{"id":11515,"date":"2015-09-02T16:52:58","date_gmt":"2015-09-02T19:52:58","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2015\/09\/02\/jubileu-os-lefebvrianos-agradecem-ao-papa-pelo-seu-qgesto-paternoq\/"},"modified":"2017-05-31T15:37:56","modified_gmt":"2017-05-31T18:37:56","slug":"jubileu-os-lefebvrianos-agradecem-ao-papa-pelo-seu-qgesto-paternoq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/jubileu-os-lefebvrianos-agradecem-ao-papa-pelo-seu-qgesto-paternoq\/","title":{"rendered":"Jubileu: os lefebvrianos agradecem ao papa pelo seu &#8220;gesto paterno&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A Fraternidade de S\u00e3o Pio X agradece a disposi\u00e7\u00e3o de Francisco de considerar v\u00e1lidas as confiss\u00f5es dos fi\u00e9is com os sacerdotes da comunidade durante o Ano Santo. Um novo passo para a reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi recebida com gratid\u00e3o pela Fraternidade Sacerdotal de S\u00e3o Pio X a m\u00e3o estendida ontem por Francisco, em sua carta pelo Jubileu da Miseric\u00f3rdia enviada a dom Rino Fisichella, presidente do Pontif\u00edcio Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo par\u00e1grafo da carta, dirigindo um pensamento &#8220;aos fi\u00e9is que, por diversas raz\u00f5es, frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de S\u00e3o Pio X&#8221;, o papa comunica a decis\u00e3o de que aqueles que durante o Ano Santo da Miseric\u00f3rdia recorrerem ao sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o junto aos sacerdotes da comunidade receber\u00e3o v\u00e1lida e licitamente a absolvi\u00e7\u00e3o dos seus pecados&#8221;.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o suscitou grande reconhecimento entre os membros da fraternidade fundada pelo arcebispo tradicionalista Marcel Lefebvre em Friburgo. Em comunicado, eles definem o gesto do Sumo Pont\u00edfice como &#8220;paterno&#8221;. A nota diz: &#8220;No minist\u00e9rio do sacramento da penit\u00eancia, esta sempre se apoiou, com absoluta certeza, na jurisdi\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria conferida pelas Normae Generales do C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico (&#8230;) Durante este ano de convers\u00e3o, os sacerdotes da Fraternidade S\u00e3o Pio X trar\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o o exerc\u00edcio generoso e renovado de seu minist\u00e9rio no confession\u00e1rio, seguindo o exemplo de dedica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua que o Santo Cura d&#8217;Ars deu a todos os sacerdotes&#8221;.<\/p>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o de Francisco nasce do desejo de &#8220;n\u00e3o excluir ningu\u00e9m&#8221; da miseric\u00f3rdia do Senhor, que o Ano Santo quer comemorar, mas tamb\u00e9m e especialmente das solicita\u00e7\u00f5es de bispos do mundo inteiro que referiam ao papa o &#8220;desconforto&#8221; de alguns fi\u00e9is que &#8220;vivem condi\u00e7\u00f5es pastoralmente dif\u00edceis&#8221;. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, tornar concreta essa busca de &#8220;solu\u00e7\u00f5es para recuperar a plena comunh\u00e3o com os sacerdotes e superiores da Fraternidade&#8221;, como o pr\u00f3prio papa augura na carta.<\/p>\n<p>Essa comunh\u00e3o ainda se ressente das diverg\u00eancias do passado, apesar do ramo de oliveira oferecido por Bento XVI em janeiro de 2009 ao levantar as excomunh\u00f5es dos quatro bispos ordenados por Lefebvre em 1988 \u2013 entre eles, o su\u00ed\u00e7o Bernard Fellay, atual superior geral.