\u00e9dico para uma consulta de rotina, serem diagnosticados com problemas graves e sofrerem a eutan\u00e1sia compuls\u00f3ria. Ou seja, n\u00e3o serve, mata. \u00c9 a l\u00f3gica da indiferen\u00e7a que foge da paz e gera o medo. Outra classe atingida pela aus\u00eancia de paz \u00e9 a dos adolescentes e jovens que, sem trabalhos ou estudos, ficam \u00e0 margem de uma sociedade excludente, na qual parece haver uma sele\u00e7\u00e3o desumana, com lugar apenas para os fortes ou preparados. Os demais podem cair em uma escravid\u00e3o terr\u00edvel de v\u00edcios e crimes que n\u00e3o se curam com pris\u00f5es, mas, sim, com m\u00e9todos educativos abrangentes, capazes de chegar a todos de verdade e sem omiss\u00f5es da sociedade em geral, especialmente do poder p\u00fablico, que se prop\u00f5e a dar uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade ao nosso povo. <br \/> Outras duas formas de viol\u00eancia que n\u00e3o podem deixar de ser registradas em nossos dias s\u00e3o a persegui\u00e7\u00e3o sangrenta \u00e0s minorias religiosas, especialmente aos crist\u00e3os em alguns pa\u00edses dominados por radicais de v\u00e1rios segmentos religiosos ou filos\u00f3ficos, com destaques para a \u00cdndia, o Oriente M\u00e9dio, a China ou certas regi\u00f5es da \u00c1frica, onde tamb\u00e9m existem conflitos raciais h\u00e1 muito tempo, ou as persegui\u00e7\u00f5es mais veladas nos pa\u00edses ditos democr\u00e1ticos, mas que impedem o livre exerc\u00edcio da liberdade religiosa e de consci\u00eancia. At\u00e9 mesmo no Brasil, a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia, entendida como um direito humano b\u00e1sico de se opor a tudo aquilo que contraria nossos princ\u00edpios religiosos, filos\u00f3ficos ou pacifistas, vem sendo amea\u00e7ada e pode mesmo ser surpresa, caso as for\u00e7as vivas da Na\u00e7\u00e3o n\u00e3o ergam suas vozes, dentro da lei e da ordem, mas com firmeza, contra essa forma de viol\u00eancia disfar\u00e7ada, por\u00e9m muito intolerante. <br \/> Diante desse quadro sombrio, contudo bastante incompleto, alguns seriam levados ao desespero. Afinal, que fazer? A primeira atitude do crist\u00e3o \u00e9 converter o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, a fim de que o mundo \u00e0 sua volta seja melhor, pois, ao contr\u00e1rio do que prega a sociedade individualista, n\u00f3s somos, na humanidade, solid\u00e1rios uns para com os outros, de modo que o bem que fazemos ou deixamos de fazer repercute na vida dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s de forma ben\u00e9fica ou tr\u00e1gica. A segunda atitude \u00e9 buscarmos nos aliar a grupos s\u00e9rios, de car\u00e1ter religioso ou n\u00e3o, que trabalham pela paz e pelo bem do pr\u00f3ximo, por meio da caridade. Seremos uma gotinha no oceano, mas ali faremos a diferen\u00e7a que s\u00f3 o nosso trabalho pode fazer: o pouco com Deus \u00e9 tudo! <br \/> Nada disso, no entanto, se consegue sem a ora\u00e7\u00e3o, alma da alma crist\u00e3, conforme se referem alguns autores entendidos no caminho da espiritualidade. Reflitamos, rezemos e ajamos dentro de nossas possibilidades para que a paz realmente frutifique em nosso meio, come\u00e7ando em nossa casa, no trabalho, na escola, enfim, nos nossos ambientes cotidianos, para da\u00ed se espalhar, positivamente, por toda a sociedade, com a gra\u00e7a de Deus e a intercess\u00e3o de sua M\u00e3e Maria Sant\u00edssima, a Rainha da Paz. <br \/> No pr\u00f3ximo dia 4 de outubro, a Igreja no Brasil est\u00e1 convocada para a \u201cCaminhada pela paz\u201d. \u00c9 o dia de S\u00e3o Francisco de Assis. Como vivemos no Brasil o Ano da Paz e, ao mesmo tempo, n\u00f3s nos escandalizamos com tantas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia, somos chamados a conclamar a todos para dizer \u201cSomos da Paz\u201d. Como nos recorda a nossa Confer\u00eancia Episcopal: \u201cser\u00e1 importante que n\u00f3s, cat\u00f3licos e pessoas de boa vontade, demonstremos publicamente que desejamos uma sociedade fraterna e que somos contra a viol\u00eancia\u201d.<br \/> Que esta atitude nos impulsione para outras transforma\u00e7\u00f5es em nossas vidas e em nossas comunidades com atitudes concretas de miseric\u00f3rdia e de paz. O Jubileu da Miseric\u00f3rdia ser\u00e1 um \u00f3timo caminho para, al\u00e9m da justi\u00e7a, construirmos a paz em nossas fronteiras, pois \u201cDeus habita na cidade\u201d, e em Cristo temos a Paz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos no Brasil o Ano da Paz! Aqui no Rio tivemos um simp\u00f3sio sobre a justi\u00e7a e paz com o Cardeal Turkson. Foi lan\u00e7ado nestes dias o tema do pr\u00f3ximo Dia Mundial da Paz. 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