Testemunhas do Senhor Jesus!

    A liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum recorda-nos que Deus atua no mundo através dos homens e mulheres que Ele chama e envia como testemunhas do seu projecto de salvação. Esses “enviados” devem ter como grande prioridade a fidelidade ao projeto de Deus e não a defesa dos seus próprios interesses ou privilégios.

    A primeira leitura(Am 7,12-15) apresenta-nos o exemplo do profeta Amós. Escolhido, chamado e enviado por Deus, o profeta vive para propor aos homens – com verdade e coerência – os projetos e os sonhos de Deus para o mundo. Atuando com total liberdade, o profeta não se deixa manipular pelos poderosos nem amordaçar pelos seus próprios interesses pessoais. Amós tinha a sua vida, mais ou menos tranquila, de pastor e agricultor quando Deus o chamou para uma difícil missão: ser profeta em Betel, onde entra em conflito com o sacerdote Amasias, ligado à institução. Entre outras tarefas, o profeta é aquele que em nome de Deus denuncia as injustiças e a corrupção.

    A segunda leitura(Ef 1,3-14) garante-nos que Deus tem um projeto de vida plena, verdadeira e total para cada homem e para cada mulher – um projecto que desde sempre esteve na mente do próprio Deus. Esse projeto, apresentado aos homens através de Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida, total e sem subterfúgios.
    O Deus que São Paulo veio a conhecer por revelação é um Deus que “desde sempre” teve “um desígnio benevolente” a nosso respeito(Ef 1,5). O centro deste plano é Jesus Cristo, o Filho de Deus Pai. É nele e por ele que o desígnio se tornará realidade. Em que consiste este plano? Se acompanharmos o texto de São Paulo, descobriremos que a intenção mais fundamental de Deus é abençoar-nos em Cristo, e não com uma ou outra bênção, mas “com toda bênção espiritual dos céus”(Ef 1,3). Uma das imensas bênçãos que Deus deseja a nos conceder é fazer-nos, em Cristo, “santos e íntegros diante dele, em amor”(Ef 1,4). Uma segunda, sempre unida à primeira, é de “por obra de Jesus Cristo” chamar-nos para a adoção filial – fazer de nós filhos seus, “para o louvor de sua graça”(Ef 1,6). Nós tornamos a realização deste designio difícil por nossas faltas, mas nem isto consegue frustar o eterno plano de Deus: “Em Cristo, e por seu sangue, obtemos a redenção e recebemos o perdão de nossas faltas”(Ef 1,7). Deus não somente nos abençoa, mas abre a nossa inteligência para podermos entender e alegrar-nos na riqueza da graça divina que Deus derrama sobre nós(Ef 1,8). Por meio desta sbedoria, podemos desde já contemplar antecipadamente a plenitude deste desígnio benevolente: Deus vai estabelecer Cristo como a cabeça da criação, de “tudo o que existe no céu e na terra”(Ef 1,10), unificando e santificando absolutamente o universo inteiro sob o domínio de Cristo. As duas palavras-chave deste hino são “Bênção” e “louvor”. Quanto mais compreendemos, mais somos abençoados em Cristo, e, juntamente com Paulo, irrompemos em louvor. E sabemos que na verdade o nosso Deus, o Deus de Jesus Cristo, é o Deus optimus et maximus.

    No Evangelho(Mc 6,7-13), Jesus envia os discípulos em missão. Essa missão – que está no prolongamento da própria missão de Jesus – consiste em anunciar o Reino e em lutar objetivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Antes da partida dos discípulos, Jesus dá-lhes algumas instruções acerca da forma de realizar a missão. Convida-os especialmente à pobreza, à simplicidade, ao despojamento dos bens materiais. Jesus agrega a si outras pessoas que possam auxiliá-lo na missão. Ele reconhece que a tarefa é enorme e  árdua e que não pode assumir tudo sozinho. Por isso escolhe pessoas dispostas e lhes dá orientações para a missão: despojarem-se, contentarem-se com a hospedagem oferecida, estarem prontos para ser acolhidos ou rejeitados, continuar a obra libertadora do Mestre e proclamar a conversão, promovendo novo modo de pensar, agir e viver.

    O desprendimento é sinal de liberdade e de gratuidade, de confiança em Deus e de solidaridedade das pessoas. Os discípulos devem ser generosos e nada exigierem em troca. A urgência da missão não admite parada, evangelizar sempre todos os povos. E, se for mal acolhido, sacudir até a poeira dos pés.

    O mundo ensina o sucesso. Jesus ensina a misericórdia e a renúncia. Somo sumamente uma Igreja para os pobres e dos pobres. Jesus espera de nós um serviço simples e humilde para anunciar a misericórdia e a acolhida a todos, sem excessão. Sejamos despojados e missionários!

    Deo optimo et maximo – para o louvor de Deus, supremamente bom e grande. A bondade e a grandeza divinas nos impede a vivermos como testemunhas do Ressuscitado.

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