Ética e Moral Agonizam

    Já não é pregação profética. É constatação lógica. O profeta do caos ficou no passado e suas previsões caíram no colo da nossa geração. Moral e ética são disciplinas agonizantes…

    Uma realidade que se consuma. O comportamento antissocial de grande maioria atesta os estertores das matérias que antes davam sustento e equilíbrio à vida social. Eliminam-se tais disciplinas e o indivíduo vira fera. As duas colunas de Sansão não mais darão suporte ao palácio onde se locupleta a elite social.  Desmorona o reinado de poder e glória, senhores e escravos, guardiões políticos e religiosos que servem ao reino dos homens… Dalila volta a usar sua tesoura!

    Entenda quem bom entendedor ainda é. Não há necessidade sequer de discutir o aspecto religioso do caos que se estabelece, pois que a fé é a única tábua de salvação que nos resta. O palácio dos sonhos da grandeza humana, fatalmente, irá ruir sem as colunas da ética e da moral. Sansão, o guerreiro da fé aprisionada, sabe disso. Diríamos aqui ser este o guardião maior da esperança moribunda, pois os inimigos da fé dançam e se banqueteiam acima daqueles que ainda se dizem tementes a Deus, ironizando e ridicularizando a fé que nos sustenta. Ignoram o desastre que ronda seus dias de libertinagem.

    E pensar que educação moral já foi disciplina obrigatória! O que vemos agora é o surgimento de uma geração sem limites, sem referências, sem um mínimo de respeito a valores básicos na vida social. Com isso, estamos a um passo da selvageria, onde civilização e cultura deixam de existir para dar lugar a grupelhos que defendam muito mais o pessoal do que o coletivo. Facções, partidos, movimentos que se dizem libertários, clubes esportivos ou sociais e até grupos religiosos estão aí, fechados em si mesmos, contra tudo e contra todos, gritando ordens, ignorando deveres… O bem comum deixa de existir quando interesses minoritários prevalecem sobre os demais. A ética torna-se etílica. Na moral, na moral… a gíria tornou-se disco riscado; não sai disso.

    Nem tudo está perdido. Os valores humanos, representados pela moral e ética, ainda borbulham no seio familiar. Alguns vêm do berço e se estendem ao meio social, onde a influência positiva é maior que a degradação do indivíduo. São valores como honestidade, cordialidade, respeito humano, humildade, hospitalidade, generosidade e, sobretudo, responsabilidade social. “Aquele que dá ensinamentos a seu filho será louvado por causa dele. E nele mesmo se gloriará entre seus amigos” (Ecles. 30,2). Pais responsáveis transmitem aos filhos não só os valores de um saldo patrimonial, mas também e principalmente os valores herdados da moral e ética da própria estrutura familiar. Família verdadeiramente constituída e solidificada pelas colunas paterno-maternais. Não há outra estrutura que substitua essa verdade. Fora disso, o que encontramos são paliativos, remendos improvisados de uma educação meia boca.

    Enquanto isso, o que vemos só nos causa estupefação. Lamentamos tudo isso, mas fizemos por merecer. “Nossa herança passou a mãos estranhas e nossas casas foram entregues a desconhecidos. Órfãos, fomos privados de nossos pais e nossas mães são como viúvas” (Lam 5, 2-3). O choro do passado ainda ecoa e se torna um lamento bem atual. Mas sua oração final nos enche de esperança, renova a fé daqueles que ainda acreditam num mundo novo. “Reconduzi-nos a vós, Senhor; e voltaremos. Fazei-nos reviver os dias de outrora. A menos que nos tenhais abandonado, e que contra nós demasiadamente vos tenhais irritado” (Lam 5, 21-22).

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