Irlanda: Objeção de consciência consegue limitar aborto em hospitais

Documentos do Departamento de Saúde (HHS) na Irlanda demostram que a prática do aborto está limitada em nove das 19 maternidades do país, devido à objecção de consciência de muitos médicos.

Esta objeção de consciência dos médicos tem sido considerada como um problema pelo Departamento de Saúde, que assinala em um comunicado que “estão trabalhando com os hospitais nessa questão para encontrar uma solução adequada”.

Das nove maternidades que não oferecem a prática de aborto, de acordo com o esperado pelo Departamento de Saúde, cinco não o fazem por “questões operacionais” e quatro devido à objeção de consciência. Além disso, alguns dos hospitais são pequenos e afirmam que oferecer aborto seria muito custoso.

O texto do departamento assinala, por exemplo, que o South Tipperary General Hospital (STGH), em Clonmel, no sul do país, tem “a taxa mais baixa de natalidade no país (900 por ano) e os serviços de maternidade representam uma pequena parte de suas atividades. Estabelecer o serviço (de aborto) no hospital exigiria uma clínica dedicada que poderia ter pouca ou nenhuma demanda”.

Também assinala que é “extremamente decepcionante que, neste momento, haja apenas 10 hospitais oferecendo serviços completos” para o aborto.

Trevor Hayes, ginecologista do St. Luke’s General Hospital, em Kilkenny, disse recentemente em Dublin que o ministro da Saúde, Simon Harris “está obcecado com o aborto” e está “tentando pressionar homens e mulheres bons para praticá-lo contra sua consciência”.

Hayes recordou que “o aborto não salva vidas, acaba com elas. Não é cuidado de saúde e nenhuma circunstância pode fazer com que seja”.

Em maio, os bispos da Irlanda denunciaram que em alguns hospitais exigem que os médicos que serão contratados sejam a favor da prática do aborto. “Isso vai totalmente contra o direito humano e constitucional do médico à liberdade de consciência”, recordaram.

Em novembro de 2018, pelo menos 640 médicos assinaram uma petição que rechaça a prática de abortos e o encaminhamento dos pacientes a outros médicos que estejam dispostos a fazê-lo.

Em maio de 2018, os irlandeses votaram a favor da revogação de uma emenda que protegia as mães e os nascituros. Depois disso, os legisladores aprovaram uma lei para permitir o aborto no país.

O aborto na Irlanda agora é legal durante toda a gravidez. Os abortos cirúrgicos podem ser realizados até a 12ª semana de gestação e, após este tempo, a sua prática deve ser restrita a “circunstâncias excepcionais”.

A lei também permite a objecção de consciência, mas obriga os médicos que não queiram realizar abortos a encaminhar as grávidas a outros médicos que o façam.

Em um evento pró-vida realizado em 6 de julho, o Arcebispo de Armagh, Dom Eamon Martin, disse que “hoje é mais importante do que nunca reafirmar a santidade de toda a vida humana.”

“Tirar a vida de seres humanos inocentes de forma direta e intencional sempre é gravemente errado. Temos que evitar nos dessensibilizar em relação ao valor de toda a vida humana”, destacou.

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