<\/p>\n<p>Na ideia de Lefevbre, a sociedade de vida apost\u00f3lica tradicionalista n\u00e3o tinha &#8220;um objetivo de contesta\u00e7\u00e3o ou de oposi\u00e7\u00e3o&#8221;, mas de &#8220;velar pela boa forma\u00e7\u00e3o do sacerdote&#8221;. Ela come\u00e7ou como um &#8220;conv\u00edvio internacional&#8221; em Friburgo e mais tarde se tornou um semin\u00e1rio em Ec\u00f4ne, na Su\u00ed\u00e7a, visto o aumento de pedidos de admiss\u00e3o. Procuraram \u201cref\u00fagio\u201d nela os cat\u00f3licos desorientados com a \u201cruptura\u201d que o Vaticano II teria provocado com a tradi\u00e7\u00e3o, fen\u00f4meno que caracterizou os anos 60 e 70 em alguns setores da Igreja e do episcopado, especialmente na Fran\u00e7a e no Norte da Europa. A nova comunidade representava um forte contraste \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es do conc\u00edlio em mat\u00e9ria de doutrina e liturgia e uma grande oposi\u00e7\u00e3o ao ecumenismo e ao di\u00e1logo inter-religioso. Estas posturas ainda prevalecem na fraternidade.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970 ocorreram as primeiras discrep\u00e2ncias, embora, em 1971, a comunidade tenha sido aprovada pela Santa S\u00e9. Lefebvre, depois de anunciar que os padres da FSSPX continuaria celebrando a missa segundo o rito de S\u00e3o Pio V, decidiu ordenar padres formados exclusivamente no semin\u00e1rio de Ec\u00f4ne sem o consentimento da autoridade diocesana.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o de Roma foi retirar a aprova\u00e7\u00e3o can\u00f4nica e ordenar o fechamento do semin\u00e1rio de Ec\u00f4ne em 1975, considerando a sua face decididamente conservadora e a sua crescente oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s diretrizes do conc\u00edlio. Lefebvre recusou essas disposi\u00e7\u00f5es e ignorou a proibi\u00e7\u00e3o de ordenar novos sacerdotes e abrir novas casas. Al\u00e9m disso, criticou duramente a C\u00faria Romana, tornando necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o do papa Paulo VI atrav\u00e9s de cartas pessoais.<\/p>\n<p>Em 1976, Marcel Lefebvre foi suspenso \u201ca divinis\u201d e a FSSPX entrou em \u201cestado de desobedi\u00eancia\u201d. Isso n\u00e3o impediu que a casa de Ec\u00f4ne encontrasse seguidores em diferentes pa\u00edses. No mesmo ano, havia 140 seminaristas. Com a elei\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II, 1978 parecia o ano da reconcilia\u00e7\u00e3o, dado que, um m\u00eas depois da ascens\u00e3o ao trono de Pedro, o novo papa recebeu Lefebvre. N\u00e3o s\u00f3 isto: a chegada a Roma do cardeal Ratzinger como prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 mostrava sinais de mudan\u00e7a: o futuro Bento XVI, em seu &#8220;Relat\u00f3rio sobre a F\u00e9&#8221;, transparecia o que muitos viam como afinidades com as teses lefebvrianas.<\/p>\n<p>Mas as expectativas foram logo frustradas e as dist\u00e2ncias se aprofundaram depois do s\u00ednodo extraordin\u00e1rio e das duas iniciativas ecum\u00eanicas do papa polon\u00eas: a visita \u00e0 sinagoga de Roma e a Jornada de Ora\u00e7\u00e3o com os representantes das diferentes religi\u00f5es em Assis, eventos que provocaram vivas cr\u00edticas dos seguidores de Lefebvre. Desde 1987, a Santa S\u00e9 realizou v\u00e1rios esfor\u00e7os de reconcilia\u00e7\u00e3o: em maio de 1988, chegou-se a um acordo que implicava a proibi\u00e7\u00e3o de que Lefebvre consagrasse novos bispos.