Gênero, ideologia nefasta

    Na última quarta-feira, dia 2 de abril, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados encarregada de votar o Plano Nacional de Educação (PNE), a vigorar nos próximos dez anos, suspendeu uma vez mais a votação.
    O ponto mais polêmico do PNE é, sem dúvida, o que trata da ideologia de gênero e por isso sua tramitação vergonhosa já se tornou novela de mau gosto. Sim, o Projeto de Lei 8035/2010, que aprova o Plano para o decênio 2011-2020, trazia termos próprios da ideologia de gênero: “igualdade de gênero e de orientação sexual”, “preconceito e discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero”. O Senado Federal, porém, em dezembro de 2013, aprovou um substitutivo (PLC 103/2012) que eliminou toda essa linguagem ideológica e ainda acrescentou como diretriz do Plano Nacional de Educação a “formação para o trabalho e a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade” (art. 2º, V). De volta à Câmara, o projeto, agora, enfrenta a fúria dos deputados do PT – dentre os quais há destaque para o deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), relator do Projeto – e seus aliados, que pretendem retirar os “valores éticos e morais” e reintroduzir o “gênero” no PNE, a fim de dar uma base legal à ideologia do Governo Federal.
    Entretanto, o medo desses políticos amigos da ideologia de gênero e inimigos da família brasileira começou a ser notado, desde o início, devido à grande reação de alguns corajosos Bispos e do povo em geral. Com efeito, o PNE alcançou, em março, o primeiro lugar em atendimentos no Disque-Câmara, com 877 ligações, sendo 860 para manifestar críticas ao texto. E mais: somente na semana de 17 a 23 de março, foram 804 comentários contrários ao Plano Nacional de Educação e só 5 a favor. Já na petição online, disponível no site CitizenGo, foram registradas, em 22 dias, cerca de 42.000 assinaturas contra esse sistema ideológico nefasto.
    Sim, nefasto, pois, de acordo com o artigo Reflexões sobre a ideologia de gênero, assinado pelo Cardeal Dom Orani João Tempesta, destemido Arcebispo do Rio de Janeiro, é ponto de partida desse sistema ideológico o seguinte postulado: nós nascemos com um sexo biológico definido (homem ou mulher), mas, além dele, existiria o sexo psicológico ou o gênero que poderia ser construído livremente pela sociedade na qual o indivíduo está inserido.
    Em outras palavras, não existiria uma mulher ou um homem naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria sexualmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído socialmente homem ou mulher. Ora, esse sistema ideológico é, segundo o estudioso argentino Jorge Scala, o mais radical já conhecido na história, pois se aplicado – por meio do ensino escolar e pela propaganda nos meios de comunicação de massa – destruiria o ser humano em sua integralidade e, por conseguinte, derrubaria também a sociedade, cuja célula-mãe é a família.
    Feita essa análise, uma importante pergunta se impõe: por que esse vai e vem na votação do PNE? A resposta nos parece bastante simples: para causar cansaço nos opositores e fazê-los, enfadados, recuarem. Conseguido isso, na primeira distração da opinião pública, farão a antinatural e absurda ideologia de gênero passar despercebida ou na calada da noite, como se costuma dizer popularmente.
    Um forte exemplo do que acabamos de dizer é o divórcio, aprovado em 1977: sua primeira tentativa de implantação se deu, em 1966, com o projeto de reforma do Código Civil, mas devido à reação de alguns poucos Bispos e de 1.042.359 brasileiros, a tentativa divorcista retrocedeu. Voltou, porém, em 1975 e foi novamente rejeitada pela opinião pública. Em 1977, porém, após várias derrotas, os divorcistas aproveitaram-se das férias do meio do ano e aprovaram o divórcio, no Brasil, por 226 votos contra 159.
    Cientes de tudo isso, fiquemos atentos aos próximos passos desses deputados que parecem legislar abraçados a interesses escusos, mas de costas para o já tão espezinhado povo brasileiro.

    Enrico van Blarcum de G. Misasi, estudante de Direito e membro do Movimento Pró-Vida; Vanderlei de Lima, filósofo e escritor.