<\/p>\n<p>Em junho do mesmo ano, houve a ruptura total. Lefebvre desobedeceu a proibi\u00e7\u00e3o papal e consagrou quatro bispos em Ec\u00f4ne: Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta. Ordena\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas, mas il\u00edcitas. O resultado foi a excomunh\u00e3o oficial e a publica\u00e7\u00e3o do Motu Proprio Ecclesia Dei, com o qual Jo\u00e3o Paulo II nomeou uma comiss\u00e3o para facilitar a plena comunh\u00e3o eclesial dos sacerdotes e dos fi\u00e9is ligados a Lefebvre com a Igreja cat\u00f3lica, no respeito das suas tradi\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas.<\/p>\n<p>Estes passos fizeram com que, em anos posteriores, alguns sacerdotes e fi\u00e9is da FSSPX voltassem a Roma desejosos de uma comunh\u00e3o renovada com o papa. Alguns padres que celebravam a missa tridentina fundaram a Fraternidade Sacerdotal S\u00e3o Pedro, como previsto pelo Motu Proprio, em sintonia com o Santo Padre e com a Igreja cat\u00f3lica. Muitos sacerdotes, ap\u00f3s a morte de Lefevbre em 1991, aderiram \u00e0 nova fraternidade, cujas rela\u00e7\u00f5es com Roma s\u00e3o atualmente regulamentadas pela Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o &#8220;Ecclesia Dei&#8221;.<\/p>\n<p>As tens\u00f5es diminu\u00edram durante o pontificado de Bento XVI. Em agosto de 2005, o papa recebeu os l\u00edderes da Fraternidade, Bernard Fellay e o padre Franz Schmidberger, numa audi\u00eancia privada em Castel Gandolfo. Um boletim de imprensa da Santa S\u00e9 afirmou que a audi\u00eancia tinha ocorrido &#8220;em um clima de amor \u00e0 Igreja e de desejo de chegar \u00e0 perfeita comunh\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O motu pr\u00f3prio &#8220;Summorum Pontificum&#8221;, de Bento XVI, ofereceu novas possibilidades de celebra\u00e7\u00e3o da missa tridentina. Junto com o documento &#8220;Respostas a quest\u00f5es relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9&#8221;, ele queria facilitar o regresso da Fraternidade de S\u00e3o Pio X \u00e0 Igreja cat\u00f3lica e ao fim do esc\u00e2ndalo do cisma. Os lefebvrianos pediram o levantamento da excomunh\u00e3o e assumiram o compromisso de responder at\u00e9 28 de junho de 2008 \u00e0s propostas de Bento XVI.<\/p>\n<p>A revoga\u00e7\u00e3o ocorreu em 21 de janeiro de 2009, quando o papa Bento XVI, n\u00e3o sem despertar descontentamentos dentro da Igreja, decidiu levantar a excomunh\u00e3o mediante decreto da Congrega\u00e7\u00e3o para os Bispos, no qual, mesmo reconhecendo as diverg\u00eancias teol\u00f3gico-doutrinais e can\u00f4nicas, expressou o desejo claro de &#8220;consolidar as rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas de confian\u00e7a e intensificar e dar estabilidade \u00e0s rela\u00e7\u00f5es da Fraternidade S\u00e3o Pio X com esta S\u00e9 Apost\u00f3lica&#8221;. A esperan\u00e7a era a de se chegar &#8220;o mais r\u00e1pido poss\u00edvel \u00e0 completa reconcilia\u00e7\u00e3o e \u00e0 plena comunh\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o mesmo desejo manifestado agora pelo papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Zenit<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Fraternidade de S\u00e3o Pio X agradece a disposi\u00e7\u00e3o de Francisco de considerar v\u00e1lidas as confiss\u00f5es dos fi\u00e9is com os sacerdotes da comunidade durante o Ano Santo. Um novo passo para a reconcilia\u00e7\u00e3o. Foi recebida com gratid\u00e3o pela Fraternidade Sacerdotal de S\u00e3o Pio X a m\u00e3o estendida ontem por Francisco, em sua carta pelo Jubileu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-11515","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11515"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11515\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26932,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11515\/revisions\/26932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}